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Análise – Table of Tales: The Crooked Crown

Análise

NOME: Table of Tales: The Crooked Crown
FABRICANTE: TinMan Games
PLATAFORMA: ps4
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: TinMan Games


LANÇAMENTOS
16/04/2019 16/04/2019 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço Necessário: 3.01 GB
Legendas em PT-BR: Não
Dublagem em PT-BR: Não
PlayStation VR (obrigatório)
PlayStation Moves (obrigatório)
PlayStation Camera (obrigatório)


Algo que certamente marcou a minha infância foram os jogos de tabuleiro e os RPGs de mesa. No início, era apenas um pequeno hobby para passar o tempo com meus amigos durante um sábado chuvoso. Mas não demorou muito para se tornar algo sagrado para nós, com dias dedicados unicamente para sentir ódio, alegria e frustração. Tal paixão é um dos principais motivos de ter me divertido tanto com Table of Tales: The Crooked Town. Um RPG de mesa desenvolvido exclusivamente para o PlayStation VR e pelas talentosas mãos da TinMan Games.

A premissa “inicial” do jogo tem início quando você herda uma misteriosa mesa de sua falecida tia. Ao interagir com o móvel, magicamente sua superfície assume a forma de um oceano, e você é surpreendido por um pequeno pássaro falante que se apresenta como Arbitrix. Ele é o guardião da mesa e, assim como fez há muito tempo atrás com a sua tia, convidará uma aventura épica em que a direção será dada unicamente por você.

Sob o papel de narrador e “mestre” da mesa de RPG, Arbitrix nos apresenta à história de Hammer, Horatio, Nuna e Thomas, 4 piratas que por conta de um determinado evento, acabam virando heróis da nação em que vivem. Após algum tempo vivendo em meio à fama, o pequeno grupo acaba presenciando o assassinato do rei e são, consequentemente, incriminados pelo ato. Sem alternativa a não ser fugir, os nossos heróis então partem em uma nova aventura através dos sete mares, para limparem os seus nomes e levar a justiça ao real culpado do crime.

A história é bem escrita e consegue encontrar espaço para desenvolver não só as personalidades como também o passado de cada um dos nossos heróis. Ao longo da narrativa, o jogador tem um papel fundamental, uma vez que é o responsável por tomar escolhas que afetam diretamente o curso de sua jornada. Existem múltiplas rotas a serem vistas, cada uma oferendo novas subtramas, desafios e recompensas, garantindo assim um excelente e diversificado fator replay.

Em alguns momentos é necessário definir o personagem mais adequado para realizar uma certa atividade, como girar uma manivela ou vasculhar um corpo. Uma vez escolhido, é preciso atirar três dados e, com base na soma de seus números, sofreremos consequências positivas ou negativas (podendo até mesmo ocasionar a morte de um dos personagens). Tal mecânica é totalmente bem-vinda, uma vez que adiciona o fator da imprevisibilidade ao game, tornando-o ainda mais próximo de um verdadeiro RPG de mesa.

Conforme o enredo é contado, a mesa à nossa frente materializa em tempo real o cenário em sua superfície, desde os mais altos castelos às mais escuras masmorras. A sensação de ver tantas formas, lugares e ambientes brotando e criando vida na superfície da mesa é fantástica e rapidamente esquecemos que estamos em um sótão, que por sua vez, está dentro de uma realidade virtual.

Algo que foge um pouco do comum é que, assim como qualquer um mediando uma sessão de RPG, Arbitrix é o responsável por interpretar as falas de todos os personagens que aparecem na aventura. Isso rende alguns momentos engraçados e descontraídos dele tentando realizar certas vozes. Tudo isso não seria possível sem atuação de sua dubladora que confere ao pássaro muita personalidade. Infelizmente, o jogo não se encontra disponível com áudio ou legendas em português do Brasil.

