Há muito tempo os fãs pedem por uma coletânea completa de Mortal Kombat. E, após vários anos, finalmente foram atendidos com Mortal Kombat: Legacy Kollection. Apesar de ser notável o carinho dos produtores por essa coletânea, são perceptíveis lacunas e problemas técnicos.
Como discutiremos neste review, Mortal Kombat: Legacy Kollection passa um ar de pacote completo, mas os fãs hardcore notarão que ainda há algumas ausências. Além disso, desde o lançamento há o problema do “input lag”, o qual tem sido aprimorado em atualizações, mas que ainda assim persiste.
Mortal Kombat: Legacy Kollection é uma coletânea que engloba praticamente todos os títulos da série dos anos 90 e alguns do início dos anos 2000. A lista completa é a seguinte:
- Mortal Kombat: 1992, Arcade, SNES, Mega Drive, Game Boy, Game Gear
- Mortal Kombat II: 1993, Arcade, SNES, Mega Drive, Game Boy, 32X
- Mortal Kombat 3: 1995, Arcade, SNES, Mega Drive
- Ultimate Mortal Kombat 3: 1995, Arcade, SNES
- Mortal Kombat Trilogy: 1996, PlayStation
- Ultimate Mortal Kombat 3 Wavenet: 1997, Arcade
- Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero: 1997, PlayStation
- Mortal Kombat 4: 1997, Arcade
- Mortal Kombat: Special Forces: 2000, PlayStation
- Mortal Kombat Advance: 2001, Game Boy Advance
- Mortal Kombat: Deadly Alliance: 2002, Game Boy Advance
- Mortal Kombat: Tournament Edition: 2003, Game Boy Advance
Algumas ausências notáveis são Ultimate Mortal Kombat 3 do Mega Drive, Mortal Kombat Trilogy do Nintendo 64, assim como Mortal Kombat 4 do PlayStation e Nintendo 64. Essas versões não são “iguais” às que estão listadas, pois apresentam peculiaridades únicas. Por exemplo, MK4 de console tinha Noob Saibot e Goro jogáveis, enquanto que MK Trilogy do N64 possuía Khameleon pela primeira vez na saga. UMK3 do Mega é bastante parecido com o do SNES, mas havia mais cenários jogáveis e há quem tenha mais nostalgia por essa versão (o autor deste review incluso).

Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero de N64 também está ausente, mas comparado com a do PlayStation esta é provavelmente a única versão que realmente não faz falta. As cutscenes contadas por texto e fotos sem dúvida são algo muito pior do que os vídeos em FMV. Porém, por questões de preservação histórica, é uma versão que ficou de fora. Note, portanto, que nenhum jogo de N64 acabou presente.
Sabemos que os produtores provavelmente tentaram inserir essas versões, mas a ausência não deixa de ser notável. Mortal Kombat Gold, o qual é basicamente uma versão aprimorada de Mortal Kombat 4 lançada para o Dreamcast, também faz falta.
Mas vamos falar das coisas boas: apesar das ausências mencionadas, a coletânea ainda é bastante sólida e traz uma grande variedade de jogos e versões que você talvez nem tenha jogado antes. Até mesmo as versões “ruins” de Game Gear (podiam ser de Master System, né? Mas vamos deixar isso quieto) e Mortal Kombat Advance de GBA, considerado por muitos como um dos piores jogos não só da série, mas de todos os tempos, são bem notáveis aqui.
Outra adição que sem dúvida atiçou os fãs é Ultimate Mortal Kombat 3 Wavenet. Na prática, é muito similar a UMK3, mas apresenta alguns balanceamentos e Noob Saibot jogável. Mas a sua raridade é que torna a sua presença bem-vinda.
Sempre é difícil analisar uma coletânea pois não queremos tirar a importância dos jogos que estão nela. Dito isso, é inegável que toda a série Mortal Kombat é inesquecível e não tem o que discutir o quão bom (ou ruim) ela é. A essa altura, você sabe que são jogos impactantes para toda a indústria. Dito isso, é trabalho da coletânea fornecer uma experiência prazerosa para jogar esses clássicos.
E… bem. Há pontos positivos e negativos. Os positivos são as qualidades que você já espera de uma emulação atual: save states, retroceder, filtros gráficos e assim por diante – todos presentes aqui. Inclusive, há muita opção de configurar os controles e principalmente os “Cheats” (trapaças). Há muitos cheats para cada jogo que pode ser destravado facilmente, seja durante ou antes de iniciá-lo. Isso ajuda para que você não tenha que procurar na internet os códigos de como abrir menus secretos ou encontrar os adversários misteriosos (desde Reptile a Noob Saibot), por exemplo. Porém, se você quer ter essa experiência, ainda é possível; basta não mexer nas opções.
