Análises

Resident Evil Requiem – Review

A série Resident Evil está realizando algo que muitas poucas séries nos jogos conseguem: uma sequência de ótimos lançamentos, sejam eles remakes ou inéditos. E Resident Evil Requiem não é diferente.

Resident Evil Requiem é uma mistura que dá certo. É aquele título que tenta agradar todo tipo de fã e existia um sério risco de não conseguir contentar nenhum no final, mas não é o caso aqui.

Resident Evil Requiem

A definição mais simples de RE Requiem é uma mistura dos melhores elementos de RE2 e RE4. A parte de RE2 seria com a Grace e, é claro, a de Leon lembra RE4.

A história de Requiem começa como você viu em todos os trailers: Grace, uma agente do FBI, deve investigar uma série de assassinatos que são de sobreviventes de Raccoon City. No entanto, ela não é a única: Leon também está checando a situação. Ambos acabam se encontrando em um determinado momento e devem encarar o misterioso vilão Victor.

O enredo é muito mais complexo que isso obviamente, mas o melhor a se fazer é você mesmo conferi-lo. No entanto, aqui entramos em um dos únicos pontos negativos deste review. A história é um bem agridoce: há momentos muito bons, assim como há outros péssimos. Admito que esperava bem mais do que foi entregue. É difícil explicar o que não me agradou sem abordar spoilers, mas o que posso recomendar é que não vá com tanta expectativa em relação à história.

Resident Evil Requiem

Por outro lado, o gameplay e tudo relacionado a isso funciona muito bem em Resident Evil Requiem. As partes com Grace e Leon são intercaladas (você joga um pouco com um e aí é levado a controlar o outro para, então, retornar ao primeiro; não são campanhas separadas como Leon e Claire em Resident Evil 2), mas cada um possui seu próprio inventário e armas.

Com Grace, Requiem acaba lembrando demais o remake de RE2. Não por conta do ambiente – a delegacia de Raccoon City, como você sabe pelos trailers está no jogo, mas não é isso a que me refiro. É a estrutura do gameplay que é similar: Grace possui um inventário e recursos limitados, de vez em quando há um perseguidor (stalker) imortal a seguindo, há puzzles a serem solucionados, áreas que você vai e vem enquanto explora por itens e documentos, e assim por diante.

Grace realmente passa um ar de alguém amadora, que está pela primeira vez em uma situação do tipo (lutando pela sua sobrevivência). Quem curtiu RE2 Remake é impossível não gostar do que a Capcom está oferecendo com a Grace em Requiem.

Resident Evil Requiem

Além das armas, Grace pode criar itens com o sangue dos inimigos. Além daqueles que você derrotou, há também sangue espalhado em baldes e no chão mesmo. Esse sangue, combinado com diferentes tipos de itens, geram outros mais importantes, como munição (não me pergunte a lógica disso). É uma mecânica interessante e que recompensa os inimigos que você decidir eliminar (ou seja, gastando recurso para isso).

Vale notar que o próprio jogo recomenda jogar em primeira pessoa com a Grace. Caso não esteja familiarizado, Requiem permite que você escolha jogar em primeira ou terceira pessoa. É possível trocar a opção a qualquer momento. Mas optei em terceira por todo o jogo e com ambos os personagens.

Realmente há algumas partes em que a primeira pessoa seria melhor, pois há momentos muito escuros que apenas a sua lanterna ilumina o caminho adiante (em primeira pessoa ficaria mais fácil ver isso). Mas quem gosta de jogar em terceira pessoa estará em casa, sem maiores problemas.

Resident Evil Requiem

Enquanto que com Grace você precisa ir com calma, cuidando dos seus recursos, desviando dos inimigos, solucionando puzzles e coletando chaves, com Leon é basicamente o contrário: é ação pura (no nível RE4 e não RE6, vale esclarecer). Leon já chega com um inventário com muitas armas e munição.

