Disco Simulator chega ao PlayStation 5 no início deste 2026 depois de um tempo somente nos PCs com uma proposta que parece ter saído diretamente dos sonhos de qualquer millennial que já frequentou uma balada e pensou: “Eu faria isso aqui muito melhor”. Para mim então juntou duas coisas que gostava muito: jogos de gerenciamento e clubbing com uma vida noturna agitada.

A premissa de Disco Simulator é o arroz com feijão dos tycoons: você começa com um galpão vazio, um punhado de dinheiro e um sonho. O jogo te dá a opção de escolher entre alguns gerentes iniciais para comandar sua casa noturna, cada um com bônus específicos que afetam desde a eficiência da equipe até a satisfação do cliente. É uma escolha estratégica que dita o tom do seu progresso inicial. A partir daí, você escolhe sua localização, como o Club Electric ou o Los Palmos, e começa a obra. O objetivo é equilibrar o hype (reputação) com o lucro. Você precisa construir a pista de dança, montar o bar, decorar as paredes com luzes neon e contratar seguranças, DJs e bartenders, isso como o básico do básico. É um ciclo simples de jogabilidade: atraia pessoas, pegue o dinheiro delas, reinvista no clube e desbloqueie itens melhores para atrair celebridades e multidões ainda maiores.
Minha primeira crítica real ao jogo — e que pode afastar quem não está muito acostumado com o gênero — é a ausência de um tutorial guiado de início. Ao contrário de outras franquias, que te pegam pela mão e explica cada nova mecânica principal, Disco Simulator te joga no galpão vazio e diz: “Se vira”. Eu só fui encontrar as explicações de como as coisas funcionam de verdade depois de fuçar nos menus após mais de uma hora jogando. E pelo menos já conhecia um pouco do gênero e não foi algo que me atrapalhou (muito). Falta aquela “fase tutorial” clássica que te ensina a lógica da construção e da gestão em tempo real. Para quem já é macaco velho de simuladores, você pega o jeito em uns 15 minutos, mas para quem está chegando agora, o começo pode ser bem confuso e frustrante. É o tipo de escolha de design que não faz sentido em 2026. Então, antes de jogar dê um bom pause e tente entender bem as explicações dos menus (que possuem texto em português) para que sua primeira noite não seja um grande desastre.

Disco Simulator sofre de um mal terrível que assombra muitos ports de PC para console: a adaptação precária dos controles. É nítido que o jogo foi pensado para o teclado e o mouse. No PlayStation, você não tem um menu radial bem adaptado ou atalhos inteligentes; você tem um cursor virtual que você move com o analógico. Os botões de movimentação da tela e da câmera são confusos em alguns momentos, você não sabe se o botão está navegando entre os itens ou movendo o mapa. Navegar pela interface é lento e, por vezes, irritante. Tentar colocar uma câmera de segurança ou um quadro na parede com precisão exige uma paciência que a gente nem sempre tem quando a balada está pegando fogo (as vezes literalmente). Quando o clube está cheio, o cursor parece se perder no meio dos NPCs dançando, e realizar tarefas simples de manutenção — como clicar em um banheiro entupido ou em um copo quebrado — torna-se um exercício de precisão desnecessário. É funcional? Sim. É refinado? Nem de longe. Parece um trabalho de adaptação que não recebeu o carinho que um console de mesa exige.
O gameplay loop é viciante, admito. Há algo de muito satisfatório em ver o seu clube sair de um buraco escuro para um paraíso neon. O jogo te mantém ocupado com pequenos eventos: copos quebram, bebidas são derramadas, clientes passam dos limites e precisam ser expulsos pelos seguranças, etc. Em alguns desses casos existem minigames para tentar quebrar a monotonia, como checar identidades na porta, misturar drinks ou atuar como DJ. Eles são simples, mas ajudam a passar o tempo enquanto a noite acontece. No entanto, a variedade desses eventos é curta. Depois de algumas horas, você já viu tudo o que o jogo tem a oferecer em termos de “crises”.

Um detalhe curioso é a estética. Os gráficos seguem um estilo cartoon bem colorido que combina com o clima “pra cima” do jogo. Por outro lado, o som é uma decepção irônica. Em um jogo chamado Disco Simulator, a variedade musical é extremamente baixa. É um loop eterno de EDM e Techno genérico que cansa em menos de 30 minutos. Não há noites temáticas reais ou gêneros musicais que evoluam com o clube, o que mata um pouco da atmosfera que o título tenta construir. É algo que poderia ser simples de se resolver com a diversidade de música livre para uso em jogos disponível em plataformas da internet, podendo os desenvolvedores apenas terem buscado um pouco mais para termos uma real variedade de sons.
Disco Simulator é aquele jogo simples, diverte quem já ama o gênero e entrega uma progressão satisfatória em termos de conteúdo. Existe uma variedade legal de itens e clubes para gerenciar, e a sensação de crescimento é real. No entanto, ele não tem nada que o faça se destacar no meio de gigantes. Entrega um pouco do que o esperado pelo quão indie é e também pelo seu preço. Se você busca um simulador descompromissado e consegue ignorar os controles travados e a música repetitiva, vai encontrar algumas horas de diversão honesta aqui. Mas se você espera a profundidade técnica e o polimento de um grande simulador de negócios, talvez seja melhor esperar uma promoção ou focar em títulos que tratam o controle do console com mais respeito.

No final das contas, Disco Simulator é como aquela balada de bairro: você sabe que não é a melhor da cidade e que o DJ é repetitivo, mas se estiver com os amigos certos (ou no mood certo para simulação), dá para aproveitar a noite.
Disco Simulator está disponível para PS5, Xbox Series e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Ultimate Games.



