Análises

Teeto – Review

Desde que Yooka-Laylee deu a cara a tapa em 2017, o gênero de plataforma 3D ganhou um novo fôlego, mostrando sinais de vida após uma década de negligência. OK, o jogo da dupla de camaleão e morcega realmente levou muitos tapas na época, mas marcou uma retomada a princípio discreta, mas que, com os anos, rendeu bons frutos. E ainda rende.

Teeto é um desses jogos inspirados no design de clássicos de fins da década de1990, em que a ordem do dia era sair pulando por cenários temáticos tridimensionais em busca de centenas de colecionáveis. Por um lado, o que ele oferece não é grande novidade, mas, por outro, corresponde ao que o apreciador de “collectathons” espera e deseja. É importante ressaltar logo um grande diferencial, incomum nesse meio: opção de modo cooperativo para dois jogadores em tela dividida (voltaremos a esse ponto mais tarde).

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Logo de cara, vemos que o que Teeto tem de sobra é carisma inocente e honesto, sem medo de pesar a mão na fofura do design de personagens. Ele tem, inclusive, mais de 50 trajes com propósito puramente cosmético, o que inclui roupas aventureiras de astronauta e pirata, e também outras mais voltadas para a galhofa, como de batata frita e de minhoca.

O restante desse bom-humor não é tão açucarado e faz piadas com ironia, trocadilhos e referências, sem nunca pesar a mão. A história, bastante lúdica, fala de um futuro misterioso em que a humanidade desapareceu ao mesmo tempo em que objetos e animais ganharam consciência e capacidade de fala.

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A coelha Nory, uma cientista, fez vários experimentos até conseguir criar a gosma azul que ela chama de Teeto, e basicamente o usa como uma montaria para partir em busca de suas outras experiências de seres de gosminha, que se perderam pelo mundo.

Um destaque é que todo o jogo está dublado em inglês com sotaque neozelandês, e achei adorável a voz feminina comum e cotidiana de nossa protagonista, interpretada pela própria desenvolvedora Ali Duncan. Ela e seu marido Mitch criaram o jogo em casal — tem até um cenário que ele fez para pedi-la em casamento durante o desenvolvimento. A filha pequenina deles também dublou um pouquinho.

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Em parte, o humor se perde na tradução. Por exemplo, a fase “Lawn and Order”, cujo nome remete ao famoso seriado policial, ficou “Grama em ordem”. Teria tradução que mantivesse o sentido direto? Não, mas faltou o cuidado de adaptar para piadas equivalentes em português a fim de transmitir corretamente o humor engraçadinho que os criadores incutiram no jogo. O pior, para mim, é que os mundos do jogo, chamados “atos” — Act 1, Act 2 — acabaram em nosso idioma como Agir 1, Agir 2. Essa falta de cuidado ficou feia.

A gameplay é a clássica do gênero: mundos organizados em fases, cada uma com seu tema e colecionáveis para encontrar e acumular. Alguns deles dependem de cumprir objetivos, o que é incentivo para explorar direitinho cada canto. Enquanto alguns temas de cenários são os clichês de sempre — floresta, montanha nevada, caverna —, outros se diferenciam com uma pegada urbana, como loja de conveniência, escritório, residência familiar e metrô.

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O visual tridimensional de Teeto sempre tem algo de simplicidade e, exceto para quem gosta de fofurices, não tem muito que seja especialmente atraente. No entanto, as fases cumprem bem seu objetivo de design de níveis divertido e criativo, evitando ficar na mesmice.

Um dos pontos centrais da gameplay é que a gosma Teeto pode ganhar poderes ao absorver características de coisas ao redor, como fogo, água, pedra e planta. Vejo com ambivalência essa mecânica inspirada nos jogos da série Kirby.

Por um lado, ela não se aprofunda, pois os poderes são usados em momentos específicos, sempre com uma fonte apropriada para absorver junto ao local onde eles são necessários. Isso quer dizer que não os acumulamos, não os escolhemos e não há margem para os usarmos de maneira criativa.

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Por outro lado, a ideia mantém a jogatina dinâmica e variada, passando de um poder para outro de acordo com a conveniência da vez. Logo, o resultado desse design é benéfico à aventura, mesmo que não surpreenda. O combate, a propósito, está ali apenas de enfeite, pois é do tipo que basta um golpe para derrotar os poucos inimigos que aparecem. Os chefões são poucos e, no fim das contas, cumprem seus papéis a contento, sem problemas relevantes nem destaques.

Felizmente, outro ponto essencial ao gênero de plataforma 3D é muito bem executado: o movimento ágil e preciso. Após pegar o jeito, logo me vi saltando entre plataformas exatamente da maneira que eu pretendia, usando tanto os pulos duplos quanto os pulos longos (rolagem + pulo). A câmera, em geral, também faz um bom trabalho, mas há exceções negativas, como quando precisamos mirar para acertar algo de longe e o personagem obstrui grande parte da nossa visão.

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O morango do bolo (eu não curto cerejas) está no modo cooperativo com tela dividida. Qualquer jogo legal ganha pontos comigo por incluir a possibilidade de jogar junto com mais alguém, mesmo quando isso é completamente dispensável. É o caso de Teeto, que jamais precisa de mais que um jogador, mas teve essa opção implementada apenas porque abre potencial para mais diversão. Ninguém fica refém de ninguém: cada um pode simplesmente ir para onde quiser dentro de uma fase, sem esperar pelo outro, dividindo os objetivos entre si ou prosseguindo juntos.

Assim, joguei Teeto com meus três filhos alternando o controle entre si e todos nós gostamos muito. Joguei lentamente para acompanhar e ensinar a mais nova, de cinco anos, dei tarefas quando foi a vez do de sete anos e deixei o de 11 anos, mais experiente, seguir seu caminho enquanto eu vasculhava o meu. Jogar de dois também pode ajudar a superar alguns desafios porque quem morre pode voltar à ação rapidamente e, portanto, enquanto houver ao menos um dos dois vivos para segurar as pontas enquanto o outro retorna, a dupla segue em frente e evita ser mandada de volta ao checkpoint.

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A aventura toda é um tanto curta: levamos um pouco mais que sete horas para chegar ao final dos quatro mundos e um total de nove horas para alcançarmos 100% de completude após rejogar várias fases em busca dos colecionáveis faltantes. Cada instante foi de diversão suave, responsiva e agradável, exatamente como espero de 3D platformers.

Teeto está disponível para PS5, Switch, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Super Rare Originals.

Veredito

Teeto é uma boa entrada no repertório dos jogos de plataforma 3D repletos de colecionáveis. Vários aspectos dele são bastante simples, mas os controles ágeis e precisos, o bom humor inocente, a dublagem carismática de inglês neozelandês e, em especial, a possibilidade de jogar tudo em tela dividida para dois jogadores fazem desse jogo uma diversão agradável que vale a pena.

80

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