Análises

Assassin’s Creed Black Flag Resynced – Review

Quando uma franquia se torna tão grande e longeva acaba virando um certo problema para sua criadora/desenvolvedora em como manter a mesma relativa e revigorada ao longo do tempo. Quando Assassin’s Creed 3 foi lançado, confesso que já estava questionando o caminho da série após a conclusão da história de Desmond ao longo de suas visitas aos grandes assassinos do passado em busca da primeira civilização e tudo o que acontece ali.

Quando o auge da pirataria no Caribe foi mostrado como o próximo capítulo da franquia entre a rixa de assassinos e templários, a temática me ganhou de imediato e não importasse a desculpa qualquer que fosse usada pelo Animus dessa vez, mas eu estaria lá. Um lançamento de sucesso, jogabilidade aprimorada, as excelentes batalhas navais e a volta de um protagonista interessante são apenas alguns fatores que marcaram o sucesso do Black Flag original, que facilmente é um dos preferidos por milhares de jogadores entre todos os outros.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Com a necessidade de reinvenção, as similaridades de Rogue quando lançado com uma estrutura que começava a dar sinais de envelhecimento, o próximo grande passo da franquia só veio com Assassin’s Creed Origins e uma visão fantástica do Egito antigo, mudando parte essencial do jogo para o RPG de ação em mundo aberto e dando ainda mais opções ao jogador. Infelizmente, na minha opinião, o capítulo seguinte foi desserviço tão grande para a franquia que jamais deveria ter recebido o título de “Assassin’s Creed” e seguido só como “Uma Grande Odisseia na Grécia”, já que das características principais o jogo tem quase nada, mesmo que de boa qualidade em outras áreas.

Com idas e vindas, alguns remasters e ports em cada canto, além da recepção morna dos jogos mais recentes, a Ubisoft precisava reacender o fogo dos fãs de alguma forma e nada mais fácil para isso do que atualizar um dos favoritos e entregá-lo numa repaginada mais do que necessária. Com o anúncio de Resynced e a volta da era de ouro da pirataria, o simples vislumbre da qualidade do jogo do passado já foi o suficiente para os fãs, novos e veteranos, se empolgarem novamente para o que pode vir no futuro.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Assassin’s Creed Black Flag Resynced atualiza a aventura de Edward Kenway e seus companheiros de pirataria no início do século XVIII no Caribe. Como um dos protagonistas que menos se relacionava com o credo para a época e muito motivado pelas próprias ambições quando esbarra nos planos templários templários, a jornada do pirata continua divertida, repleta de personalidades e eventos interessantes, grandes nomes e reviravoltas, traições e emoções, além de ainda incluir parte significante do trabalho dos assassinos no período e local.

Resynced entrega a campanha com uma narrativa melhor, sem os capítulos e memórias de sincronias, com mais cenas para personagens importantes e o mesmo um desenvolvimento mais atenuado para Edward. Não há porém um retrabalho imenso nisso, mas sim partes que aprimoram o que já existia, que ajusta, muda posição de alguns eventos e mais. De toda forma, alguns problemas continuam e isso me faz equiparar a um outro remake que seguiu as mesmas linhas.

Demon’s Souls Remake trouxe uma atualização importante para o jogo original de PS3, aplicando a melhor qualidade visual possível, refinando a jogabilidade e aprimorando o que era possível sem mudar a essência do jogo. Resynced segue exatamente a mesma fórmula mas num âmbito maior graças ao tamanho do mundo e opções de jogo. O que mais quero dizer com isso é que tudo o que existia antes estará aqui, mesmo que boa parte disso seja aprimorado e atualizado além dos aspectos visuais. Por outro lado, os antigos defeitos e problemas que faziam parte do design e estrutura do jogo também são mantidos quando não há o que fazer sem poder ir muito a fundo num redesenvolvimento total.

