Em termos de coletânea de jogos retrô, Super Bomberman Collection é um caso exemplar que trata o passado com o mesmo cuidado de apresentação de um museu.
Primeiro, é bom deixar claro que o pacote se concentra nos títulos que saíram no 16-bits da Nintendo. São cinco jogos, lançados anualmente entre 1993 e 1997, sendo que os dois últimos não tiveram lançamento fora do Japão: agora, pela primeira vez, Super Bomberman 4 e 5 recebem versões oficiais norte-americanas e europeias. De bônus, o conjunto ainda traz dois títulos do NES, que, hoje, são mera curiosidade histórica para compararmos a progressão da série desde a década de 1980.
Portanto, esta coleção não engloba jogos lançados para outros consoles da época, como o de Mega Drive, os de Nintendo 64 e o elogiado título de Sega Saturn (fica a torcida para uma nova coleção!).

Os cinco títulos principais tiveram excelente tratamento. Não, não foram refeitos, retocados ou modificados. São os mesmíssimos jogos de 30 anos atrás, mas alguns pontos de qualidade de vida foram adicionados: salvar a qualquer momento e função de retroceder. Hoje em dia isso é básico, certo? Então vejamos o multiplayer.
Enquanto as campanhas podem ser jogadas sozinhas ou em dupla (com exceção do solitário Super Bomberman 2), os modos versus do quinteto vão além: no SNES, o quinteto era compatível com o Super Multitap, acessório desenvolvido pela própria Hudson para acompanhar Super Bomberman e permitir que até cinco pessoas jogassem partidas umas contra as outras.

Igualmente, a coletânea trouxe a opção de um a cinco oponentes, mas é bom notar que o PS5 só aceita a conexão de até quatro controles, limitando a jogatina a essa mesma quantidade de jogadores. Quem quiser que a partida tenha um quinto elemento terá que deixar o papel a cargo da CPU, de forma que, sinceramente, não acho que haja uma perda relevante. Por outro lado, o multijogador é inteiramente local, deixando passar a oportunidade de modernizar a experiência e oferecer algum tipo de modo online.
Em termos de gameplay, a maior novidade está em um modo extra: uma boss rush para cada um dos jogos. Disponível logo no início, sem burocracias, é uma boa adição.
E a apresentação de museu de que falei? É algo que logo salta aos olhos, feito com muito cuidado para celebrar e preservar a origem desses jogos. Começa com o fato de que a seleção de jogos é feito por meio de modelos tridimensionais dos cartuchos de SNES e Super Famicom.
Com um toque de botão, mudamos para a caixa do produto original, que podemos “manusear” para ver em detalhes por todos os ângulos. Fechando o conjunto, temos os cinco manuais digitalizados, disponibilizados para nos dar mais informações sobre seus jogos, nos fazer sentir saudades desses livrinhos e, ainda, para pensar em como a materialidade dos jogos aprofundava as experiências em uma época em que boa parte dos games em si era muito simples.
Ainda não acabou: há uma galeria de mais de 200 imagens restauradas (ficou a falha de não podermos navegar entre as imagens abertas, sendo preciso fechar uma para selecionar outra pelo menu de miniaturas) e a s cinco trilhas sonoras em boa qualidade, além da opção de salvar uma playlist com nossas favoritas.

Os jogos são também exemplares de uma época mais direta, sem enrolação, em que bastava pegar o controle, aprender o básico e captar o resto enquanto jogava. É simples: há um labirinto com obstáculos e inimigos, e precisamos posicionar bombas que explodem em cruz para detonar tudo o que vemos enquanto tentamos não nos explodir também no processo. Cumprido o objetivo, passamos para a próxima fase.
Como as campanhas de quase todos têm modo cooperativo, fica mais divertido e mais arriscado de, se não prestar atenção, acabar encurralado pelas bombas do amigo. As arenas são bastante quadradas no primeiro jogo e, a partir do segundo, elas ganham algumas nuances para variar um pouco o layout.
Mesmo assim, há um limite para o que se pode fazer em uma tela única com visão de cima, então espere mudanças, mas não surpresas de um jogo para o outro. A maior exceção é Super Bomberman 2, que adotou cenários ligeiramente mais amplos, com tamanho em torno de duas telas e design de puzzles. Não sei dizer se foi a rolagem de tela que impediu a Hudson de colocar uma campanha cooperativa nesse título, mas o fato é que o formato foi abandonado e a trinca de jogos seguintes voltou ao estilo original: tela única para jogar em dupla.

É possível dizer que esses jogos, lançados anualmente, trazem um mais do mesmo confortável, prático e divertido, mas jogar todos na sequência vai depender da motivação de quem tem o controle na mão. Uma mudança interessante é que, a partir do terceiro título, encontramos montarias que podem pular obstáculos, dando uma renovada na dinâmica.
O sistema de vidas limitadas permanece intacto, mas não há limites para os continues, de forma que sempre podemos continuar tentando as fases do começo e usar o salvamento manual a nosso favor, provendo um desafio equilibrado.
O modo “mata-mata” continua sendo muito divertido e é fácil entrar na brincadeira até para quem nunca jogou um Bomberman. Nesse ponto, a Collection tem mais uma adição simples e eficiente na apresentação das mecânicas: cada um tem seu próprio manual de itens, explicando em português brasileiro o que eles fazem. Isso é útil, pois o jogo propriamente dito só provê os ícones, sem nem um nome que esclareça de forma direta o que os power ups fazem.

Somando ainda as molduras ilustradas, os diferentes formatos de tela e as novas versões norte-americanas e europeias de dois jogos que nunca saíram do Japão, temos um bom pacote que sabe como resgatar e valorizar títulos do passado.
Super Bomberman Collection está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2, Switch e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Konami.




