Análises

Pragmata – Review

É muito comum na indústria de jogos reclamarmos que as empresas não são mais ousadas. É sempre relançamentos, remakes ou sequências de jogos estabelecidos. Quando há algo realmente novo, é raro. Pragmata é justamente esse caso: um ar de novidade em um mar de mesmices. Mas ser diferente não significa automaticamente que será bom e essa é a maior preocupação em relação a esta nova aposta da Capcom.

Ao longo do texto explicarei todos os conceitos básicos e o que você precisa saber sobre Pragmata, mas já adianto: é um ótimo jogo e recomendo fortemente que teste a demo disponível. Apesar dela ser apenas um gostinho do jogo completo, fornece uma ideia melhor do que qualquer texto ou vídeo que você verá.

Pragmata

Primeiramente, Pragmata é realmente uma história inédita – uma nova franquia, de fato. Havia discussões de que poderia ser um jogo escondido no universo de Mega Man, mas posso afirmar (além da Capcom já ter esclarecido isso) que não é nada disso. Basicamente, é um jogo de ação com elementos de aventura. Você avança, assiste a cutscenes com o desenrolar da história e participa de combates com diversos bots usando o sistema de hack de Diana.

A história de Pragmata não é muito profunda, mas estabelece bem esse novo universo. Basicamente, Hugh (o protagonista) e sua equipe chegam à Lua para investigar uma remota estação lunar de pesquisa. Os humanos descobriram um novo minério que, ao ser refinado corretamente, pode ser usado para criar quase tudo através de impressoras 3D.

No entanto, algo dá muito errado nessa visita e Hugh acaba encontrando uma androide que ele próprio a chama de Diana. Juntos, eles devem entender o que está acontecendo, por qual motivo a IA que controla a estação está tentando matá-los e tentar voltar para a Terra.

Pragmata

De forma geral, a história é bem construída e devo admitir que me surpreendeu. Obviamente não vou dar spoiler algum, mas esperava algo previsível e não foi tanto assim (algumas coisas acabaram sendo, porém).

Mas Pragmata brilha de verdade em seu gameplay. É muito diferente o combate de hack com o de armas de forma simultânea. Caso não tenha visto absolutamente nada sobre a mecânica, explico: enquanto você mira com o L2, Diana pode hackear o inimigo mais próximo. Um painel aparece na tela e usando os botões (quadrado, triângulo, X e bola) é preciso levar o cursor até o objetivo. Ao alcançá-lo, o bot fica exposto e Hugh pode finalmente atirar nele, causando muito mais dano do que sem o hack.

No início, o hack é algo simples, mas conforme você avança no jogo, acabam surgindo diversas variáveis no sistema. Um exemplo são os power-ups que são coletados pelo “caminho do hack” que causam efeitos como mais dano com as armas de Hugh ou até mesmo paralisar o inimigo por um tempo determinado. Mais adiante, é possível configurar para que o hack seja mais dedicado ao ataque ou defesa, por exemplo, permitindo que, no momento do hackeamento pegue mais uma vez os ícones e ative o efeito desejado.

Pragmata

O maior problema do hack é que, se você fez ele no início do jogo, estará fazendo até o fim “a mesma coisa”. É sempre levar o ícone ao objetivo, passando por possíveis bônus e evitando penalidades quando houver. Se você não se importar com essa repetição, Pragmata será uma experiência formidável. Mas se achar entendiante, teremos um problema, pois literalmente todos os inimigos do jogo só morrem após, no mínimo, um hack.

Como você pode imaginar, o hack é inteiramente a “parte de Diana”. Hugh é o responsável em atirar pós-hack, e seu arsenal é variado mas não espere algo absurdo. Temos uma pistola com munição infinita (ela possui resfriamento, digamos assim) e armas fortes como espécies de Shotgun e Laser, mas que são limitadas e que precisam ser coletadas. Não há munição – é sempre pegar a arma em si.

