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Final Fantasy VII Remake é um jogo, no mínimo, ousado. Além de ser excelente (leia a nossa análise), o jogo expandiu em muita coisa a história do original. Mas o final é simplesmente incrível.

Dito isso, a partir deste ponto você verá SPOILERS no texto (que foi traduzido e adaptado deste artigo do site GameSpot). A única coisa que quero deixar clara sem spoilers é: não espere pelo próximo jogo ou embarque na onda de “vou esperar sair todos os capítulos”. Por favor, não seja essa pessoa. Jogue agora o remake e seja feliz – quando terminar, você vai me agradecer.

O futuro é incerto e talvez seja diferente do que você esteja imaginando.

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As Semelhanças

Na maioria das vezes, a história de Final Fantasy 7 Remake fica bem próxima à presente no jogo original. Onde o remake se desvia de seu material de origem, geralmente é para expandir e enriquecer, desenvolvendo os personagens e construindo o mundo (como os membros do grupo Avalanche).

E então você chega no capítulo 18 e percebe que a Square Enix é maluca. O jogo deixa de ser uma recontagem para, basicamente, parecer que é outra linha do tempo. Mas o que diabos realmente estava acontecendo na encruzilhada do destino e o que tudo isso significa? O final de Final Fantasy 7 Remake é uma reinicialização da linha do tempo e tem implicações enormes para as futuras sequências da saga Final Fantasy 7.

Final Fantasy VII Remake

Os Murmúrios

Para entender o que está acontecendo em Final Fantasy 7 Remake, você precisa conhecer uma grande novidade: os Murmúrios. Você encontra essas estranhas aparições espectrais várias vezes ao longo do jogo, e elas parecem empenhadas em garantir que eventos impactantes se desenrolem – às vezes, atrapalham Cloud e seus amigos e os atacam, e outras vezes parecem ajudar.

Como Red XIII explica no final do jogo, os Murmúrios estão trabalhando para garantir que a história se desenrole como deveria. Isso basicamente significa que o papel dos Murmúrios é aparecer nos principais momentos da história e garantir que as coisas aconteçam mais ou menos como aconteceram no jogo original. Você vê que as intervenções deles mantêm certos personagens vivos em momentos importantes, como quando Aerith quase cai do segundo andar da igreja no Capítulo 8 ou quando Barret é assassinado por Sephiroth perto do fim. Eles também podem impedir que as pessoas interfiram em eventos específicos.

Os Murmúrios parecem existir especificamente para garantir que os eventos de Final Fantasy 7 Remake ocorram da mesma maneira que no Final Fantasy 7 original, embora os detalhes menores sejam obviamente alterados. Por um lado, os próprios Mumúrios não apareceram no jogo original e, se estavam influenciando os eventos, ninguém os conhecia. Red XIII e Aerith dizem que eles estão sob o controle do Arauto dos Murmúrios, que é a manifestação literal do destino. As coisas deveriam acontecer de uma certa maneira, e os Mumúrios garantem que isso aconteça.

Final Fantasy VII Remake

Ser arrastado para uma luta para derrotar o Arauto dos Murmúrios e desafiar o destino levanta uma grande questão: o que mudou nos eventos de Final Fantasy 7 que forçaram os Mumúrios a intervirem em primeiro lugar? A presença deles nos diz que não estamos apenas vendo outra narrativa da história do jogo original; em vez disso, no Remake, parece que estamos jogando uma versão alternativa dos eventos de FF7 – essencialmente, estamos em outra linha do tempo. Ou seja, é um remake literalmente.

Aliás, vale destacar que cada Murmúrio na batalha final parece ser um espelho de Cloud, Tifa e Barret pela descrição da Análise deles. E não só isso, são versões futuras que querem garantir a sua existência.

É aqui que as coisas ficam um pouco (mais) confusas. Há uma sugestão ao longo de Final Fantasy 7 Remake de que os personagens estão vendo flashes de eventos futuros. Cloud, em particular, não vê apenas flashbacks do que aconteceu no passado com ele, Tifa e Sephiroth; ele também vê imagens de eventos futuros que sabemos que acontecem no Final Fantasy 7 original.

Cloud não parece saber exatamente o que está vendo, mas tudo indica que esses flashes do futuro estão alterando o futuro. Aerith também parece saber mais do que está falando sobre eventos futuros, embora também dê a impressão de que também não sabe exatamente o que está vendo ou por quê.

Final Fantasy VII Remake

Em geral, porém, parece que os personagens estão recebendo flashes do futuro e isso está mudando suas reações a certos eventos; também parece que os personagens estão reagindo a determinadas situações de maneira diferente do que foi visto no jogo de 1997. Quando o grupo Avalanche planeja seu ataque ao reator do Setor 5 no remake, o plano inicial de Barret é deixar Cloud para trás. É só depois que os Murmúrios intervêm e ferem Jessie que Cloud consegue uma vaga no time; no jogo original, Barret ofereceu a Cloud mais gil para participar da missão e sempre quis trazê-lo.

Linha do Tempo Separada?

