Muitos jogos são marcantes no mundo dos videogames. Mas há aqueles que são considerados excelentes e que, mesmo mais de duas décadas depois, ainda servem de inspiração. Um desses títulos é Resident Evil 4. Crisol: Theater of Idols bebe tanto da fonte do jogo da Capcom que é difícil saber onde termina a inspiração e começa o plágio. Por sorte, não chegamos a esse ponto, mas é difícil não notar os vários elementos estabelecidos pelo clássico com Leon S. Kennedy.
Crisol: Theater of Idols é um survival horror em primeira pessoa, o título de estreia da Vermila Studios e ambientado no mundo de “Hispania”, uma Espanha fictícia. O jogador controla Gabriel, um soldado do Deus Sol que deve cumprir uma missão na ilha amaldiçoada de Tormentosa.
O início de Crisol: Theater of Idols é basicamente um “walking simulator”, sem combate algum e tentando introduzi-lo ao mundo do game. Somente na segunda ou terceira hora de jogo é que você realmente começa a sentir o gameplay.
Em Crisol, você não encontra caixas de munição da maneira convencional. Gabriel precisa usar seu próprio sangue como arma. Ou seja, a sua própria barra de vida serve também como munição. Mas fique tranquilo: além de seringas de sangue que podem ser usadas e armazenadas, há também animais (e até pessoas) mortas que você pode “sugar” e recuperar o líquido vermelho perdido.
Os inimigos não são zumbis, são estátuas macabras que se movimentam lentamente (como zumbis?), mas com passos drásticos. Ainda quanto ao combate, Gabriel pode usar uma faca para atacar e até mesmo aparar. Ela é gasta e é necessário afiá-la em motos estacionadas (use gasolina para a roda girar e afiar).
Sem entregar muito da trama, Gabriel acabará aceitando a ajuda de aliados que estão nessa ilha e possuem uma base. Assim, você segue para diferentes locais para encontrar indíviduos específicos que são basicamente o objetivo final de cada área.
Quando você começa a avançar, temos o estilo clássico de Resident Evil 4: observe o mapa (inclusive com a coloração indicando se você pegou todos os itens em cada ponto, da mesma forma que o remake de RE2 introduziu), solucione alguns puzzles de vez em quando e principalmente elimine as estátuas em seu caminho.
A inspiração em RE vai um pouco além de RE4 por conta de Dolores: é basicamente uma Lady Dimitrescu, Nemesis ou “Sra. X” (ao invés de Mr. X), digamos assim. Ou seja, um inimigo imortal que aparece em algumas seções, persegue o jogador e causa dano em você se alcançá-lo. Assim, não é possível fazer os puzzles em paz e é necessário pensar sob pressão.
Qual outro elemento que você se lembra bastante de RE4? O Mercador, é claro. E, sim, acredite se quiser mas existe um mercador aqui também – no caso uma bruxa que oferece upgrades e que se encontra em pontos do mapa com a sua loja.
Através de moedas coletadas por todo o canto e outros tipos de colecionáveis, você pode aprimorar Gabriel, assim como as suas armas (com estatísticas similares vistas em RE4, como dano e armazenamento da munição).
Crisol: Theater of Idols não é um jogo ruim – longe disso. Mas todo o seu mérito não vem de algo que tentou estabelecer ou criou. É claramente inspirado em um clássico do passado que chega quase a passar o limite do aceitável. O mercador, a ambientação, o mapa, inventário, sistema de upgrade, o perseguidor implacável… até fazer parry com a faca está aqui. São muitos elementos que acabam ofuscando outros que mereciam mais destaque por serem ideias originais e interessantes – como a munição e a vida serem algo compartilhado.
A munição, inclusive, é algo muito interessante compartilhar com a vida por dois motivos. Primeiramente, muitos jogadores evitam em Survival Horror gastar bala (afinal, nunca sabemos quando teremos munição de sobra novamente) – mas sabendo que haverá vida cedo ou tarde, não há essa preocupação tão forte. É claro, no nível de dificuldade mais avançado isso é uma conversa diferente (jogamos a campanha no Normal), mas jogando você entenderá o que quero dizer.
Já o outro ponto é que, dependendo da arma usada, como uma pistola ou shotgun, o sangue para a munição é maior ou menor – o que faz sentido. Então ainda há aquele risco de apostar tudo na shotgun e se arrepender depois, caso fique sem recurso.
Os gráficos de Crisol: Theater of Idols são muito bonitos e vale o elogio para os efeitos sonoros. Muitas vezes me deparei procurando de onde vinha um determinado efeito sonoro, fora que isso também ajuda a identificar que um inimigo está próximo.
No fim, recomendo fortemente Crisol: Theater of Idols para aquele jogador que gosta de RE4 (e Resident Evil como um todo) e quer experimentar algo com uma fórmula similar. Claro, é em primeira pessoa, vale lembrar, e não temos as habilidades de lutador de Leon (ou seja, esqueça chutes e suplex nos inimigos). Por outro lado, não temos a Ashley (mas temos a Dolores…).
Qualquer que seja a sua decisão, não espere uma experiência marcante e inesquecível como os clássicos da Capcom – mas não deixa de ser um jogo bom e divertido para passar o tempo.
Crisol: Theater of Idols está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Blumhouse Games.








