Desde sua estreia nos quadrinhos, Scott Pilgrim consolidou-se como um dos grandes ícone da convergência entre a cultura pop e a estética dos videogames. Seu primeiro game Scott Pilgrim vs. The World – The Game, por um tempo, se tornou quase que um “item de luxo” quando foi removido das lojas, porém isso mudou, quando em 2021, recebeu um relançamento com a Complete Edition. Alguns anos depois, a franquia retorna agora com Scott Pilgrim EX, desenvolvido pela Tribute Games.
Scott Pilgrim EX apresenta uma história inédita que se passa na Toronto de 20XX. Scott e sua banda Sex Bob-Omb ensaiavam para um show quando uma versão maligna, chamada Scott Metálico, apareceu e sequestrou todos os integrantes. Para piorar, riffs dimensionais começaram a aparecer pelas ruas de Toronto, que também foi tomada por três gangues: a dos Veganos, a dos Robôs e a dos Demônios. Agora cabe a Scott e sua namorada Ramona resgatar seus amigos e salvar a cidade.
Primeiramente, é importante mencionar que o jogo possui uma HQ prelúdio, chamada Scott Pilgrim EX: Dawn of the Metal Scott, responsável por introduzir o novo vilão, claramente inspirado em Metal Sonic. Segundo o próprio criador, Bryan Lee O’Malley, a história do game não deve ser vista como uma continuação direta da série animada da Netflix, mas sim como uma aventura independente.
O game mantém o estilo beat ‘em up clássico visto em Scott Pilgrim vs. The World – The Game, mas com algumas novidades bem interessantes. A começar pela possibilidade de escolher entre 7 personagens jogáveis: Scott Pilgrim, Ramona Flowers, Roxie Richter, Matthew Patel, Lucas Lee, Gideon e Robot-01. Os controles contam com ataques fracos, fortes, bloqueio, agarrão, pulo e assistência. Cada um possui moveset, habilidades e golpes únicos, sendo todos muito divertidos de jogar e masterizar.
Diferente do game anterior, aqui em EX, desde o começo temos um mundo aberto que nos permite explorar Toronto livremente. Ao andar pela cidade encontramos vários restaurantes e lojas. Consumir refeições não apenas recupera sua vida e coragem, mas também aumenta um dos atributos do seu personagem: vitalidade, força de vontade, agilidade, força. Derrotar chefes e ocasionalmente alguns inimigos pelas ruas de Toronto permite elevar alguns desses atributos, mas a maneira mais efetiva é através das refeições. Além delas, também é possível comprar acessórios e insígnias que afetam diretamente nossos atributos e possibilitam criar algumas builds. Por exemplo, podemos equipar uma insígnia que aumenta o valor das moedas dropadas pelos inimigos e uma que funciona como um imã atraindo o dinheiro dropado por eles.
O loop do game é muito simples, porém viciante. Saia na porrada com os inimigos, explore os riffs dimensionais, vá em busca dos instrumentos da banda e em seguida encontre uma canção que uma vez tocada irá abrir novos riffs – algo bem à la Ocarina of Time -, levando a outras eras pelo tempo e espaço. Enquanto progredimos pela história, além das missões principais, muitas vezes teremos alguns eventos obrigatórios para realizar. No entanto, explorar cada cantinho de Toronto se torna recompensador ao encontrar eventos secundários e áreas secretas. Não só isso, mas também identificar as diversas referências e homenagens a franquias da cultura pop e geek, além de divertido, consegue arrancar boas risadas dos fãs. Espere encontrar desde Dragon Ball, Mario, Zelda, Castlevania até Resident Evil, Bloodborne e muitos outros.
A direção de arte e animações em pixel art são de encher os olhos e as opções de filtros CRT são um plus que fazem toda diferença. No início estava jogando sem ele, mas pessoalmente acho que games em pixel art ficam ainda mais bonitos com esse filtro. Um outro ponto que merece ser exaltado é sua excelente trilha sonora, que volta a ser assinada pela banda Anamanaguchi. A cereja do bolo é a presença da localização para o português brasileiro, que está bastante competente e torna a experiência ainda mais satisfatória.
Como já mencionado, o game conta com 7 personagens diferentes e, além de suas particularidades na gameplay, cada um tem um final próprio, o que eleva ainda mais o fator replay. A possibilidade de seguir explorando a cidade mesmo após ter zerado o game traz um certo facilitador na hora de upar os demais personagens, uma vez que o dinheiro é compartilhado entre todos. Entretanto, o farm pode acabar sendo cansativo durante algumas missões e em dificuldades mais elevadas. Às vezes a “bagunça” na tela é tanta que fica difícil identificar seu personagem e cheguei a tomar alguns KOs sem nem mesmo entender o que estava acontecendo. Dependendo das circunstâncias isso pode ser um pouco frustrante, mas não anula a diversão que o título proporciona a todo instante.
Scott Pilgrim EX é um prato cheio para os fãs e para aqueles que curtem um bom beat ‘em up. Seu ritmo flui bem, com uma seleção de personagens capaz de agradar até os mais exigentes. A diversão se torna ainda melhor com a possibilidade de jogar com até quatro jogadores em co-op local ou online. Um game que mostra o quão relevante Scott Pilgrim consegue ser nos dias atuais, com uma gameplay simples, porém funcional, um visual pixel art deslumbrante, trilha sonora excelente e recheado de homenagens à cultura pop.
Scott Pilgrim EX está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, Switch, PlayStation 4, Switch e PC via Steam com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Tribute Games.