Um bom exemplo disso é que, mesmo com os aprimoramentos narrativos já mencionados, muito ainda ficou similar a versão de 2013. Personagens que surgem do nada na história e sem muita introdução, cenas quebradas, informações jogadas e desenvolvimento acelerado em algumas partes são só alguns pontos. Além disso, design de missões, atividades e parte da jogabilidade reforçam o caminho escolhido para o remake, seguindo um mais de atualizar e aprimorar o jogo original do que partir para um redesenho maior, como em Final Fantasy VII Remake.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Tendo isso em mente e já sabendo a qualidade do original, os grandes incrementos notáveis ficam no visual, animações, refinamento da jogabilidade, interface e a modernização de um jogo que talvez realmente já estava limitado tecnicamente na época do PS3, mesmo que uma versão aprimorada para o PS4 exista e não tenha feito mais do que uma aumentada em pixels e folhagem melhor.

Reviver a jornada do primeiro Kenway e seu envolvimento com assassinos e templários, criar seu nome como pirata e começar do zero com o navio Gralha (Jackdaw), pilhar e saquear, entrar em disputa com as forças espanholas e britânicas em mar e terra, ir atrás de tesouros e realmente aproveitar, talvez, a única experiência pirata autêntica em jogos é tão satisfatório hoje como era 13 anos atrás. Ainda que sua nostalgia possa tentar te enganar com memórias soltas, não vai existir um mundo onde qualquer aspecto do original se sobressaia ao remake, justificando a Ubisoft voltar ao jogo e entregá-lo novamente da melhor forma possível nos dias atuais.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Ainda que pouco mais de uma década seja um tempo relativamente curto para o que jogadores almejam esperar para ver um remake, é importante lembrar que Origins já vai para 10 anos e uma parte dos jogadores tenha começado na nova era dos AC’s como RPG. Entrar num mundo quase arcaico de títulos de ação e aventura como antes pode ser uma novidade. Sem muito progresso em vista, evolução constante de personagens e equipamentos, interferência direta em eventos e mais vai acabar soando estranho para parcela dos fãs. Com isso, talvez resynced seja um jogo que faça mais sucesso entre os veteranos e principalmente os que se lembram mais do jogo como antes.

Numa época em que o combate era extremamente reativo para os jogos, Black Flag em 2013 já mostrava isso como certo problema e Resynced trata de ajustar logo de imediato. O combate de personagens é mais direto e sem tanto aquela dependência de sempre ter que esperar seu inimigo para contra atacar. Combos de espada, pistolas, arpão e corda, bombas de fumaça e mais criam embates mais diretos e práticos aos jogadores que resolveram variar suas opções de abordagem. Há ainda as defesas e esquivas perfeitas com boas janelas de contra-ataques, habilidades únicas em armas lendárias e que podem expandir opções de combate, amuletos com aprimoramentos que impactam desde a exploração aos recursos obtidos, além de outras opções de uso do cenário para interagir contra inimigos e mais.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

O intuito com o combate é que ele seja mais uma dança de eliminações usando o que tiver ao seu dispor. Ficar batendo e defendendo, criando uma tempestade de espadas e rebatidas a torto e a direita acaba sendo uma forma não muito produtiva de engajar. Usar o máximo de opções e resolver as disputas de forma rápida é sempre a melhor opção.

Um ponto em especial fica para a mudança de design das missões de jogo que melhoraram muito a experiência agora. Sai as eternas partes de seguir sem poder perder ou ser visto e entra uma aceitação muito mais fácil de como o jogador progride. Se foi visto basta correr ou se entrou em combate basta resolver via isso. Não há penalizações por como você joga ou por errar algo. O jogo é muito mais aberto a como será resolvido cada missão ao invés de te forçar um caminho específico. Mesmo assim, para 2026, algumas missões ainda vão apresentar um design mais simplista e não muito sofisticado, mas não é um caso de demérito aqui quando voltamos a ver como o remake foi pensado desde o início.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

A repaginação dos locais e o parkour envolvido é muito bem vinda  melhor, além de acelerar um pouco, a interação do personagem nas escaladas e corridas diversas pelo mapa. Aqui também vem à tona alguns problemas de antes e que, muito por como toda essa movimentação funciona, apresenta as principais diferenças para os jogos modernos. Aquelas entradas e saídas de pontos de parkour que pareciam imprecisas ainda podem ser vistas, mesmo que em menor número. Exemplos são pulos que dão em nada ou quedas inesperadas, falta de alguns pontos de escalada e mais.

