Análises

Yakuza 0 Director’s Cut – Review

Yakuza 0 é, sem sombra de dúvidas, um dos títulos mais importantes da franquia. Sendo originalmente lançado em 2015 como parte do projeto de aniversário de 10 anos da série, ele foi o game responsável por tornar a franquia tão popular no ocidente. Agora em 2025 a RGG decide lançar a Director’s Cut, uma versão que em suma é o mesmo game, mas com pequenas adições que iremos abordar nessa review.

A trama nos transporta para o auge da economia japonesa nos anos 80, onde acompanhamos o início da trajetória de Kazuma Kiryu. Após realizar uma cobrança violenta em um terreno baldio, Kiryu se vê injustamente acusado de um homicídio ocorrido no local. Determinado a limpar seu nome e encontrar os verdadeiros culpados, ele decide se desligar da Yakuza, iniciando uma perigosa jornada para descobrir por que aquele simples lote de terra é o centro de uma disputa de poder mortal.

Yakuza 0 Director's Cut

Nossa história se passa no Japão, 1988, durante o auge da bolha econômica. Em Kamurocho somos apresentados a Kazuma Kiryu. Após realizar uma cobrança em um lote vazio, Kiryu se vê injustamente acusado de um homicídio ocorrido no local. Decidido a provar sua inocência, ele abandona a Yakuza e inicia sua jornada para limpar seu nome e descobrir quais mistérios cercam o tal Lote Vazio.

Em contrapartida, em Sotenbori, Osaka, somos apresentados a Goro Majima, gerente do cabaré Grand e conhecido por ser o senhor da noite. Após passar um ano sendo torturado por não seguir as ordens de seu patriarca, Majima encontra-se preso em Sotenbori fazendo as vontades de Sagawa da Aliança Omi, enquanto busca uma maneira de voltar para a família Shimano. Essa oportunidade surge, mas para isso Majima terá de encontrar e assassinar uma pessoa chamada Makimura Makoto. Assim, através de capítulos alternados, iremos acompanhar ambas narrativas e descobrir como elas se entrelaçam dando origem a uma das melhores histórias da franquia.

Yakuza 0 Director's Cut

Muito antes de se tornar um RPG, Yakuza/Like a Dragon era um game de ação e aventura com combate no melhor estilo beat’em up. Ambos protagonistas contam com quatro estilos de combate: para Kiryu temos os estilos Briguento, Ímpeto e Fera. Já Majima conta com Arruaceiro, Batedor e B-Boy. Apesar dos nomes mudarem, no fundo eles possuem a mesma equivalência sendo um estilo balanceado, um para ataques pesados e o outro visando ataque rápidos. Há um quarto estilo – Dragão de Dojima e Cachorro Louco, respectivamente – que está atrelado às histórias secundárias de cada personagem.

Seguindo a boa e velha fórmula, aqui teremos duas cidades para explorar: Kamurocho e Sotenbori, cada uma para um personagem, tendo suas próprias histórias secundárias e minigames. Por se tratar de um jogo comemorativo, o conteúdo extra é recheado de easter eggs que funcionam tanto para quem já conhece a franquia, quanto para os jogadores de primeira viagem. Os clássicos minigames como karaokê, boliche, beisebol, jogos de azar, cassino e mahjong seguem presentes. As novidades ficam por conta dos minigames de discoteca e administração de negócios, sendo o da Imobiliária Tachibana para Kiryu e o do Cabaret Club Sunshine para Majima. Ambos são extremamente viciantes e garantem boas horas de diversão, além de ser uma das maneiras de conseguir dinheiro no jogo, algo essencial para comprar novas habilidades para nossos protagonistas.

Yakuza 0 Director's Cut

A versão Director’s Cut conta com novas cenas que visam enriquecer a história e trazer mais detalhes sobre alguns personagens. No total são quase 30 minutos de conteúdo novo que geraram um certo burburinho na comunidade de fãs. Vale ressaltar que elas não geram qualquer impacto para as demais tramas da franquia e estão ali, como já dito, para enriquecer o enredo. Pessoalmente teve apenas uma cena que me agradou bastante e funcionou muito bem para mostrar o nível de respeito entre dois personagens.

