AnálisesPS4

Chaos;Child

Análise

NOME: Chaos;Child
FABRICANTE: 5pb
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Visual Novel
DISTRIBUIDORA: PQube


LANÇAMENTOS
13/10/2017 13/10/2017 25/06/2015


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p

Nº de Jogadores: 1

Troféus (inclusive Platina)

Espaço necessário: 9 GB

Legendas em PT-BR: Não

Dublagem em PT-BR: Não


Chaos;Child é uma visual novel japonesa, desenvolvida pela 5pb/Mages e publicada no Ocidente para PlayStation 4 e PlayStation Vita pela PQube. Para quem não conhece, ela faz parte da série de visual novels SciADV, das quais também fazem parte Steins;Gate e Steins;Gate 0, também lançadas no Ocidente pela mesma empresa, assim como Chaos;Head e Robotics;Notes, que ficaram pelo Japão.

Chaos;Child, de certa forma, é uma sequência do jogo Chaos;Head, que nunca foi lançado oficialmente no Ocidente. Dito isso, como o jogo lida com um elenco completamente novo, se passa seis anos depois dos acontecimentos do primeiro jogo e apenas faz referências a alguns pontos da história, é possível jogar Chaos;Child sem ter jogado qualquer outro jogo da série. Talvez a única questão seja que você vai acabar encontrando alguns spoilers vagos de Chaos;Head.

Chaos;Child acompanha a história de Takuru Miyashiro, um colegial de Shibuya que, assim como seus amigos, sobreviveram ao grande terremoto que devastou a cidade seis anos antes, evento que o deixou em coma e órfão. Quando acordou, havia sido acolhido pelo Aoba Dorm, uma espécie de orfanato que acabou acolhendo Takuru e outras três crianças que ficaram órfãs por conta do terremoto.

Takuru Miyashiro é aquele tipo de protagonista que se considera melhor do que aqueles ao seu redor, principalmente quando se trata de ter mais informações sobre o mundo e estar mais atualizado em relação ao que ocorre. Por isso, é o presidente do clube do jornal de sua escola, em que fazem parte outros personagens-chave da trama, inclusive Serika Onoe, sua amiga de infância, e Nono Kurusu, sua nova irmã que se aproximou no orfanato, todos sobreviventes do terremoto de seis anos atrás.

Pouco antes do grande terremoto que destruiu a cidade, uma série de assassinatos ocorreu na mesma cidade, chamados de “New Generation Madness”. Seis anos depois, outro assassinato misterioso acontece. Takuru e seu clube resolvem investigar o que está por trás de algo que ameaça trazer Shibuya ao estado de terror em que vivia anos atrás e acabam se envolvendo cada vez mais nesses assassinatos.

Sendo uma visual novel, o jogo é basicamente texto, narração e diálogo entre os personagens. O grande diferencial de Chaos;Child é o sistema de “delusion”, ou ilusões em português, em que o jogador escolhe, dentre situações específicas do jogo, em passar por uma ilusão positiva ou negativa daquele cenário. Ou seja, algo que Takuru imagina em sua cabeça que poderia acontecer. Algumas situações são engraçadas, enquanto outras podem ser bem mais tensas, e são as escolhas que você faz para ver essas ilusões que decidem qual final você acessa no jogo.

Chaos;Child não sofre do mal que Steins;Gate, por exemplo, sofria. Ele começa forte e continua forte até o final do jogo, intercalando cenas de desenvolvimento de personagens com desenvolvimento da trama. Nada acontece por acaso na história e os mínimos detalhes que aparecem no começo do jogo fazem bastante diferença, principalmente nos finais de cada personagem. O jogo é dividido em um final comum, vários finais para cada personagem e um final verdadeiro após alcançar todos os outros.

A arte do jogo é do mesmo artista por trás de Chaos;Head, mas com um traço bem mais refinado, por ser um jogo desenvolvido muitos anos depois de seu antecessor. O design dos personagens é bem característico, apesar de ter um ou outro que você sente que já viu em algum outro jogo ou anime, não sendo exatamente original. A trilha sonora, porém, consegue demandar a emoção certa para cada situação, principalmente nas cenas de terror ou tensão do jogo. O jogo é legendado em inglês e dublado em japonês.

Um problema do jogo, talvez seu único problema, é algo que aconteceu com outros jogos da publisher, como Steins;Gate 0, Valkyrie Drive e Gal Gun. Algumas cenas não foram legendadas, outras não foram traduzidas, existem erros de tradução durante a trama, personagens que não são classificados corretamente no diálogo, e por aí vai. São vários problemas que não aparecem com tanta frequência, principalmente depois de um patch após o lançamento, mas como é um problema recorrente com a empresa, cabe trazê-lo ao leitor mais uma vez.

Chaos;Child faz tudo que faz muito bem: a história, a arte (na maioria das vezes), a trilha sonora, principalmente os mistérios introduzidos. O jogo está quase no nível de Steins;Gate, ressalvadas algumas pequenas questões, como o tratamento de localização dado pela publisher. Outra questão, que talvez seja mais subjetiva para cada jogador, é sua duração.

Completando o jogo, com todos seus finais e afins, leva ao jogador uma média de 75 horas, para aqueles que ouvem todo o diálogo do jogo normalmente. Não é necessariamente algo ruim, mas algumas mudanças na estrutura do jogo conseguiriam deixar ele mais enxuto e direto ao ponto, ao invés de ficar insistindo em alguns pontos da história que o jogador já viu no começo ou meio do jogo, assim como alguns finais conseguem ser um pouco anticlimáticos.

No geral, a 5pb trouxe ao mundo outro jogo exemplar, que deixa o jogador imaginando e pensando desde a primeira cena até os últimos segundos dos créditos do último final. Nada é feito sem explicação e tudo faz sentido ao final, ao que mostra que a desenvolvedora consegue fazer outros jogos excelentes mesmo após Steins;Gate, lançado oito anos atrás. Recomenda-se o jogo para quem gosta do gênero, quem não gosta do gênero, quem gosta de uma história de terror, suspense, ou mesmo que gosta de tramas surpreendentes, independente da origem ser japonesa ou não.

Veredito

Chaos;Child traz uma história incrível ao mundo dos jogos SciADV, abordando um gênero ainda não visto por jogadores nessa série no Ocidente. Ainda que tenha alguns problemas em razão da localização ou da estrutura do jogo, Chaos;Child talvez seja a melhor visual novel lançada para consoles nos últimos anos.

Jogo analisado com código fornecido pela PQube.

98%