É notável a diferença do gameplay: além do inventário variado que citei, Leon tem muito mais espaço nele a ponto de nem precisar de um baú, enquanto que Grace possui um para armazenar os itens. Leon também oferece a possibilidade de usar seu machado, que é basicamente a mesma mecânica da faca em RE4 Remake. É um machado que gasta, mas você pode afiá-lo em momentos mais calmos. O machado permite finalizar oponentes, assim como realizar parries (aparadas).

Mas há uma coisa que não me agradou no gameplay de Leon em Requiem. Em Resident Evil 4, seja no remake ou no original, você podia atirar na cabeça do inimigo, ele sentia “dor” e abria a chance de dar um golpe físico nele, como um chute ou até mesmo o suplex. Em Requiem há algo similar, mas não é tão satisfatório quanto. Como a maioria dos inimigos são zumbis (e não ganados), eles acabam sendo “esponjosos”. Ou seja, você pode dar vários tiros na cabeça que ele ainda continuará vindo em sua direção e dificilmente abrirá a chance de dar aquele chute prazeroso. Não se engane: a mecânica está lá, mas é diferente de RE4 e isso talvez não me agradou muito.

Outro ponto importante do gameplay de Leon só acontece mais tarde no jogo. Não vou entrar em detalhes quando ou onde isso ocorre, mas matar inimigos fornece pontos (sim, exatamente o que você leu) que podem ser trocados por upgrades. É exatamente a mesma mecânica do mercador de RE4, mas com pontos ao invés de moedas de ouro e um computador em vez de um mercador sinistro.

Resident Evil Requiem

A campanha de Resident Evil Requiem possui uma duração na medida certa. O contador da PSN diz que joguei 14 horas quando cheguei ao seu final, enquanto que a tela de resultados acusou algo em torno de 11h. O motivo dessa diferença é que várias vezes testava algo que não valia a pena ser feito (e recarregava o save) ou ainda, quando morria, ao invés de continuar, recarregava o save novamente – assim a contagem in-game não ia adiante.

Os gráficos de RE Requiem e a sua trilha sonora, principalmente os efeitos sonoros, são excelentes. Tudo possui muitos detalhes, tornando o jogo muito imersivo. Sempre achei a RE Engine sensacional e aqui não é diferente.

Resident Evil Requiem

Um outro ponto negativo, no entanto (além da história que não curti muito), é a falta de modos extras. Basicamente, você só é incentivado rejogar a campanha ao terminar o game. Todo Resident Evil oferecia algo similar, mas ao mesmo tempo trazia opções variadas.

Sempre existe a chance da Capcom adicionar conteúdos pós-lançamento (inclusive gratuitos). Mas, no momento, esses planos (se existem) são desconhecidos e preciso analisar o que estará nas mãos dos jogadores no lançamento. Então, sim, Resident Evil Requiem só não levou uma nota perfeita por conta de alguns elementos da história e a ausência de modos extras.

Resident Evil Requiem

Por fim, recomendo fortemente Resident Evil Requiem para qualquer fã da série, principalmente se você gostou dos remakes de RE2 e RE4.

Requiem pode ser aproveitado se você nunca jogou um Resident Evil antes, mas entenda que haverá muitas referências (principalmente na história e quando estiver na Raccoon City destruída). Há elementos que fazem menção a quase todos os jogos da saga – até mesmo RE5 ou RE Village. Se não sabe por onde começar, tente jogar pelo menos o remake de Resident Evil 2 primeiro. Acredito que será um ótimo ponto de partida e já ajudará bastante na compreensão das coisas em Requiem.

Resident Evil Requiem está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC com dublagem e legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Capcom.

Veredito

Resident Evil Requiem é um excelente jogo, pegando os melhores elementos dos remakes de Resident Evil 2 e 4. O gameplay é ótimo, os gráficos são primorosos e a ambientação é fora de série. Os únicos pontos negativos são a história agridoce e a ausência de modos extras.

95

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo