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Análise – Dragon Star Varnir

Análise

NOME: Dragon Star Varnir
FABRICANTE: Idea Factory / Compile Heart
PLATAFORMA: ps4
GENERO: RPG
DISTRIBUIDORA: Idea Factory International


LANÇAMENTOS
14/06/2019 14/06/2019 11/10/2018


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Troféus (inclusive Platina)
Nº de Jogadores: 1
Espaço Necessário: 8,42 GB
DLC
Dublagem PT-BR: Não
Legendas PT-BR: Não


Dragon Star Varnir é o novo RPG da linha Galapagos da Compile Heart/Idea Factory que também produziu jogos como Fairy Fencer F, Dark Rose Valkyrie, entre outros. Tais jogos, Varnir incluso, tem uma premissa interessante, sistemas de batalha por turno que tentam se diferenciar dos demais no gênero e uma produção bastante modesta. São títulos que atendem muito bem a um nicho de jogares e com certa consistência em sua qualidade e, felizmente, Dragon Star Varnir é uma boa adição a linha.

A história se passa em um mundo em que bruxas e dragões existem, sendo que ambos são caçados por diferentes grupos de humanos. As bruxas carregam um dragão dentro de si que é a fonte de seus poderes mágicos, mas também age como uma maldição. Elas devem consumir a carne de outros dragões, alimentando seu dragão interno até que ele nasça, porém o nascimento acaba por matar a bruxa no processo. Caso se recusem a comer carne de dragão, elas enlouquecem. Essa maldição é um dos temas centrais da história e também de algumas mecânicas de jogo.

Zephy, o protagonista, é um cavaleiro que participa das caças às bruxas até que ele sofre um ferimento fatal por um dragão. Duas bruxas, Minessa e Karikaro, resolvem socorrê-lo para que ele possa ajudá-las a resgatar uma amiga que foi capturada pelos cavaleiros. Devido ao estado crítico de Zephy, elas optam por utilizar sangue de dragão para tentar socorrê-lo e isso acabou por fazer com que ele desenvolvesse poderes mágicos e se torna-se, portanto, um bruxo.

Zephy eventualmente se junta ao grupo de bruxas, tendo que lidar com sua nova realidade, tornando-se um dos inimigos que jurou caçar, possuir poderes mágicos e ainda ter que lidar com a maldição decorrente dos mesmos. A narrativa, inicialmente, trata bastante de temas como confiança, lealdade e família fazendo com que o grupo de personagens seja bastante interessante. Infelizmente, a consistência da narrativa não se mantém durante todo o jogo com alguns trechos e resoluções bastante apressadas e que poderiam ter se tornado momentos memoráveis na jornada. O resultado final é bom, mas também passa a impressão de uma experiência que poderia ser drasticamente melhor com algumas mudanças.

Vale ressaltar que o desenrolar da história depende de algumas escolhas e ações do jogador e que acompanhei apenas um dos finais possíveis. O grupo de personagens principais têm uma mecânica de loucura que se enche a cada vez que o jogador faz uma escolha “ruim” ou quando a equipe é derrotada em batalha e, em meu jogo, procurei manter esse medidor o mais baixo possível. Felizmente, é possível controlar essa mecânica, pois as escolhas (pelo que percebi) fazem pouca diferença na narrativa e é possível salvar seu progresso a qualquer momento, evitando as consequências de sua equipe ser derrotada.

Outra mecânica, mais interessante e também mais frustrante, envolve cuidar das irmãs menores das bruxas. É necessário alimentá-las com carne de dragão, senão elas podem enlouquecer e abandonarão a vila onde Zephy e as demais bruxas vivem. Porém, caso as alimente-as demais, o dragão dentro delas nascerá e elas morrerão. Em qualquer um dos dois casos, elas se tornarão uma espécie de chefe opcional no mundo caso não sejam bem tratadas. Essa é uma mecânica mais difícil de administrar, pois não é explicado qual elemento do jogo controla a fome delas (tempo de jogo, número de batalhas, tempo de exploração, etc.), portanto, o jogador deve periodicamente verificar o estado delas. Efetivamente, isso me fez acelerar o andamento da história, pois caso demorasse demais elas morreriam.

A jogabilidade do título consiste inteiramente em batalhar e explorar os diferentes ambientes espalhados pelo mundo como florestas, desertos, ruínas, etc. A vila onde as bruxas e Zephy vivem serve como área central para comprar itens e equipamentos, cuidar das pequenas bruxas e melhorar seu relacionamento com as demais bruxas. Os ambientes exploráveis são bastante simples e com alguns tesouros para serem obtidos, sendo possível utilizar de habilidades únicas de cada personagem para abrir alguns caminhos alternativos. A exploração não é particularmente envolvente já que o mapa entrega todos os detalhes logo de cara, mas faz bem seu papel no jogo.

As batalhas, por sua vez, acontecem no ar com a possibilidade de se posicionar em três altitudes diferentes, sendo que cada altitude tem seus quadrados para posicionamento dos personagens e inimigos. A batalha ocorre por turnos, sendo que os personagens podem realizar ataques físicos e mágicos, transformações, suporte e muito mais. É um sistema simples, mas funcional. Existem alguns ataques que dependem do posicionamento e permitem algumas estratégias interessantes, mas dificilmente se tornam estratégias úteis em combate.

Fora das batalhas, é possível definir até cinco habilidades de cada categoria (ataque físico, ataque mágico, devorar e habilidades passivas) contanto que não ultrapassem o limite de 20 pontos. Isso evita que o jogador consiga criar uma equipe excessivamente forte e o força a tomar decisões sobre qual papel de cada personagem em combate e qual estratégia será priorizada. Para se obter habilidades, é necessário devorar seus inimigos em combate, matando-os instantaneamente se bem-sucedido. Toda vez que um novo tipo de inimigo é devorado, seu núcleo vira uma espécie de rede que possuí diferentes habilidades e melhoras permanentes de parâmetros que podem ser adquiridos. Portanto, quanto mais variedade de dragões seus personagens devorarem, melhor.

Dragon Star Varnir é um jogo consistente em termos de história e mecânicas, no entanto, ele nunca realiza o potencial que demonstra ter. A história tem algumas resoluções que deveriam ter sido melhor desenvolvidas para serem satisfatórias e isso acaba afetando o jogo como um todo. Vilões simplesmente somem, personagens perdem a motivação de seus atos repentinamente e por aí vai. As batalhas, jogando na dificuldade alta, oferecem um bom desafio, mas a mecânica de devorar acaba por funcionar como um botão de vitória instantânea. São pequenas coisas que afetam o produto como um todo.

Veredito

Dragon Star Varnir demonstra que a Compile Heart/Idea Factory tem desenvolvedores com grandes idéias, mas sem os recursos para torná-las completamente realidade. É um bom jogo, mas que passa a impressão que poderia ter sido excelente caso seu potencial tivesse sido completamente aproveitado.

Jogo analisado com código fornecido pela Idea Factory International. 

75%