As franquias esportivas anuais como a F1, vez ou outra, sempre são questionadas pela pouca mudança perceptível entre uma versão e outra que vá além da atualização obrigatória e protocolar de elencos, uniformes, licenças e coisas do tipo. Recentemente, até mesmo interface, trilha sonora e outros elementos parecem ser mantidos praticamente inalterados ano após ano.
A pergunta óbvia é o motivo de, ao invés de lançar um jogo completamente novo, não ser melhor só uma atualização mais parruda, que adicione as novidades sem fazer com que a edição anterior se torne defasada e descartável. Ao que tudo indica, a EA está testando o terreno com o seu mais recente jogo baseado na Fórmula 1 e, pela primeira vez desde que a Codemasters assumiu a marca, recebemos não um novo-velho F1, mas sim uma expansão paga de conteúdo com o que há de novidade especificamente para esta temporada.

Se esta estratégia, como modelo de negócios, será bem-sucedida, o tempo irá dizer, mas fato é que a resposta para a pergunta de ser ou não possível está dada. Mesmo diante de uma das maiores e mais significativas mudanças de regulamento pelas quais o esporte a motor mais famoso do mundo passou do ano passado para este, a base se manteve sólida, enquanto as novidades se adequaram bem aos alicerces estabelecidos.
A atualização chamada de Pacote da Temporada 2026 (o que transforma o jogo, efetivamente, em um F1 26) traz as mudanças obrigatórias para esta temporada, porém, sem abafar a anterior. Isso significa, portanto, que é possível jogar, via campanha e em outros modos, com as regras e carros do ano de 2025, bem como os deste ano de 2026. Ao invés de atualizar para substituir, o conteúdo de fato se soma ao que veio antes.
Dentre as novidades, está o alinhamento de duas novas equipes no grid: a Audi (equipe do atual único brasileiro no campeonato, Gabriel Bortoleto) assumindo o lugar da antiga Sauber; e a Cadillac, primeira marca genuinamente estadunidense a chegar à categoria, trazendo obviamente seus pilotos oficiais (os experientes Valtteri Bottas e Sergio Pérez), bem como cores e patrocinadores.
Os outros times também passaram por algumas mudanças, todas já presentes na nova DLC: a Racing Bulls conta agora com Arvid Lindblad ao lado de Liam Lawson; e Isack Hadjar assume o disputado posto ao lado de Max Verstappen na Oracle Red Bull Racing. Por fim, há a inclusão do novíssimo circuito de MADRING, pista híbrida construída em Madri que passa a ocupar uma vaga no calendário da F1 a partir deste ano.

A maior e mais aguardada mudança, contudo, está nas alterações das principais estrelas do espetáculo, as máquinas. A dependência da fonte elétrica nunca foi tão presente, algo que aliás tem gerado polêmicas aqui, no mundo real. Em resposta, foram adicionados modos como o Overtake e Boost para o gerenciamento e melhor aproveitamento das baterias.
Em contrapartida, o temido clipping (a perda de potência em retas por falta de energia) agora é uma realidade, principalmente nos modos de dificuldade mais elevados, em corridas mais longas ou com assistências desligadas. Soma-se a isso a mudança na mecânica das asas móveis (tanto na traseira quanto na dianteira) bem como os carros significativamente menores, e a diferença na jogabilidade é, de certa forma, gritante.

Mesmo quem já havia deixado o jogo de lado nos últimos meses vai perceber a diferença em um elemento muito específico que tinha se provado um problema, que é a ocupação do espaço da pista, sobretudo na disputa por posições. Se a inteligência artificial ainda se mantém básica demais (e é difícil para os adversários perceberem e reagirem à nossa presença na pista), ao menos agora há mais recursos de manobra pelo simples fato de os carros estarem menores.
Quem joga nos modos single player sabe que muitas vezes, principalmente em circuitos de rua ou em trechos de baixa velocidade, dividir a curva pode ser um tormento capaz de destruir toda uma corrida, algo que não acontece, na maioria das vezes, jogando contra pessoas reais que também estão tentando evitar o choque a todo custo. Carros mais ágeis e responsivos significam maior competitividade, maior cálculo do risco e também maiores benefícios para manobras mais arrojadas. Parece pouco, mas neste jogo, faz toda a diferença.

Uma pena que os modos do jogo, incluindo o retorno do My Team, não conversem tão bem assim, ao menos por enquanto. Os carros desta atualização ainda não podem ser utilizados no multiplayer ranqueado ou no modo carreira cooperativo, da mesma forma que pilotos lendários não aparecem como opção em vários modos solo. Tudo parece ainda muito compartimentalizado, e possivelmente não é fácil lidar com o balanceamento competitivo em gerações diferentes.
Mesmo com estas limitações, porém, é impossível não abrir um sorriso de orelha a orelha ao ver cada novidade implementada funcionando sem inviabilizar a diversão, seja jogando de forma mais casual, seja levando a sério, renovando um jogo que poderia ficar escanteado por conta das mudanças significativas pelas quais o esporte onde se baseia está passando.

Sem grandes mudanças nos visuais ou na física, elementos que parecem ter alcançado o máximo da excelência permitido por esta geração, é o conteúdo mais robusto que faz a diferença nesta que é, sem dúvidas, uma das franquias licenciadas da EA mais sólidas da atualidade. Que seja uma tendência e não só uma exceção à regra dos lançamentos anuais, que já parecem despropositados depois de o Pacote de Atualização 26 provar que dá, sim, para quebrar a roda para tornar esse segmento mais sustentável do que o modelo atual.
EA SPORTS F1 25: Pacote da Temporada 2026 está disponível para PlayStation 5, Xbox Series e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela EA Sports.