Outros pontos positivos são opções extras como Treinamento (algo que não existia naquela época) e até mesmo Treinamento de Fatalities. Também é possível deixar na tela, de forma fixa, os golpes especiais e combos do seu personagem, caso não lembre dos comandos. Isso é útil principalmente para as finalizações, se você gosta de jogar com vários lutadores.
Mas a parte técnica que realmente deixa a desejar é o “input lag”, que é o que está dando a falar desde o início e sem dúvida é notável quando se joga a coletânea pela primeira vez. Input lag é simples: é um atraso na resposta ao seu comando. Você aperta um botão e espera que seu personagem faça o movimento o mais rápido possível (algo crucial em um jogo de luta). Por padrão já há atrasos, como a TV que você está usando. Mas o jogo em si deve apresentar o mínimo que conseguir, e é justamente esse o problema.
Através de testes realizados, no lançamento, o input lag do PS5 era de 6 quadros. Após duas atualizações, esse número caiu para 4 quadros. É um número mais aceitável, mas ainda longe do ideal do PC (1 quadro) ou do que o Xbox oferece (3 quadros). De qualquer forma, é um problema técnico que a Digital Eclipse está ciente e esperamos que seja melhorado cada vez mais.
Outro problema técnico é o online. A única forma de jogar, no momento, é com aleatórios e torcer para que tenha alguém jogando aquele mesmo game que você queira jogar (afinal, vários possuem suporte online). Já sabemos que teremos lobbies online no futuro, então é questão de tempo para que esse modo fique realmente bom. Por enquanto, é algo bem decepcionante.
Já quanto ao netcode, consegui jogar contra três pessoas diferentes no Mortal Kombat Trilogy e as lutas foram ok, a princípio. Então, quanto ao netcode não tenho do que reclamar. Mas admito que jogar contra aleatórios, sem filtro algum de habilidade e sendo obrigado a escolher um game mais popular para encontrar adversários, não é uma forma boa de aproveitar o online.
Um ponto bastante forte de Mortal Kombat: Legacy Kollection é o documentário com diversos comentários dos desenvolvedores originais. Para se ter ideia, além de aprofundar no desenvolvimento de cada jogo em uma linha do tempo, você fica sabendo até mesmo a vida pessoal de Ed Boon e John Tobias, e como ambos acabaram se encontrando.
O documentário é separado por diversos vídeos de no máximo cinco minutos cada, acompanhados por diversas fotos e artes. Isso ajuda para assistir ao conteúdo de forma dinâmica e não como se fosse um “filme”. Há até mesmo uma porcentagem que o guia a saber quanto falta de cada seção para ver e assistir.
E a qualidade do documentário é muito boa. É claro que muita coisa os fãs fanáticos já vão saber, mas há sem dúvida uma ou outra coisa que você vai aprender ali. E sim, há legendas em português do Brasil, assim como todos os menus estão localizados também (os jogos clássicos você pode imaginar que não estão).
Por fim, o ponto mais triste é o preço para os jogadores brasileiros. Por conta de como a PS Store funciona, Mortal Kombat: Legacy Kollection custa mais que o dobro no PS4 e PS5 do que no PC ou no Switch, por exemplo. Por regra geral, a Sony é a culpada por isso.
Por outro lado, como ARC Raiders conseguiu diminuir o seu preço regionalmente (ficando mais barato até mesmo que no PC), acreditamos que a Atari poderia fazer algo a respeito. Então, seja a Sony ou a Atari, alguma empresa tinha que se mexer e oferecer um preço que faça sentido para o jogador brasileiro ou, ao menos, idêntico aos das plataformas concorrentes.
Mortal Kombat: Legacy Kollection é uma boa coletânea. Há ausências e pontos negativos, mas tudo pode ser consertado com atualizações. Não é um problema que somente “relançando o produto” seria resolvido.
Agora é esperar para ver se as atualizações virão e se mais versões de jogos serão adicionadas. De qualquer forma, jogos de PS2 parecem improváveis e somente num “Volume 2” veremos não só a trilogia (Deadly Alliance, Deception e Armageddon), mas Shaolin Monks – outro jogo que os fãs pedem há anos por um relançamento.
Mortal Kombat: Legacy Kollection está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series, Switch, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Atari.











