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Rune Factory: Guardians of Azuma – Review

Quando paramos para pensar em jogos de fazendinha um dos primeiros nomes que vêm em mente é, com certeza, Harvest Moon – hoje conhecido por Story of Seasons. E o que aconteceria se adicionássemos elementos de RPG a essa estrutura? O resultado foi o nascimento da franquia Rune Factory em 2006. Guardians of Azuma, originalmente lançado em 2025 para PC e Nintendo Switch, é um spin-off  que promete renovar a série após o não tão bem-sucedido Rune Factory 5. Esse foi meu primeiro contato com a franquia e devo admitir que fui surpreendida positivamente. 

A trama se desenrola nas terras de Azuma, fortemente inspiradas no Japão feudal, que foram devastadas pelo Colapso Celestial, causado pela queda de um estranho objeto que interrompeu o fluxo das runas e fez com que os deuses da natureza desaparecessem. A partir daí assumimos o papel de Subaru ou Kaguya, um Earth Dancer sofrendo de amnésia e que descobre possuir a habilidade única de se comunicar com deuses sazonais através de danças rituais. Após purificar o Blight, uma praga que corrói a energia vital do mundo, que assolava a vila da Primavera, trazemos de volta à vida a Deusa da Primavera, Ulalaka. Munidos dos Sacred Treasures daremos início à nossa jornada visitando as demais vilas, restaurando os deuses das estações espalhados por Azuma e descobrindo os mistérios que cercam nossa perda de memória.   

Rune Factory: Guardians of Azuma

Diferentemente do que se espera de um jogo de fazendinha, aqui não estaremos limitados a apenas cultivar e manter plantações. O escopo de Azuma é muito maior e abrange o gerenciamento por completo de cada uma das vilas. Dentro delas encontraremos áreas de desenvolvimento que nos dão a liberdade de decidir como serão geridas. Esse foi um dos pontos que mais me chamou a atenção, pois não nos limita a ficar presos em apenas uma atividade. 

Para manter nossas vilas em pleno funcionamento será necessário construir casas e lojas. É possível designar os habitantes para as mais diferentes funções e alguns deles possuem mais afinidade com determinado trabalho. Assim é possível colocá-los para cuidar das plantações, cortar árvores, coletar minérios e gerir lojas fazendo com que a roda da economia esteja o tempo todo ativa. No final do dia isso gera um impacto que pode ser positivo – gerando lucros e recursos, seus habitantes estarão felizes e não irão pensar em se mudar – ou negativo. Esse tipo de recurso traz mais dinamismo para o jogo e nos permite passar mais tempo focando em outras atividades que citarei mais a frente.

Rune Factory: Guardians of Azuma

Para os que adoram cuidar de plantações, os Sacred Treasures serão de grande ajuda. Por exemplo, os tambores, quando usados em plantações e árvores, aceleram em um ciclo o crescimento. Ainda na questão customizável, o jogo brilha ao colocar um modo de visão de campo que facilita dispor as construções, terrenos e espaços para cultivo. Infelizmente não é possível entrar nos estabelecimentos o que atrapalha um pouco na imersão.

Enquanto o dia a dia em nossa vila segue seu curso, podemos focar em desenvolver relacionamentos com mais de 20 NPCs, sendo alguns deles possíveis opções de romance. Estando acostumada com a dinâmica de Story of Seasons, imaginei que aqui teria um pouco de trabalho para evoluir meus vínculos. No entanto, é necessário elogiar o quão simples e direto ao ponto essa mecânica é.

Cada um dos moradores tem sua própria rotina, gostos, desgostos e, claro, sua história. Durante o dia é possível conversar com eles e isso por si só já ajuda a elevar o Bond Level. Dar presentes colabora ainda mais para isso e também é possível escolher entre diferentes ações como chamar para comer algo, nadar na cachoeira, visitar o santuário, entre outras. Esse recurso só pode ser usado uma vez por dia, sendo necessário atentar-se às respostas, pois alguns podem se recusar ou apenas não gostar daquela sugestão de passeio, diminuindo nossa barra de afinidade. Ao subir o Bond Level liberamos missões secundárias com eles e quando menos esperamos estamos num looping natural e viciante em querer fazer amizade com todos. 

