Depois de Fractured Utopias ampliar as possibilidades do modo “Construção de Utopias”, chega o segundo conteúdo adicional de Frostpunk 2: Breach of Trust. Desta vez, a 11 bit studios abandona momentaneamente Nova Londres para apresentar um cenário completamente novo, centrado na cidade de Nova Edinburgh, erguida sobre um vulcão desestabilizado pela extração irresponsável de energia geotérmica.
Diferente do DLC anterior, focado no modo sandbox, Breach of Trust retoma o formato história, com uma narrativa própria e autocontida. Com o antigo capitão deposto, cabe ao jogador assumir o posto de “Primeiro Cidadão” (um gestor temporário) em meio ao caos político e à iminência de mais um desastre natural.
O grande trunfo deste conteúdo adicional está nos novos sistemas que ele introduz. Em vez de depender apenas do Conselho para validar decisões, agora existe o Voto de Confiança; um referendo popular que acontece regularmente, em que o jogador passa pelo crivo dos cidadãos de Nova Edinburgh. Reprovar nesse teste significa o imediato game over. Tal aspecto muda drasticamente a forma como o jogador pesa cada lei ou promessa: não basta gerenciar facções, é preciso manter um mandato social amplo e contemplar as necessidades de cada grupo.
Outra novidade interessante é a relação com Aurora, uma colônia próxima que corta o fornecimento de alimentos de New Edinburgh logo no início do cenário. A partir daí, o jogo abre duas frentes de resolução bem distintas: negociação ou confronto direto.
Os tratados comerciais abrangem todas as etapas de uma negociação típica; contendo prazos para deliberação, contrapropostas e até ameaças. Se aceito, o acordo deve ser cumprido em um prazo razoável, do contrário, haverá consequências.
Já a opção pela guerra permite exercer domínio sobre Aurora pela força, com todo o desgaste e as consequências políticas que isso acarreta. Ter à disposição tanto a via diplomática quanto a militar dá um peso extra às escolhas do jogador, algo que a série já sinalizava, mas nunca havia explorado com tamanha profundidade dentro de um único cenário.
O novo mapa também merece destaque pelo desafio que impõe. A atividade vulcânica se manifesta por meio de dois novos fenômenos: os Tremores, que danificam estruturas e forçam replanejamento constante, e a Noite Vulcânica, um evento de cinzas que cobre o céu e testa a resiliência da cidade. Diferente da pressão gradual do frio no jogo base, esses eventos funcionam mais como choques pontuais, obrigando o jogador a se adaptar rapidamente e abandonar certezas construídas em campanhas anteriores.
Nem tudo, porém, funciona tão bem. O mapa de New Edinburgh, apesar de visualmente impactante e coerente com a ameaça vulcânica, é bastante fechado e limitado em termos de expansão territorial. Isso acaba restringindo a criatividade na hora de planejar a cidade: mesmo havendo escolhas de progressão e diferentes rotas narrativas, o jogador segue, na prática, um caminho de resolução de problemas pouco diverso entre uma partida e outra. O resultado é um fator replay mais baixo do que se esperava, especialmente se comparado à liberdade oferecida por Fractured Utopias.
Some-se a isso o fato de que Frostpunk 2 no PlayStation 5 ainda carrega problemas técnicos que já vinham incomodando desde o lançamento do jogo base. A navegação por menus continua apresentando bugs recorrentes, alguns deles antigos conhecidos que resistem a patches.
Também não faltam travamentos (stutters) durante a navegação e o carregamento, principalmente em momentos de transição entre telas ou ao lidar com os eventos mais carregados do vulcão. Passados os primeiros conteúdos adicionais, é frustrante ver que a otimização segue sendo o calcanhar de Aquiles da experiência no console da Sony.
Ainda assim, os novos sistemas de negociação, confronto e o Voto de Confiança mostram que a 11 bit studios está disposta a experimentar variações sobre a fórmula de Frostpunk 2, trazendo tensão de um tipo diferente da luta contra o frio. É um conteúdo adicional que entrega ótimas ideias, mesmo que nem todas se traduzam em liberdade de construção ou fator replay à altura do que a franquia já demonstrou ser capaz de entregar.
Frostpunk 2: Breach of Trust está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela 11 bit studios.







