Análises

Minishoot’ Adventures – Review

Minishoot’ Adventures é um daqueles jogos que sabem fazer a simplicidade ser sua maior força. Tudo nele é destilado para apenas o necessário, sem jamais perder de vista o dinamismo, a sensação de progresso e a diversão. A excelente execução desse conceito o torna um jogo imensamente prazeroso e um verdadeiro destaque com identidade própria.

Primeiramente lançado para PC em 2024, passei esses quase dois anos aguardando sua chegada ao PS5 e só posso dizer que a espera compensou e as expectativas foram não apenas atendidas, mas também superadas. Trata-se de um jogo de tiro de navinha com visão de cima e controles de dois analógicos (twin stick shooter): um para mover nossa nave protagonista e o outro para atirar em qualquer direção.

O diferencial é o fator “aventura” prometido no título: há um mundo grande para explorar, com segredos, trancas e dungeons, tendo seu acesso gradualmente expandido pela aquisição de habilidades. Ou seja, uma abordagem bastante similar ao que temos em metroidvanias, mas também em jogos da série Zelda. No fim das contas, é uma mistura bem-feita entre shooter, MV e Zelda-like, e deve agradar a quem busca qualquer uma das três coisas, sem precisar pensar demais sobre um rótulo único para enfeitá-lo.

A história em si é apresentada com algumas ilustrações no início, mostrando como uma terra povoada por pequenas naves vivas foi atacada por uma invasão de naves inimigas e sofreu um processo de corrupção por cristalização. Quando uma das vítimas se liberta do cristal, ela se torna a protagonista de uma jornada para libertar as amigas e atacar as bases adversárias que brotaram do chão.

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Há poucas palavras em Minishoot’ Adventures e, sempre que surgem, são muito breves, apressando-se em devolver o controle à pessoa que joga para que continue a se envolver por meio da gameplay e da diversão prática.

O mundo expansivo é desbravado aos poucos, com muitos colecionáveis para encontrar, melhorias para ficar mais forte, recursos para fazer compras e segredos para ficar curioso até ser capaz de desvendá-los. De pouco em pouco, mas continuadamente, nossa navezinha fica claramente mais poderosa, a exemplo do feixe de tiros cada vez mais largo e intenso, o que demonstra uma maestria da pequenina desenvolvedora francesa SoulGame Studio em estabelecer uma cadência dinâmica ao progresso da aventura.

Para ter uma ideia de como Minishoot’ lida com as melhorias, há um sistema de acessórios com vantagens comuns no gênero, como aprimorar o tiro quando a nave está com vida baixa. A diferença é que todos eles são automaticamente ativados, sem qualquer sistema de pontos ou espaços de equipamento que nos faça ter que escolher entre eles. A evolução de poder é enorme.

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Nos moldes de Zelda-like, as dungeons são áreas isoladas com apenas um ponto de acesso e nos levam por ciclos de desbloquear caminhos, adquirir chaves e usar a nova habilidade aprendida ali para chegar ao chefão. Podemos até sair delas e usar o poder recém adquirido para explorar outras searas em busca de conteúdo secreto e opcional, buscando ficar mais forte e podendo até alcançar a próxima dungeon antes de ter terminado a anterior, o que representa bem a noção de abertura gradual com a qual o mundo foi projetado.

Frequentemente, os combates ocorrem em forma de arena, quando ondas de inimigos surgem progressivamente. Os chefões são empolgantes e têm várias fases, alterando seus padrões de ataque para nos desafiar a aprender como manobrar no meio de tantos tiros. Adorei todos eles. A manobrabilidade em si é muito boa, nos permitindo deslizar precisamente por entre tiros enquanto revidamos nos alvos, o que é um verdadeiro exercício de atenção e controle.

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Quem quiser dosar seu desafio estará bem servido: há três níveis de dificuldade, opção de ajuda de mira e ajustes de velocidade do jogo, além de outras mais drásticas, como energia e vida infinitas. Portanto, Minishoot’ atende a uma grande faixa de habilidades e de público.

Apenas dois pontos ficaram aquém do alto nível que o jogo alcança como um todo. Não achei os cenários variados o bastante, resultando em um visual que é eficaz e agradável de uma forma simples, mas pouco interessante.

O segundo ponto se desdobra em dois aspectos de uma mesma questão: a navegação pode ficar um pouco confusa. Primeiro, o mapa corresponde apenas ao mundo superior, não almeja ser preciso e não oferece marcadores personalizáveis. As dungeons, portanto, não têm mapa. O que atrapalha é que os checkpoints são poucos e distantes, havendo apenas o inicial, no centro do mundo, e um no início de cada dungeon.

Há muitos atalhos para tentar fazer o mapa sempre circundar seu centro, mas, se morremos ao explorar os confins do mundo antes de termos o mapa do local, o retorno até onde estávamos antes depende apenas da memorização do caminho. Uma vez que as trilhas são repletas de idas e vindas para destrancar novas áreas, atalhos, cantinhos escondidos e edifícios, se orientar em Minishoot’ Adventures pode render momentos frustrantes.

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Em mais de uma ocasião eu senti falta de viagem rápida. O mapa é bastante interconectado ao redor do centro, mas sempre que carregamos o jogo é dali que iniciamos, então cairia bem se tivéssemos uns poucos pontos de viagem para as áreas adjacentes.

Para compensar, há mecânicas que preenchem o mapa com mais detalhes, incluindo entradas de cavernas e um sinal para os lugares que completamos. Em suma, o jogo dá algumas boas ferramentas para ajudar na exploração, mas, no fim das contas, quer que a pessoa que joga se engaje em sua própria jornada de descoberta, sem entregar tudo facilmente.

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Levei 10 horas para conseguir o final verdadeiro e, após isso, arenas de desafio são disponibilizadas para continuar a diversão. Minishoot’ Adventures é um daqueles jogos que sabem exatamente o que querem fazer e focam em executar cada detalhe com maestria, sem se perder com pontas soltas. Cada coisa está em seu devido lugar e faz da experiência um verdadeiro prazer do início ao fim.

Minishoot’ Adventures está disponível para PS5, Xbox Series, Switch, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela IndieArk.

Veredito

Imensamente prazeroso, Minishoot’ Adventures constroi uma gameplay muito divertida em uma roupagem simples, intuitiva e eficiente em tudo o que se propõe. Com um mundo bem arquitetado para explorar, muitos segredos a descobrir, melhorias para se fortalecer e opções para ajustar a dificuldade do combate intenso de bullet hell de navinha, é uma experiência deliciosa que sabe focar no que tem de melhor a oferecer.

90

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