Análises

Darwin’s Paradox! – Review

Publicado pela Konami e desenvolvido pela ZDT Studio, Darwin’s Paradox! chega com uma proposta bem clara: entregar uma experiência que mistura plataforma, puzzle e narrativa cinematográfica. Como fã de todos os estilos mencionados, assim que ouvi falar desse jogo, fiquei muito interessado e não demorei a baixar a demo e conferir tudo que eu podia a respeito desse universo. É uma experiência fiel, e por isso os poucos minutos disponibilizados já dão uma boa ideia do que esperar; sendo assim, os que testaram e curtiram provavelmente não vão se arrepender de jogar a versão completa.

Darwin's Paradox!

Na história, nosso polvo protagonista é arrancado do oceano por uma luz misteriosa e acaba em um complexo industrial estranho e hostil. Existe uma conspiração em andamento, envolvendo alienígenas, experimentos e até uma ligação inesperada com o destino da humanidade. E é nesse enredo que temos de momentos fofos a sequências mais tensas, quando você percebe que está sendo caçado e todo cuidado é pouco.

Visualmente, é difícil não se impressionar. Darwin’s Paradox! é simplesmente lindo. O jogo aposta em cores vivas, com uma direção de arte que parece saída diretamente de um filme de animação moderno. Tudo é muito expressivo, desde os cenários industriais até os momentos mais orgânicos ligados ao oceano. Mas o que realmente chama atenção é o uso constante de profundidade. Há uma sensação quase tridimensional mesmo em momentos que não exigiriam isso, com elementos em diversos planos sendo explorados o tempo todo.

Apesar de contribuir para a imersão e para a construção de um mundo rico e detalhado, isso nem sempre funciona perfeitamente. Em certas situações, o excesso de profundidade pode acabar confundindo o jogador, que fica a princípio sem saber o que só faz parte do cenário e o que é de fato acessível. Não chega a estragar a experiência, mas pode gerar alguns momentos de hesitação ou erro que não parecem exatamente justos.

Darwin's Paradox!

As cutscenes merecem um destaque à parte. Elas são divertidas de assistir e têm um estilo bem exagerado, com explosões megalomaníacas, sequências absurdas e um senso de espetáculo que reforça ainda mais a vibe de filme animado. Isso ajuda a manter o ritmo dinâmico mesmo sendo uma experiência relativamente curta. E falando no final, ele é particularmente inusitado — aquele tipo de encerramento que mistura surpresa com um certo ar de “tem mais coisa vindo aí”, deixando um gancho para uma possível sequência.

Na jogabilidade, Darwin’s Paradox! alterna constantemente entre momentos na água e fora dela, e essa diferença impacta diretamente a forma como você joga, exigindo adaptação constante. Dentro da água, Darwin se move com fluidez, podendo explorar melhor o espaço e usar suas habilidades com mais liberdade. Fora dela, tudo muda: o movimento fica mais limitado, mais estratégico, e você precisa pensar com mais cuidado antes de agir. Apesar disso, eu particularmente achei mais divertido jogar fora da água.

Darwin's Paradox!

As habilidades de Darwin são o coração da experiência. Camuflagem, jato de tinta, movimentação furtiva, grudar em superfícies — tudo isso é essencial, principalmente quando você começa a lidar com os inimigos, como os alienígenas que patrulham certas áreas e até mesmo animais marinhos que são naturalmente seus predadores. Saber quando se esconder, quando avançar e como usar o ambiente ao seu favor faz toda a diferença. Em muitos momentos, o jogo se aproxima até de uma pegada mais stealth do que de um plataforma tradicional, o que é um diferencial interessante.

Por outro lado, nem tudo funciona tão bem assim. O nível de dificuldade de Darwin’s Paradox! é um ponto que pode dividir opiniões. No começo, tudo flui de maneira bem equilibrada, com desafios que ensinam as mecânicas sem punir demais o jogador. Mas conforme você avança, especialmente da metade para o final, a dificuldade sobe de forma considerável. Existem trechos que parecem exigir mais tentativa e erro do que habilidade ou raciocínio, o que pode acabar sendo frustrante.

Além disso, há uma decisão de design que pesa negativamente: certos elementos que, em outros jogos, seriam claramente opcionais, aqui se tornam obrigatórios para avançar. Isso inclui desafios que poderiam facilmente ser deixados como conteúdo extra, mas que acabam travando o progresso se não forem completados. Esse tipo de abordagem pode quebrar o ritmo da experiência e gerar um cansaço desnecessário, principalmente para quem só quer seguir com a história. Em vez de incentivar a exploração de forma orgânica, o jogo às vezes parece forçar o jogador a fazer coisas que não são tão divertidas assim.

Darwin's Paradox!

Ainda assim, Darwin’s Paradox! tenta recompensar quem explora. Os 20 colecionáveis espalhados pelos níveis são um ótimo exemplo disso. Eles são realmente interessantes, aprofundando a ideia da invasão alienígena e mostrando como essas criaturas enxergam os humanos e como tentam manipulá-los ou enganá-los. É um tipo de lore que complementa muito bem a narrativa principal. E o melhor: eles não são, em sua maioria, particularmente difíceis de encontrar. Basta ter um olhar mais atento e explorar caminhos menos óbvios — muitas vezes indo justamente na direção oposta ao que parece ser o caminho “certo”.

Outro ponto que pode agradar — ou decepcionar, dependendo da expectativa — é a duração do jogo. A experiência é relativamente curta, com poucas fases, e pode ser finalizada em poucas horas. Para alguns jogadores, isso pode soar como um ponto negativo, especialmente considerando o potencial do mundo e da narrativa. Por outro lado, há quem prefira exatamente jogos que entregam uma experiência completa sem se arrastar. Mesmo buscando a platina, o tempo de jogo não aumenta tanto assim, já que os troféus são, no geral, bem tranquilos de conquistar.

Darwin's Paradox!

No fim das contas, Darwin’s Paradox! acerta muito na apresentação e na proposta, mas tropeça em algumas decisões de design que poderiam ter sido mais refinadas. Ele é bonito, criativo e tem personalidade de sobra, com um protagonista carismático e um mundo cheio de ideias interessantes. Ao mesmo tempo, a dificuldade irregular e a obrigatoriedade de certos desafios acabam segurando um pouco o brilho da experiência.

Ainda assim, é difícil sair indiferente. Seja pelas cenas exageradas, pelo visual impressionante ou pela própria premissa inusitada, o jogo consegue se destacar em meio a tantos outros títulos do gênero. Com alguns ajustes aqui e ali, uma possível sequência poderia facilmente elevar essa fórmula a um novo nível.

Darwin’s Paradox! está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Konami.

Veredito

Darwin’s Paradox! acerta muito na direção artística impecável, no carisma do protagonista e na proposta criativa de alternar jogabilidade dentro e fora da água, além de entregar uma narrativa divertida com cutscenes memoráveis. Por outro lado, a dificuldade irregular, especialmente na segunda metade, e a decisão de tornar obrigatórios certos desafios que poderiam ser opcionais acabam prejudicando o ritmo e gerando frustração desnecessária. Ainda assim, é uma experiência marcante e cheia de personalidade, que vale a pena principalmente pelo conjunto visual e pela originalidade.

84

Bruno Ribeiro

Jornalista por formação, professor de inglês por ocupação (e por amor), e escritor já há mais de 20 anos, mas que só agora tomou vergonha na cara e resolveu se dedicar mais a essa área, publicando alguns trabalhos e escrevendo sobre jogos, uma de suas grandes paixões.

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