Essa é a grande questão e ainda não sabemos a resposta. Pode ser algum elemento que aparecerá nos próximos episódios de FF7, como viagem no tempo – afinal, o Remake está adotando uma abordagem semelhante ao que aconteceu a Star Trek (filme de 2009) ou Mortal Kombat 9 (PS3, X360 e PC), por exemplo. Neles, a viagem no tempo (ou a mensagem de Raiden à sua versão do passado) causou uma mudança na história que criou uma linha do tempo alternativa da franquia original, permitindo histórias novas, mas ainda assim com semelhanças. Ou pode haver alguma outra influência da qual ainda não estamos cientes.

A resposta que parece mais provável, no entanto, é que Sephiroth está de alguma forma alterando eventos passados. É Sephiroth, ou pelo menos uma visão dele, que corta o portal que permite que Cloud e seus amigos entrem no mundo dos Murmúrios e lutem com o Arauto dos Murmúrios. E após a batalha, Sephiroth encontra Cloud no “limite da criação” para tentar garantir a fidelidade de Cloud.

Final Fantasy VII Remake

No capítulo 18, você derrota o Arauto dos Murmúrios, dissipa os Murmúrios e aparentemente derrota as forças do destino. Como observa Aerith antes da luta, do outro lado da batalha há “liberdade ilimitada e aterrorizante”. Ou seja, o que vem em seguida é desconhecido para todos – inclusive nós, jogadores.

Isso poderia muito bem ser um sinal de que os futuros episódios de FF7 Remake podem diferir drasticamente do jogo original. Como não há os Murmúrios para garantir que tudo seja como no game de 1997, qualquer coisa pode acontecer. “Liberdade ilimitada e aterrorizante” significa que a história pode se desenrolar de alguma forma, mas também significa que não resta mais ninguém para proteger os eventos e impedi-los de serem diferentes.

Mas e Quanto ao Futuro?

Sabe o que isso pode significar? Que Aerith talvez sobreviva agora. Exatamente! O maior spoiler dos videogames que até a sua avó conhece talvez não exista no remake. Está entendendo agora o tamanho da bomba que a Square Enix escondeu desde o início?

É claro, muita coisa será parecida com o que vimos no jogo de PS1. Isso é inevitável. A morte de Aerith também pode acontecer, afinal é um momento icônico. Mas só de pensar que existe a possibilidade de vermos outras coisas acontecendo, faz a espera pelos próximos episódios ainda pior.

O final de Final Fantasy 7 Remake, porém, já aponta algumas diferenças importantes na linha do tempo do FF7 que, sem dúvida, terão um efeito na história daqui para frente – a questão é: qual será o tamanho desse efeito?

Você provavelmente viu que Biggs está vivo (isso já é diferente do original e… saudades Jessie). Mas uma das cenas principais do final do jogo mostra um personagem FF7 que ainda não foi realmente apresentado no remake: Zack Fair, enfrentando uma série de tropas Shinra.

Essa é uma cena que apareceu no FF7 original e no jogo prequel Crisis Core. Na história original de FF7, Zack lutou contra as tropas Shinra para proteger Cloud depois que os dois escaparam de Shinra e Hojo. Ele batalhou, mas acabou sendo morto no combate, e Cloud, confuso com os experimentos de Hojo, passou a assumir partes da identidade de Zack.

Mas, como vemos no final de FF7 Remake, nessa linha do tempo, esses eventos aparentemente foram diferentes. Zack lutou contra as tropas Shinra e salvou Cloud, mas não morreu; em vez disso, ele ajudou Cloud enquanto os dois continuavam em Midgar. A morte de Zack foi uma grande parte da história no FF7 original, mas parece que no remake, ele sobreviveu.

Não é muito claro o que está acontecendo naquela cena – os Murmúrios estão presentes enquanto Zack se prepara para lutar contra as tropas Shinra, mas é difícil dizer se eles estavam prestes a forçar a morte de Zack, se eles intervieram para salvá-lo ou se Zack sobreviveu por causa de suas ações ao derrotar o Arauto, removendo retroativamente a influência do destino de eventos passados.

A descrição do Arauto na Análise parece sugerir que a terceira opção é a interpretação correta: quando você derrota o Arauto no presente, ele muda o passado retroativamente, removendo os Murmúrios da cena com Zack e, portanto, impedindo-os de forçar sua morte.

Ou seja, tudo indica que Zack está vivo.

Final Fantasy VII Remake

Ah, Nomura…

Está entendendo agora a maluquice e os culhões que a Square Enix teve? Muitos vão odiar essas mudanças, esperando um jogo 1:1 com o original, enquanto que outros vão abraçar isso, pois terão um jogo diferente, mas ao mesmo tempo igual.

O diretor de FF7 Remake é Tetsuya Nomura, o mesmo de Kingdom Hearts. E você sabe o quão confusa é a história da saga de Sora. Com sorte, os próximos capítulos de FF7R serão tão interessantes quanto o primeiro e com uma história coesa. Afinal, o roteiro do remake esteve nas mãos de Kazushige Nojima, Hiroaki Iwaki, Sachie Hirano e Motomu Toriyama. Dito isso, vamos torcer para que a história continue agradando e faça sentido, e que Cloud não vire um Nobody de Zack ou a Shinra seja uma Organization XIII…