Hugh ainda possui dois outros tipos de armas, ambas que ajudam em momentos específicos. Explico melhor: uma categoria de arma ataca mais de um inimigo ao mesmo tempo sem causar dano, mas pode fazer efeitos como paralisá-los ou derrubá-los. Já a outra categoria pode fazer coisas como criar um “clone” de Hugh para distrair os inimigos ou ativar um escudo de energia – ambos formatos são ativados na área em que você mirar.

Em relação à movimentação, Hugh pode pular/planar, assim como desviar com uma espécie de dash pressionando o R1. Tanto controlar nas partes de plataforma quanto no combate em si, são mecânicas simples que você vê em muitos jogos de ação, honestamente. A real novidade é o hack de Diana.

Pragmata

O mundo a ser explorado de Pragmata não é aberto, mas passa uma ideia de um. Logo no início da jornada você encontrará o Abrigo. É basicamente um local seguro em que você pode realizar os upgrades (em seu arsenal, mods, na própria Diana, etc) e interagir de diferentes formas com Diana (conversar, dar presentes e até mesmo conversar sobre diversos assuntos).

O Abrigo pode ser acessado por várias escotilhas que você destrava ao longo do caminho. Então pense num “metroidvania fake”: a partir do Abrigo você pode ir para uma região, explorar tudo que tem nela, enfrentar um chefe e, depois disso, retornar ao Abrigo para ir para a próxima região e repetir o processo. Porém, é possível voltar para a(s) região(ões) anteriores a qualquer momento, mesmo que só haja colecionáveis lá e a história não avançará fazendo isso. Por isso o “metroidvania fake”: o progresso da história é sempre “linear” numa direção que o leva sempre às áreas inexploradas. Mas, sempre que quiser, pode voltar para onde você já andou – algo que não seria possível num jogo de ação convencional.

Pragmata

E para que explorar? Para buscar os colecionáveis e upgrades. No caso dos upgrades são materiais que permitem fazer isso no abrigo, mas os colecionáveis, como os “Cabin”, são apenas para encontrá-los e completar a sua coleção (inclusive, a forma que os Cabin estão escondidos é idêntico aos Mr. Raccoons em Resident Evil).

Há muitos colecionáveis, mas não se assuste: é possível avançar normalmente mesmo se você não for o jogador que explora todo canto. O combate vai ficando muito mais fácil por conta das melhorias é claro, mas se você gosta de ir direto ao ponto não será penalizado por isso.

Mas algo que preciso destacar em Pragmata é que há muito conteúdo extra. Além da campanha em si (que levei cerca de 10-12h para concluí-la), há vários desafios/simuladores que pedem que você faça coisas como chegar a um ponto em um tempo específico ou derrotar inimigos de certa forma. São os clássicos desafios de “realidade virtual” digamos assim. E, como se não bastasse, ao finalizar a campanha haverá muito conteúdo opcional liberado.

Pragmata

Por fim, os gráficos de Pragmata são muito bons. Sempre achei a RE Engine impressionante e aqui não é diferente, principalmente nos ambientes mais abertos. Joguei no modo desempenho em um monitor 1440p e não tive problemas de perfomance ou bugs.

Os efeitos sonoros também são muito bons, com destaque para a localização deles – da mesma forma que nos Resident Evil, é muito fácil saber onde estão os inimigos ou algo que você esteja procurando apenas pelo som. Já a música de forma geral é agradável, mas nenhuma me apegou muito. Porém, algo que veio em minha cabeça enquanto jogava é que algumas delas me lembravam o que escutei em Stellar Blade. Considerando a temática de ambos os jogos, não soa algo estranho.

Pragmata é mais um acerto da Capcom. Divertido, excêntrico em seu gameplay, gráficos bonitos e uma boa história. O único problema real é a sua repetição no combate.

Pragmata está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC com dublagem e legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Capcom.

Veredito

Pragmata é um ótimo jogo da Capcom com uma boa história e um gameplay incomum, mas muito funcional. A duração é de certa forma ideal e há muitos extras para aproveitar. No fim, a única crítica é que o jogo como um todo acaba sendo repetitivo no combate depois que você pega o jeito das coisas.

85

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