Quando qualquer listagem ou premiação é divulgada para a indústria dos jogos já sabemos que haverá burburinho. Ser nomeado melhor do ano, principal título recente de um certo gênero ou principalmente o maior jogo da história é motivo mais do que suficiente para criar uma grande discussão que pode ou não chegar em alguma conclusão. Foi exatamente isso o que aconteceu quando a premiação Golden Joystick Awards 2021 elegeu Dark Souls o melhor jogo da história no ano passado.

Seja você aquele que acha isso um absurdo ou um dos que concordam, no fim, o resultado vai ser sempre o mesmo. As listas/premiações vão ser sempre divergentes e contraditórias para alguns, mas ainda assim apontar diversas relevâncias na indústria como um todo e enaltecer trabalhos de destaque, sejam recentes ou de longa data.

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É impossível negar o impacto que Dark Souls aplicou nos jogos desde o lançamento original em 2011. Com a FromSoftware entendendo o sucesso de Demon’s Souls e aprimorando a fórmula básica do jogo com diversas novidades, o título agora alcançaria um mercado ainda maior quando multiplataforma e seria a chance de enraizar a experiência como algo definitivo na indústria.

E foi exatamente isso o que aconteceu. Com mais de 27 milhões de cópias vendidas dos 3 jogos da série e remasterizações, o sucesso hoje vai muito além disso. A FromSoftware conseguiu ainda mostrar que era possível adaptar o estilo de jogo para outras visões, como aconteceu com Bloodborne, Sekiro: Shadows Die Twice e com o ainda não lançado Elden Ring. Além disso, títulos de outras desenvolvedoras que decidiram aplicar o estilo “souls” em seus jogos mostraram que é possível ter relativo sucesso, ainda que nem perto da desenvolvedora original, mas conseguiram entregando bons jogos como Lords of the Fallen, The Surge, Code Vein e outros.

Gosto de pensar que a premiação pela Golden Joystick Awards não necessariamente é pela existência única do jogo, mas sim por tudo o que veio depois dele. Só agora tendo jogado o primeiro Dark Souls de forma aceitável na versão remasterizada – apenas tinha conseguido jogar a versão original de PC que era tecnicamente horrível e intragável -, fica nítido que a representação para hoje é muito além do que foi lançado em 2011, mas sim de um legado imenso já existente e que passou pelo refinamento rigoroso de Demon’s Souls até a obra principal de Hidetaka Miyazaki.

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A premiação é só uma das formas de enaltecer isso, mas continuo não acreditando ser pelo jogo em si. Se cada um que ler este texto for montar uma lista dos seus 10 melhores jogos, vários não incluirão Dark Souls nela. Particularmente, Bloodborne hoje seria o único jogo da FromSoftware que eu consideraria colocar numa lista de melhores 20 ou 30 jogos que já aproveitei na vida. De toda forma, Bloodborne não existiria se Dark Souls não tivesse funcionado tão bem, mantendo um desafio ímpar para época, além de diversos pontos ainda persistentes, como mapas interligado, chefes únicos, narrativa subjetiva, estilo visual e sonoro de impacto e muito mais.

Ainda que não consiga colocar Dark Souls na minha lista, muitos o farão e terão diversos motivos para isso, com nenhuma lista podendo ser questionada. A experiência de ser um dos melhores jogos da sua vida pode depender de vários fatores e momentos que vão se alinhar para culminar nisso. Por exemplo, Chrono Trigger dificilmente será retirado do topo da minha lista exatamente pelo momento em que aproveitei o jogo, tendo descoberto um mundo de entretenimento eletrônico e caído de cabeça num dos jogos mais bem executados da história. Os títulos do top 3, top 10 ou top 50 de cada um sempre será algo particular demais para entrar em questionamento.

Dark Souls teve seu sucesso reconhecido pela premiação já destacada aqui, assim como diversos outros jogos já foram premiados de alguma forma e impactam a indústria até hoje. Gosto de pensar que há vários títulos com tamanha importância quanto à de Dark Souls e que são marcados na indústria com o mesmo peso, como os primeiros God of War, Metal Gear Solid, Resident Evil e vários outros. O título da FromSoftware não é um caso único e também digo que não é uma “revolução” ao todo, como muitos gostam de dizer. Ainda assim, faz parte de uma seleta lista de jogos que ditam o ritmo da indústria há bastante tempo e que ainda receberá mais e mais jogos assim no futuro.

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*A opinião apresentada no artigo é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a do PSX Brasil.