O combate por sua vez assume a forma de um RPG estratégico, sendo que no decorrer de diversos turnos devemos movimentar nossos personagens à fim de cumprir um objetivo específico. A jogabilidade é simples, prática e intuitiva: durante seu turno, o jogador pode manipular seus heróis como peças de um jogo de xadrez, graças ao auxílio de um par de PS Moves (o jogo infelizmente não oferece suporte para o DualShock 4). Ações como ataques, magias ou movimentos de suporte por sua vez, podem ser realizadas através de uma seleção de cartas, exibidas ao selecionar alguma de suas unidades. Para atacar, por exemplo, basta escolher a carta que corresponde ao ataque desejado e posicioná-la acima da unidade alvo.

No início de cada turno, cada membro do time aliado recebe uma quantidade de pontos de ação, que podem ser investidos em atividades ofensivas ou defensivas. Não existem turnos específicos para atacar ou se movimentar, sendo totalmente possível intercalar estas duas ações enquanto existirem pontos de ação para serem gastos. As habilidades são bem variadas e podem consumir de 1 a 3 pontos de ação do personagem em questão, sendo diretamente relacionadas à classe dos nossos heróis.

Hammer, por exemplo, é uma bárbara capaz de realizar ataques físicos devastadores que podem infligir sangramento aos adversários. Já Horatio é um astuto ladino, útil no combate um contra um e com habilidades focadas em mobilidade. Thomas por sua vez é o alquimista do time, e além de realizar ataques à distância com seu rifle, pode criar poções que garantem benefícios aos aliados. E por fim temos Nuna, a Maga do time, que graças ao seu vasto leque de magias pode virar qualquer situação a favor do jogador.

A movimentação é semelhante aos jogos da série X-COM, em que cada personagem pode se mover por uma certa quantidade de “espaços” pelo cenário. Caso o jogador deseje, é possível gastar pontos de ação para ir além desse limite pré-estabelecido, adicionando mais um elemento tático indispensável ao jogo. Graças a isso temos maior presença no mapa, o que é essencial para certos momentos que demandam melhor posicionamento.

Algo que deixa muito a desejar é a péssima inteligência artificial. Mesmo em níveis mais elevados de dificuldade, a máquina não consegue criar pressão suficiente para preocupar o jogador. São raros os momentos em que é necessária uma abordagem mais estratégica, sendo possível vencer a maioria dos conflitos apenas abusando da força bruta. Além disso, falhar durante um combate não implica necessariamente no fim de sua jornada: o game automaticamente carregará o último save, e você repetirá o confronto instantaneamente.

O sistema de nível em Table of Tales: The Crooked Crown é bem simplificado e temos algo completamente diferente do visto em outros jogos do gênero. Ao final de cada combate, devemos escolher uma habilidade, ou atributo, dentre três disponíveis para ser aprendida ou melhorada por cada um de nossos personagens. Dessa forma, mesmo os jogadores não chegados ao gênero de RPG são capazes de se divertir com o game de forma casual, sem ter dificuldade em entender mecânicas desconhecidas e complexas.

O jogo ainda vem acompanhado de um divertidíssimo modo multiplayer local com suporte para até 4 pessoas. O jogador com o PlayStation VR torna-se o vilão enquanto que os outros ficam no time dos heróis (é possível escolher qual personagem você deseja controlar). O objetivo é simples: o vilão é o mestre de um labirinto e deverá instalar armadilhas e enviar monstros para deter os mocinhos, enquanto estes devem buscar o esconderijo do vilão antes que ele os derrote. Vale lembrar que o jogador utilizando o Headset pode ver os mocinhos, porém eles não tem visão de onde o vilão está escondido. É um interessante jogo de esconde-esconde que rende divertidíssimas jogatinas com os amigos.

Veredito

Table of Tales: The Crooked Crown é um jogo que funciona como um bom exemplo de que ainda existe muito potencial a ser aproveitado pelos desenvolvedores no PlayStation VR. É um título obrigatório para os donos do headset, fãs de RPG ou board games.

Jogo analisado com código fornecido pela TinMan Games.

90%