Uma outra novidade da Director’s Cut é o Red Light Raid, um modo online de um ou mais jogadores que consiste em escolher um personagem e enfrentar hordas de inimigos. A seleção de personagens é enorme, indo de Kiryu, Majima e Nishiki até aos antagonistas e NPCs presentes no jogo. Infelizmente esse modo é um tanto chato e enjoativo. A ideia de um modo online para uma franquia cujo foco sempre foi o single player me remete à era do PlayStation 3 em que diversos games recebiam um modo online mesmo sem ter  necessidade. Ao meu ver essa é uma estratégia que não funciona para a franquia.

Yakuza 0 Director's Cut

Um dos grandes “problemas” de Yakuza sempre foi a questão linguística. Muitas pessoas desistiram de dar uma chance para a série justamente por não ter nosso idioma disponível. A única maneira de consumir os games em português era jogando no PC graças às traduções de fãs, em especial as realizadas pela equipe da Brazil Alliance. Com exceção de Like a Dragon Ishin, isso passou a mudar a partir de Yakuza: Like a Dragon, primeiro título a receber localização para o português brasileiro. Desde então temos sido contemplados com um trabalho de localização muito competente e bem feito. Infelizmente o mesmo não pode ser dito de Yakuza 0 Director’s Cut

Logo na primeira hora de gameplay já é possível notar diversos problemas com a tradução brasileira. Muito erros de ortografia, concordância verbal, uso de pronomes e, em alguns raros momentos, mudança por completo do contexto da frase. Além disso, há também falhas nos menus, por exemplo: um dos estilos de Kiryu se chama Ímpeto, mas no hud aparece como Ímpato. Nos textos dos tutoriais também é comum observar que trocaram o nome dos estilos entre os protagonistas — por diversas vezes um tutorial visando o estilo Briguento aparecia com o nome de Arruaceiro e vice-versa. 

Yakuza 0 Director's Cut

É importante salientar que o jogo foi inicialmente analisado em acesso antecipado, portanto era esperado que no dia do lançamento haveria algum patch de correção para a tradução, uma vez que uma situação parecida já havia acontecido com Like a Dragon Gaiden. O jogo chegou a receber um patch há alguns dias atrás, porém os problemas com a localização continuam presentes. É um tanto decepcionante ver uma tradução dessas para um dos games mais amados pelos fãs, deixando a impressão que a mesma foi feita com pressa e não recebeu uma revisão mais cuidadosa.  

Uma outra adição que eleva a qualidade de vida do jogo é a opção de salvar a qualquer momento e o autosave — originalmente era necessário procurar um telefone público para salvar seus dados. Yakuza 0 Director ‘s Cut também recebeu uma nova abertura utilizando a música Bubble da banda Shōnan no Kaze que já estava presente na versão japonesa do jogo original, sendo uma das melhores novidades, pois a canção foi escrita especialmente para o game. Na parte visual é notável que as cutscenes estão ainda mais bonitas, com uma performance estável em 4k/60 fps. 

Yakuza 0 Director's Cut

Mesmo com os problemas apontados na localização e novidades não tão interessantes é impossível não recomendar Yakuza 0 Director’s Cut. Com o jogo base descontinuado nas lojas, ele é a melhor porta de entrada para qualquer jogador que deseja conhecer a franquia, além de entregar uma das melhores histórias dentre seus mais de 12 jogos. Seja explorar Kamurocho e Sotenbori, sair na porrada com mafiosos, gerenciar uma imobiliária e um cabaré ou apenas matar o tempo num salão de mahjong e soltar a voz no karaokê, Yakuza 0 Director’s Cut é um game excelente que irá prender o jogador do início ao fim, além de garantir boas horas de diversão.  

Yakuza 0 Director’s Cut está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela SEGA.

Veredito

Yakuza 0 continua sendo a obra-prima que popularizou a franquia no Ocidente e a melhor porta de entrada para novos fãs. A trama de Kiryu e Majima nos anos 80 permanece impecável, com seu conteúdo extra excêntrico e divertido. No entanto, a Director’s Cut é um pacote agridoce: enquanto as melhorias de qualidade de vida são bem-vindas e as novas cenas enriquecem o enredo, o modo online Red Light Raid é descartável e a localização para o português brasileiro decepciona pela falta de polimento.

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