Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch, publicado pela Atari, é mais um jogo do “View Askewniverse“, universo ficcional que tem esse nome derivado da View Askew Productions, produtora de Kevin Smith, seu criador. Os personagens que dão nome ao jogo estão presentes em quase tudo da produtora, mas o que mais me lembro é do filme “O Império (do Besteirol) Contra-Ataca”, de 2001 — que, assim como eu, talvez você ainda não tivesse ligado uma coisa a outra, mas também faz parte desse universo. Pois é, vivendo e aprendendo.
Eu digo “mais um jogo” porque de fato não é o primeiro. Seu antecessor, Jay and Silent Bob: Mall Brawl, foi lançado em 2021 para PC e consoles, e apesar de ser do mesmo estilo de luta de rua, seu visual segue uma linha retrô, mais parecido com minhas maiores referências do gênero, os clássicos das décadas de 1980 e 1990 Double Dragon e Streets of Rage.
A desenvolvedora responsável pelos dois jogos é a Interabang Entertainment, e com ambos a proposta foi a mesma: trazer um novo jogo de luta com rolagem lateral. Ou seja, prepare-se para apertar botões, porque é isso que você vai fazer durante toda a jogatina. Seja com golpes leves ou pesados, ou até mesmo com combos misturando os dois para usufruir de ataques ainda mais poderosos, em Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch você pode (e deve) abusar da violência com adolescentes sem noção, velhinhos chatos, entre outras criaturas que precisará enfrentar.
Levando em consideração o fato de que eu adorava jogar esse tipo de jogo quando criança, talvez eu simplesmente tenha mudado de opinião a esse respeito, pois Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch não me proporcionou uma experiência muito positiva. Claro que muito disso tem a ver com gosto pessoal, e com o fato de eu não me divertir muito apenas apertando botões aleatórios sem muita estratégia enquanto os inimigos também ficam agindo de forma um tanto aleatória contra você, proporcionando uma experiência que pode se tornar rapidamente repetitiva e cansativa. Mas como eu disse, isso é só uma parte do todo.
Logo na primeira fase, o jogo apresentou alguns travamentos. Parece que existe um número específico de inimigos que você precisa enfrentar antes de poder sair de uma determinada área, e isso funcionaria muito bem se pelo menos os inimigos surgissem na tela. Em algumas situações eu fiquei esperando por vários minutos que algo acontecesse, pensando até que eu precisava fazer alguma coisa, mas de repente surgiram mais inimigos que, depois de derrotados, fizeram a tela rolar para a direita e pude dar prosseguimento à fase. Sendo assim, o que já não estava me agradando tanto ganhou mais alguns pontos negativos para a conta.
No jogo inteiro você parece estar fazendo mais do mesmo. Claro, os golpes comuns e especiais são diferentes, além dos protagonistas subirem de nível e desbloquearem ajuda de outros personagens do View Askewniverse, mas a impressão é de que você vai estar fazendo a mesma coisa, porém em ambientes diferentes. Se é isso que você busca — e às vezes é só isso mesmo que a gente quer —, então talvez consiga sair satisfeito depois dessa experiência.
Pra alinhar as expectativas: todas as fases de Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch começam mais ou menos do mesmom jeito, com um diálogo seguido de inimigos não muito difíceis de serem derrotados. Mais à frente, algum evento acontece e a dificuldade sobe um pouco, seja com um mini boss ou com um numero absurdo de inimigos que vão oferecer certo desafio. Depois a fase volta ao normal até o momento final, onde um chefe vai aparecer e liberar a passagem para a próxima fase assim que você acabar com ele.
Outra coisa que não curti em Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch foi a questão de profundidade. Se você não estiver na exata linha dos inimigos, não adianta dar o seu melhor golpe, pois você não vai acertá-los. Isso pode parecer um avanço em relação a alguns jogos de duas décadas atrás, mas me deixou mais estressado do que de fato feliz. Por outro lado, se houver mais de um inimigo na sua linha de ataque, todos sofrem dano.
Muitas coisas podem acontecer ao mesmo tempo nesse jogo, e outra dessas coisas é a conquista de troféus. Pra esse estilo de jogo, não tem muito pra onde correr, então as conquistas são aqueles clichês já esperados, como o número máximo de combo de acertos e coisas do tipo. Além de me deixar confuso, isso me impressionou um pouco pois, em um momento logo na primeira fase, ganhei uns três troféus diferentes por ter feito apenas uma ação.
Mas voltando aos avanços, vamos falar agora do que me chamou mais atenção pra Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch, e me fez querer jogá-lo. Além da nostalgia, é claro, a grande responsável por isso foi a arte visual. Os gráficos tem um excelente acabamento, e as cores vibrantes são um ponto positivo, tanto para os personagens quando para as áreas pelas quais eles passarão, tudo desenhado a mão. Isso dá ao jogo identidade e estilo próprios, o que conta bastante a seu favor.
Algo que pode deixar a jogatina mais divertida é a possibilidade de multiplayer. Se for assim, cada pessoa controla um dos protagonistas, e caso você jogue sem companhia, pode alternar entre os personagens sempre que quiser. Caso um deles seja nocauteado, ele fica no chão aguardando ser levantado pelo parceiro. É um momento tenso e de vulnerabilidade, mas quem caiu volta à aventura com metade da barra de vida. Por outro lado, se quem ainda estiver de pé cair também, terão que iniciar a fase toda de novo, o que pode ser extremamente estressante.
Pra concluir, Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch é um beat ‘em up de ação lateral que mistura combate caótico com humor pastelão e sem filtro. Seja em uma simples loja de conveniência em Nova Jersey ou num shopping místico que ameaça dominar a cidade, seu objetivo aqui é sempre bater, bater e bater. É um título que capricha no visual, mas se você busca algo mais rebuscado e com desafios que ponham sua cabeça pra pensar, essa provavelmente não é a melhor escolha.
Jay and Silent Bob: Chronic Blunt Punch está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, PlayStation 4, Switch e PC via Steam sem legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Atari.









