Exatamente cinco anos após Little Nightmares 2, a Tarsier Studios introduz uma nova propriedade intelectual baseado em um template já muito conhecido pelos fãs da companhia. De imediato, percebe-se que REANIMAL não parece destoar muito dos trabalhos pretéritos da desenvolvedora sueca. Embora herde o DNA visual de Little Nightmares, o novo jogo mergulha em um horror ainda mais visceral e soturno.
Ainda que traga características comuns ao visto no passado, REANIMAL se distingue pela sua escala. Ao passo que em Little Nightmares, muitas das vezes o gameplay transcorria em cenários mais restritos e fechados, o novo jogo da Tarsier introduz ambientes vastos e um mundo mais aberto.
Não se trata de um típico jogo open world, visto que sua estrutura ainda é essencialmente linear, mas há aqui maior margem para exploração e estímulo ao imaginário do jogador. A maior escala de seu universo permite a construção de um lore mais profundo, especialmente pelo fato do jogo abusar de elementos de comunicação visual.
Neste universo construído pela Tarsier, há a constante presença de “linhas invisíveis” que destacam os pontos de interesse, sejam aqueles que contribuem para uma narrativa sutil ou que conduzem ao próximo destino do seu objetivo. Nesse quesito, REANIMAL jamais deixa o jogador perdido. O design de seu mundo é, inquestionavelmente, seu maior trunfo.
A aventura começa no meio do oceano e, de cara, já fica evidente como o mundo é expansivo. A história se passa em uma ilha com rastros de destruição e decadência, mas ainda assim o protagonista volta ao local para resgatar seu grupo de amigos. A primeira resgatada é sua companheira de jogo, que pode ser controlada pela IA ou por um outro jogador.
Similar aos Little Nightmares, a jogabilidade consiste de uma “salada mista” de gêneros. No extenso mundo de REANIMAL, o jogador vai resolver puzzles, fugir/combater monstros, pular precipícios, esconder nas circunstâncias certas, entre outras ações. O modo de confrontar alguma das criaturas e a possibilidade de dirigir distintos veículos demonstram algumas das inovações que a Tarsier trouxe para o seu jogo de aventura e terror.
Percebe-se que boa parte do gameplay foi desenvolvido em torno da cooperação. Para aqueles que têm receio de encarar um jogo de terror, a possibilidade de enfrentar o medo junto de um companheiro é bastante convidativa. Felizmente, a Tarsier tomou as decisões corretas quanto ao modo multijogador. REANIMAL conta com um Friend’s Pass, ou seja, basta que apenas um usuário do PlayStation 5 tenha o jogo, para que dois jogadores possam desfrutar de sua campanha juntos.
Ao contrário de outros jogos similares, a desenvolvedora também acerta na inclusão de um modo cooperativo local. A implementação não poderia ser melhor – contando com uma câmera dinâmica que se afasta ou aproxima de forma natural, mantendo os dois personagens jogáveis no campo de visão.
Um ponto negativo fica para a inteligência artificial que guia o companheiro no modo solo, por carecer de alguns refinamentos. Na minha experiência, era comum a obstrução ou o travamento da personagem, em alguns cenários mais desafiadores. REANIMAL também é melhor aproveitado junto de um parceiro. Alguns enigmas exigem a coordenação das personagens e isso pode ser estragado no modo solo, visto que a IA indica nitidamente o que se deve fazer.
Seja jogando sozinho ou acompanhado, REANIMAL esconde algumas surpresas para os olhares atentos. Existem chapéus de customização, artes conceituais destraváveis, entre outros pequenos mistérios contidos em seu mundo. Há inclusive um final secreto reservado aos mais diligentes.
Pouco pode ser dito de sua trilha sonora, já que quase inexiste. Contudo, seus efeitos sonoros são excelentes e transmitem bem o pavor contido neste universo. Destaque também para a existência de uma competente dublagem em português do Brasil – algo que infelizmente não acontece com frequência por aqui.
Graficamente, a evolução é notável. O jogo preserva a densidade de detalhes dos Little Nightmares, mas a texturização e a iluminação apresentam avanços consideráveis. O único problema é a presença de um “color banding” exagerado em algumas ambientações, especialmente quando há fumaça ou névoa. A ausência de HDR também é notada.
A jornada em REANIMAL é obscura tal qual seus antecessores espirituais. Por boa parte do jogo é normal ficar perdido na trama principal e é difícil obter explicações diretas sobre o que ocorreu neste universo em ruínas. Em cada região que o jogador visita, há sempre rastros de destruição e a predominância de criaturas bem distintas – fato que nos leva a indagar a relação entre os animais e o estado da ilha.
Embora seja uma jornada efêmera, de aproximadamente seis horas (sem considerar os 100%), é um produto memorável por seu design e pelo seu mundo bizarramente criativo. Mais deste universo está por vir, visto que a Tarsier planeja lançar três conteúdos adicionais para o jogo, a partir do 3º trimestre de 2026.
REANIMAL está disponível para PS5, Switch 2, Xbox Series e PC com legendas e dublagem em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada no PS5 Pro com um código fornecido pela THQ Nordic.







