Análises

MIO: Memories in Orbit – Review

Publicado pela Focus Entertainment, MIO: Memories in Orbit já chega deixando claro que não é um jogo para quem quer algo rápido ou relaxante. Aqui a proposta do título desenvolvido pela Douze Dixièmes é te jogar num mundo lindo, misterioso e completamente em decadência, e te desafiar a explorar cada cantinho dele na base da tentativa, erro e persistência. Você acorda como MIO, um robô ágil, numa nave gigantesca chamada Nau, que mais parece um organismo vivo abandonado à própria sorte. Tudo é bonito, estranho e melancólico ao mesmo tempo.

MIO: Memories In Orbit

O visual é um dos pontos mais fortes do jogo. É difícil não parar de vez em quando só pra admirar os cenários. As cores são vibrantes, os fundos em aquarela dão um ar quase de pintura em movimento, e os ângulos e perspectivas deixam tudo com uma identidade artística fortíssima. Tem hora que parece que você está jogando dentro de um quadro ou de um anime experimental. É o tipo de jogo que dá vontade de tirar print o tempo todo.

Na jogabilidade, o estilo metroidvania é levado bem a sério. A Nau é enorme, e o mapa vai crescendo sem parar. Quando você acha que já viu bastante coisa, percebe que aquilo era só uma parte minúscula do todo. O backtracking é constante: você ganha uma habilidade nova, abre o mapa, lembra de uns três ou mais lugares que estavam inacessíveis antes. Isso pode cansar quem não gosta desse tipo de progressão, mas ao mesmo tempo é exatamente isso que dá aquela sensação deliciosa de descoberta. Use e abuse dos marcadores no mapa, sinalisando onde há caminhos ainda não explorados, chefes que talvez ainda sejam difíceis demais, entre outras situações que você achar relevante marcar.

MIO: Memories In Orbit

E falando em descoberta, o jogo exige que você preste muita atenção em tudo. Existem passagens secretas pra todo lado, algumas bem óbvias, outras extremamente bem escondidas. Um detalhe diferente na parede, uma plataforma suspeita, um espaço que parece “vazio demais”… quase sempre tem algo ali. E muitas dessas áreas escondidas trazem recompensas que realmente fazem diferença no gameplay, seja em upgrades, seja em modificadores para as habilidades de MIO.

Cada um desses upgrades é importantíssimo e sempre desbloqueia novos caminhos. Para aprender essas novas habilidades, o estilo visual do jogo muda por um breve período, como se MIO entrasse em um minigame, e você precisa alcançar o final da fase para obter esses novos poderes. Ah, e ainda falando em upgrades, nunca deixe de conferir a loja da MEL com certa frequência: ela oferece itens interessantíssimos em troca de madrepérola, a moeda do jogo.

MIO: Memories In Orbit

Agora, não dá pra falar de MIO: Memories in Orbit sem falar da dificuldade. O jogo é difícil, sem dó. As lutas contra chefes são intensas e você vai morrer. Muito. Vai refazer a mesma luta várias vezes até aprender padrões, tempos de ataque e como usar melhor suas habilidades. Isso pode ser extremamente estressante, principalmente se você não estiver num bom dia. Mas ao mesmo tempo, a sensação de finalmente derrotar um chefe depois de apanhar por horas (não, eu não estou exagerando) é maravilhosa.

Se o stress for demais, explore um pouco o mapa para respirar um pouco. Talvez seja hora de verificar novamente aqueles lugares pelos quais você não conseguia passar um tempo atrás. Há itens escondidos, alguns que podem não te ajudar diretamente, mas ao menos trarão informações interessantes sobre os personagens e sobre o passado da Nau, no formato de cartas e arquivos. E quem sabe você não encontra algo que abrirá novas passagens?

MIO: Memories In Orbit

O combate é bem dinâmico, com uso de gancho, clones, projéteis, escudo e habilidades que podem ser personalizadas. O sistema de modificadores é um charme à parte, porque permite adaptar MIO ao seu estilo: mais ofensivo, mais defensivo, mais móvel, mais tático. Isso deixa o jogo muito mais profundo e dá vontade de testar várias builds diferentes.

Além de tudo isso, existem opções no menu de assistências que deixam o jogo mais fácil pra quem não está em busca de tantos desafios e prefere focar na história e em um avanço mais constante. É possível deixar os chefes mais fracos depois de cada vez que MIO os enfrenta, e até mesmo tornar os outros inimigos mais pacíficos, de modo que só ataquem se forem atacados antes. Uma terceira opção permite que MIO receba uma camada extra de proteção quando fica no chão por alguns segundos.

MIO: Memories In Orbit

É impossível não lembrar de Hollow Knight e Ori enquanto joga MIO: Memories in Orbit. Esses jogos, inclusive, junto com Elden Ring, foram referenciados pelos próprios desenvolvedores em uma comparação no X. A atmosfera melancólica, o foco na exploração, o mapa gigante, a dificuldade, a fluidez do movimento… tudo remete a essas franquias. Só que MIO consegue ter personalidade própria graças à sua estética artística e ao seu universo sci-fi orgânico, misturando tecnologia com natureza.

E o mais perigoso de tudo: o jogo é viciante. Daqueles que você fala “só mais cinco minutinhos” e quando vê já se passou uma hora. Sempre tem mais um caminho pra explorar, mais uma habilidade pra testar, mais uma área que ficou pra trás. Ele te puxa pra dentro da Nau e simplesmente não solta.

MIO: Memories In Orbit

No geral, MIO: Memories in Orbit é um jogo desafiador, lindíssimo e profundamente envolvente. Não é perfeito: a dificuldade elevada e o excesso de backtracking podem afastar alguns jogadores, e o estresse nas lutas contra chefes é real. Mas pra quem curte metroidvania de verdade, é um prato cheio.

MIO: Memories in Orbit está disponível para PS5, Xbox Series, Switch, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Focus Entertainment.

Veredito

MIO: Memories in Orbit tem um visual espetacular, mundo gigantesco, atmosfera única e gameplay viciante. Ele exige paciência e persistência, e nem todo mundo vai aguentar a dificuldade ou o backtracking constante. Mas quem entra no clima encontra uma experiência profunda, artística e memorável, que facilmente se coloca ao lado de grandes nomes do gênero.

95

Bruno Ribeiro

Jornalista por formação, professor de inglês por ocupação (e por amor), e escritor já há mais de 20 anos, mas que só agora tomou vergonha na cara e resolveu se dedicar mais a essa área, publicando alguns trabalhos e escrevendo sobre jogos, uma de suas grandes paixões.

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