Cinco anos após o lançamento de Returnal, que marcava a estreia da Housemarque na nova geração, volto aqui para falar um pouco de Saros, o novo jogo que traz no sangue os elementos de Resogun e, claro, diversas melhorias e muito mais profundidade em comparação ao primeiro título do estúdio para PlayStation 5.
Assim como em Returnal, os trailers de Saros foram apresentados com muito suspense, sem revelar muitos detalhes sobre o que o jogo iria trazer para o jogador. O gameplay, por sua vez, se mantém o mesmo do que foi apresentado no título anterior do estúdio, com algumas melhorias explicadas pela própria Housemarque e que tornam o slogan do título ainda mais impactante: Retorne mais forte.
Levei cerca de 15 horas para terminar Saros, e devo dizer que, embora tenham sido horas “sofridas”, o jogo me surpreendeu positivamente em diversos aspectos, inclusive na história, que é um quesito de extrema importância pra mim.

Saros narra a história de uma tripulação conhecida como Echelon IV, enviada para um planeta chamado Carcosa pela Soltari, uma empresa que visa a coleta de Lucenitas (um material raro e extremamente caro) para levar de volta à Terra e, posteriormente, ser comercializado de alguma forma para enriquecer a empresa.
As coisas, no entanto, saem um pouco do controle, e a missão da tripulação acaba indo muito além de minerar Lucenitas para a Soltari, sendo necessário também encontrar os tripulantes de outras expedições que acabaram desaparecendo. E é aí que você, no papel de Arjun, acaba saindo para explorar os perigosos biomas de Carcosa, que traz uma atmosfera horripilante e tensa.
Embora pareça confusa de início, a história de Saros vai se montando aos poucos, como um quebra-cabeça. Ao contrário de Returnal, por exemplo, que mesmo após diversas runs as coisas pareciam não fazer sentido, aqui tudo vai se encaixando perfeitamente e você vai sentindo a história se desenrolar de forma muito dramática. Muito mais do que isso, Saros consegue emocionar e ainda traz reflexões reais sobre a vida, aumentando ainda mais a imersão do jogador no mundo de Carcosa.
Outro ponto muito interessante em Saros é a interação com os tripulantes. Ter outros humanos envolvidos na trama faz com que você não se sinta tão abandonado e sozinho num mundo desconhecido, além de trazer aquela sensação de “acho que estamos no mesmo barco aqui”, mesmo sabendo que não estão.

Assim como qualquer jogo do gênero, Saros muda a disposição dos cenários a cada run. Mas não se preocupe, você jogará muitas vezes todos os biomas a ponto de decorar rapidinho os caminhos, mesmo que eles mudem. E eu não digo isso porque você vai ser obrigado a jogar tudo caso morra, mas sim porque é divertido e viciante.
E por falar em repetição, devo dizer que a Housemarque fez a lição de casa e trouxe uma experiência muito mais justa e balanceada para Saros. Mesmo que você morra em determinado chefe, portais estarão disponíveis para que possa voltar exatamente para o bioma em questão, sem a necessidade de encarar tudo de novo. Claro que a diversão está em explorar tudo e aumentar a proficiência de suas armas para tornar as batalhas mais divertidas e menos sofridas, mas ter a escolha de fazer isso ou não, torna o jogo ainda mais dinâmico e inclusivo para os jogadores.
Para ajudar aqueles que estão passando raiva com as repetidas mortes, Saros traz alguns aprimoramentos permanentes que podem ser feitos na base, tornando o jogo muito mais fácil. Porém, para aqueles jogadores hardcore que estão achando tudo muito “molezinha”, é possível equilibrar tudo isso com um recurso de benefícios e malefícios, onde você pode configurar o gameplay de diversas formas, tais como dar mais dano aos inimigos ou ser resistente a determinado tipo de golpe, ou até mesmo desativar a segunda chance e aumentar o dano causado pelos inimigos. As opções são inúmeras.
Saros é bem divertido e viciante por si só, ainda mais com sistemas que tornam cada run única. No entanto, senti falta de um modo extra para “brincar” após zerar o jogo. Você ainda precisa coletar todos os áudios e textos pelos biomas, o que te obriga a voltar para esses lugares, mas ainda assim, seria bacana ter algo diferente adicionado ao título para desafiar os jogadores. Quem sabe um modo multiplayer, assim como fizeram em Returnal?

Saros foi desenvolvido pensando também no PS5 Pro, o que garante gráficos ainda mais detalhados e cheios de cores. Durante meu gameplay, não tive nenhuma queda de frames ou bug. Tudo fluiu muito bem, mesmo com diversos elementos na tela. As únicas críticas vão para o design dos rostos dos personagens, que lembram muito Mass Effect e aqueles modelos olhando para todos os lugares aleatórios do cenário, menos para você, causando uma estranheza durante os diálogos; além das CGs, que lembram aquilo que foi feito em Far Cry 6, onde os gráficos mudavam para um estilo “filme” e quebravam a imersão do jogador no jogo. Espero que eles melhorem isso numa atualização futura, porque é bem incômodo esse impacto imediato na qualidade gráfica.
E já que mencionamos o gameplay, é bom ressaltar que Saros é extremamente divertido e dinâmico. Existem diversos tipos de armas, sendo algumas delas do mesmo modelo, mas com diferentes estilos de disparo. Caso queira alcançar 100% de aproveitamento no jogo, será necessário jogar com todas por um bom tempo até desbloquear o banco de dados. Todas são boas, mas confesso que a minha favorita foi a Besta que, segundo a própria Housemarque, está “bufada” nesse acesso antecipado, mas sofrerá um patch de balanceamento no lançamento.
Além das armas temporárias que podem ser encontradas nas runs, Arje também conta com habilidades permanentes para explorar os mapas. Ao longo da sua aventura pelos biomas, novas possibilidades vão se abrindo na sua frente. O que facilita aqui é que o mapa é bem fácil de entender com o tempo, sendo possível identificar os caminhos secundários do principal. Saros traz também diversas opções de acessibilidade, garantindo que todos os públicos sejam capazes de reconhecer o que está acontecendo no meio do caos.

Eu adoro jogos do gênero roguelite que trazem um tipo de facilitador para os jogadores não se frustrarem. Olhando hoje para Returnal após ter jogado Saros, percebo que me “emocionei” no review e dei uma nota além da que ele merecia. Não existia uma história coerente, o gameplay era difícil e um pouco frustrante, além disso, não havia nada que você pudesse fazer para aliviar aquela dificuldade. Saros é totalmente o oposto disso.
Saros é um colírio para os olhos e prova que a Housemarque fez a lição de casa ao torná-lo acessível para todos, ao mesmo tempo que mantém a experiência como deve ser. A história é ótima e se encaixa aos poucos, passando a fazer sentido conforme o quebra-cabeça vai sendo montado. Nada de jogar apenas pelo caos, aqui você joga para entender um pouco mais da vida de Arjun e como isso impacta a tripulação.
Embora continue achando que Saros ainda precise de alguns modos extras para se manter vivo por mais tempo, ele é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogos de PlayStation 5.
Saros está disponível para PS5 com legendas e dublagens em português do Brasil. Esta análise foi realizada com um código fornecido pela Sony Interactive Entertainment.