Como os mapas são desenhados para o parkour acontecer de forma mais planejada e não para que seja executado qualquer local, como em Odyssey e outros, jogadores precisam planejar seu caminho para melhor efetividade e seguir as trilhas disponíveis. Resynced não te deixa pular, escalar e subir em qualquer lugar, mas sempre te dá rotas que podem ser seguidas e funcionam bem, mesmo com as pequenas imprecisões já comentadas. Novamente, talvez essas diferenças sejam mais notadas por jogadores apenas relacionados com a época RPG da franquia.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Das atividades do mapa, marítimas e terrestres, tanto quanto tudo o que envolve o Gralha e combate contra navios, o aprimoramento é mais sutil e não tão vistoso de imediato. Pequenas atualizações de interface e comandos de combate, movimentos dos navios, IA de combate como um todo e outros tem o efeito mais funcional do que antes. Menos bugs e mais efetividade aqui, já que não há muito o que mudar ou incrementar sem acontecer o que já comentado sobre alterar demais o jogo.

Não há como negar que a maior mudança é realmente nos aspectos visuais e técnicos, com uma modernização gráfica do jogo num nível praticamente impecável. Aproveitar AC Black Flag Resynced no PS5 Pro, com o máximo de aparatos gráficos entregues é talvez uma das grandes conquistas do jogo. Iluminação e sombreamento, texturas e geometria nos excelentes modelos de personagens, a estupenda qualidade da água e chuva no jogo, efeitos climáticos que impactam o visual como poças de água ou madeira molhada, trato com cabelos e como interagem com o clima e muito mais. Dá pra ficar por linhas e linhas citando e exemplificando as inúmeras qualidades visuais e técnicas que foram conseguidos ao usar a ANVIL aprimorada após AC Shadows.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Ainda que seja verdade o quanto a direção de arte e a própria beleza natural caribenha possam ser um facilitador aqui, o certo é que realmente o jogo alcança patamares pouco vistos nessa geração em termos gráficos. Facilmente de cair o queixo em qualquer cena marítima, seja velejando em mares calmos ou enfrentando tempestades, indo mergulhar no extremamente detalhado fundo do mar ou com os diversos efeitos em tela quando combatendo navios, cada cena em novos ambientes visitados, mesmo as ilhas mais detalhadas e vegetação soberba, traz um vislumbre incrível.

Qualidade técnica também vai muito além dos aprimoramentos, principalmente ao ver o ótimo uso de reflexos e sombras com raytracing ou mesmo as opções para 40 e 60 fps funcionarem sem qualquer engasgo. É realmente entregue aqui, por uma empresa várias vezes questionada por isso, uma qualidade imensa e digna de elogios, fazendo valer a espera do remake para os dias atuais.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Quanto aos tradicionais bugs que muitos relatam por parte dos jogos da Ubisoft e que viram memes e relatos virais hoje em dia, confesso que encontrei alguns sim, mas nada que impacte o jogo. Alguns foram até bem engraçados, como um navio que ficou girando em alta velocidade no mar ou outro que atravessou terra firme e era possível ver as velas passando por entre casas. Mesmo assim, isso não foi mais do que 4 ou 5 casos do tipo acontecendo em minhas mais de 45 horas com o jogo.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um trabalho quase perfeito para um dos melhores jogos de sempre de uma franquia que já mudou bastante. Muito mais uma aventura pirata num mundo incrível do que um tradicional seguimento do credo de assassinos, reviver a jornada de Edward Kenway com toda a modernização possível, no melhor aspecto visual entregue e de forma ainda extremamente divertida é uma das melhores recomendações para 2026, para qualquer tipo de fã da franquia ou mesmo outro jogador curioso que nunca viveu nada do tipo antes.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas e dublagem em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 (no PS5 Pro) e foi realizada com um código fornecido pela Ubisoft.

Veredito

Um dos melhores jogos da franquia recebe um tratamento impecável. Com visual estupendo e tecnicamente primoroso, Assassin’s Creed Black Flag Resynced já surge como um dos melhores remakes feitos e uma modernização necessária que esperamos ver para mais jogos no futuro.

95

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