Rune Factory: Guardians of Azuma

Fortalecer os vínculos também permite adicioná-los à nossa party. Cada um deles tem sua especialidade com alguns tendo foco em dano, outros em cura, buffs para a party ou debuffs para inimigos. Isso traz mais flexibilidade permitindo compor nosso time como desejarmos. E se estamos falando em party, nada como abordar as mecânicas de RPG que são um marco da franquia. Nosso personagem conta com várias árvores de habilidades divididas em categorias: uma focada nas habilidades sociais, outra em culinária, uma para cada tipo de arma e objeto celestial, uma para melhorias de status, entre outras. Também é possível fabricar armas e equipamentos que por sua vez podem ser melhoradas com os recursos que coletamos.

Dentre as atividades disponíveis, podemos explorar diversas áreas ao redor dos vilarejos. Estes momentos me remetem muito a Breath of the Wild, porém com mapas mais contidos. O combate, apesar de simples, funciona muito bem, com combos rápidos que podem ser intercalados com golpes especiais que fazem uso dos já mencionados Sacred Treasures. A mecânica de esquiva, quando executada no timing correto, desacelera os inimigos permitindo infligir danos elevados, o que faz total diferença nas lutas contra chefes. Também é possível equipar uma arma secundária, tornando a troca entre as duas bem fluída. 

Rune Factory: Guardians of Azuma

Explorar essas áreas nos recompensa com recursos e novas receitas ao encontrar estátuas de sapo. O mapa é bastante objetivo mostrando o tempo todo onde estão esses coletáveis. Alguns locais estão obstruídos pelo Blight e para purificá-los será necessário, novamente, fazer uso dos Sacred Treasures. Isso adiciona um elemento de exploração a mais, pois iremos adquirir esses itens conforme avançamos pela campanha principal, nos levando a sempre querer voltar em áreas anteriores para liberar todos os locais. Não só isso, mas esses tesouros também nos ajudarão a acessar áreas inacessíveis. Ainda ao avançar na história principal poderemos explorar os céus de Azuma usando um dragão como transporte e visitar ilhas opcionais. 

No aspecto visual Guardians of Azuma traz lindos gráficos em cel-shading e que colaboram para a imersão no Japão feudal. Cada uma das vilas tem suas estações bem destacadas, como as flores de cerejeira na Vila da Primavera e os tons mais alaranjados na Vila do Outono. A trilha sonora apesar de repetitiva também contribui para a construção da ambientação. Infelizmente o jogo peca pela falta de localização para nosso idioma o que pode afastar uma parcela dos jogadores.

Rune Factory: Guardians of Azuma

Rune Factory: Guardians of Azuma se consolida como uma evolução ambiciosa para a franquia. Ao apostar em uma ambientação inspirada no Japão feudal e em mecânicas que valorizam a liberdade do jogador, o título consegue renovar a série após o morno quinto capítulo. O ciclo de gameplay viciante, junto da exploração, gerenciamento de vilas e um sistema de relacionamentos orgânico, torna o jogo uma porta de entrada perfeita para novatos e um retorno triunfante para veteranos, entregando uma experiência revitalizante e difícil de largar.

Rune Factory: Guardians of Azuma está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2, Switch e PC sem legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Marvelous USA.

Veredito

Rune Factory: Guardians of Azuma chega como uma surpresa muito positiva e a renovação que a série precisava depois do quinto jogo. O sistema de gerenciamento mais dinâmico, mecânicas de RPG que funcionam e um sistema de vínculos mais robusto funcionam em perfeita harmonia conseguindo corrigir os tropeços do seu antecessor e oferecer uma experiência viciante, tanto para veteranos quanto para novatos.

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