Análises

Mega Man Star Force Legacy Collection – Review

Desde que ficou claro que toda a série Mega Man iria receber o tratamento de uma Legacy Collection, a sub-série Star Force era uma das que eu mais tinha curiosidade por poder jogar. Se todas as anteriores, sejam elas X, Zero/ZX ou Battle Network vinham com uma grande dose de nostalgia pra mim, Star Force era a que eu menos tinha jogado, em parte porque eu demorei para ter um Nintendo DS, o que me fez escolher mais cuidadosamente o que eu iria jogar, em parte porque a dinâmica da série era para um público mais novo no qual eu já não me encaixava tanto.

Isso mesmo considerando que a série dava sequência ao estilo de gameplay inaugurado por MMBN, trazendo o estilo quase de um RPG Tático, só que agora com uma câmera posicionada quase que sobre o ombro do nosso herói azul ao invés da visão lateral vista anteriormente. A coletânea também traz algo que a série já vinha abraçando e que é bem típico dos jogos, especialmente RPGs, lançados exclusivamente para consoles da Nintendo à época: múltiplas versões. Isso significa que, embora a série em si tenha apenas três jogos, Mega Man Star Force Legacy Collection tenha, tecnicamente, sete jogos.

Isso porque todos eles tem múltiplas versões. O primeiro Star Force chega com Pegasus, Leo e Dragon; Star Force 2 traz Zerker x Ninja e Zerker x Saurian; e, por fim, Star Force 3 conta com duas versões, Black Ace e Red Joker. No geral, as versões são bem similares entre si, contando apenas com algumas variações de cartas, versões do Mega Man, colecionáveis e inimigos. Nada que realmente justifique jogar todos os sete jogos um por um, já que são experiências um pouco mais longas, entre suas 20-30 horas cada.

A série como um todo conta uma história contínua centrada no protagonista Geo Stelar e um alien cujo corpo é composto de ondas eletromagnéticas chamado de Omega-Xis ou, para os mais íntimos Mega, cuja fusão é conhecida como Mega Man. A parceria dos dois começa quando seres extraterrestres passam a invadir a Terra buscando causar problemas para os humanos e Geo, graças a um óculos que era de seu pai, um humano que desapareceu no espaço há muito tempo e que parece ter sido encontrado por Mega, é o único capaz de ver.

O primeiro jogo tem um pacing, adotando um estilo narrativo bem similar ao que já havia sido visto ao longo da sub-série que o precedeu. O foco aqui é muito mais em explorar e desenvolver tanto o Geo quanto o Mega e, principalmente, a relação entre eles e como ela vai afetar os dois, ajudando eles a se desenvolverem. Geo vai saindo de um garoto sem amigos e bastante recluso por conta da perda do pai para um garoto que volta a ir pra escola, aprende a se abrir e formar laços reais com seus colegas de sala.

São esses acontecimentos que servem de base para o que vem posteriormente, com SF2 e SF3 se valendo dos relacionamentos e fatos construídos no primeiro jogo para explorarem suas respectivas narrativas. No geral, todas as três histórias vão sendo muito bem construídas e têm abordagens distintas entre si. Se o primeiro jogo parece quase um desenho infantil em sua leveza e plot, o segundo jogo tenta amadurecer um pouco narrativa sem perder a leveza, enquanto o terceiro, o ápice de Star Force, não só entrega uma história relativamente bem mais madura, mas uma resolução bem completa para todas as linhas que vinham sendo construídas até ali. A história pode não ser o principal ponto pelo qual alguém jogaria um Mega Man, mas é um destaque de peso para estes jogos.

Mega Man Star Force Legacy Collection

Falando do gameplay, a exploração do mundo é bem similar ao que você já deve esperar se jogou Battle Network ou até mesmo Mega Man Legends. Geo pode andar pela cidade, interagir com as pessoas e com as lojas ao seu redor e, em dados momentos, ao usar o óculos que o permite ver os caminhos eletromagnéticos e entrar em portais que o levam para o Wave World. O jogo adota um estilo de mapa quase tridimensional com sprites em 2D que geram uma sensação meio estranha ao explorar, mas é algo que é relativamente fácil de se adaptar com. Os ambientes em si são um pouco repetitivos, especialmente no primeiro jogo, mas visualmente os jogos vão evoluindo bastante e passaram por um belo trabalho nesta remasterização.

O gameplay do combate, que é iniciado aleatoriamente, também é algo que vai exigir um pouco de adaptação. A visão em 3D, com a câmera atrás do Mega Man, é um pouco esquisita, sem tanta fluidez quanto em MMBN. Os campos de batalha agora são grids em 3D de 3×5, no qual você pode se mover lateralmente para tentar esquivar de ataques.

No mais, o funcionamento é bem similar, com o jogador podendo escolher cartas antes da batalha, com um grande foco na melhoria do Geo ficando por conta de obter novas cartas mais poderosas e gerir o seu deck (de até 30 delas por vez), e usá-las como ataques especiais durante a ação. Ao completar uma barra ou realizar um contra-ataque você vai ganhar novas cartas que podem, novamente, ser usadas, ainda que o bom e velho Buster esteja lá presente para causar um pouco de dano ao inimigo enquanto isso.

Mega Man Star Force Legacy Collection

O trabalho feito para adaptar o jogo do DS e suas duas telas para cá foi excepcional e é até fácil esquecer das origens dos títulos. A segunda tela fica o tempo todo disponível para visualização no canto superior esquerdo e pode ser acessada ao apertar L2 ou, caso prefira, é possível ajustar o tamanho e posição das duas telas como você preferir. Sua função é basicamente mostrar uma tela de status, com suas cartas e coisas assim, sendo bem útil ao longo do jogo, ainda que o menu seja um pouco travado para navegar. Isso também se aplica ao gameplay que, realmente, não é tão fluido quanto em MMBN, mas é algo que vai melhorando à medida em que você avança pela série, sendo bem melhor em MMSF3 do que no primeiro e, claro a coletânea vem com uma quantidade absurda de opções para customizar sua experiência, da quantidade de dano recebido ou causado até a frequência dos combates.

Outras novidades que essa versão traz incluem um modo multiplayer totalmente novo, com opções de partidas ranqueadas, casuais ou contra amigos. As batalhas em si tem alguns limitadores, com apenas cartas do jogo escolhido estando disponíveis, mas é uma forma bem divertida de passar o tempo. É possível também trocar cartas online, algo muito bem-vindo já que reduz a necessidade de jogar todas as versões caso você tenha interesse em coletar tudo, com a única limitação aqui ficando por conta da ausência de crossplay.

No final das contas, Mega Man Star Force Legacy Collection é uma ótima coletânea e muito bem-vinda, já que coloca o holofote sobre jogos um tanto quanto esquecidos dentro da franquia. Ela também traz as já esperadas opções de biblioteca, permitindo ouvir a trilha sonora, que é espetacular, e ver as artes do jogo, das quais há bastante. É um resgate necessário e muito bem-vindo e que é obrigatório para qualquer fã da série, sejam os que já conhecem essa interpretação do Bombardeiro Azul, sejam os curiosos que nunca tiveram a oportunidade.

Mega Man Star Force Legacy Collection está disponível para PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Capcom.

Veredito

Mega Man Star Force Legacy Collection é uma ótima coletânea de jogos que merecem ser relembrados pelos fãs do clássico personagem Capcom. Trazendo um boa evolução do gameplay de Battle Network e entregando algumas das melhores narrativas da série, há muito o que se aproveitar aqui.

85

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo