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Análise – Necrosphere Deluxe

Análise

NOME: Necrosphere Deluxe
FABRICANTE: Cat Nigiri
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Plataforma
DISTRIBUIDORA: Unties


LANÇAMENTOS
31/01/2019 31/01/2019 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (sem Platina)
Espaço Necessário: 246 MB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Algo que me incomoda há bastante tempo nos jogos da atualidade é sua a falta de desafio. Antigamente, bastava ligar o console com títulos como Ninja Gaiden, Ghosts ’n Goblins ou Mega Man, e nossos sentidos já se alteravam: a respiração acelerava, o controle era coberto por suor e toda a nossa atenção era concentrada na tela da TV, calculando o menor dos saltos para evitar um erro fatal. Talvez seja por conta desta nostalgia que eu tenha gostado de Necrosphere Deluxe.

Desenvolvido pela Cat Nigiri, um estúdio brasileiro independente, Necrosphere Deluxe é um jogo de plataforma 2D que possui apenas um único objetivo: acender as chamas do ódio e da loucura dentro de cada um de nós. E antes que você fique confuso, sim, isso é um tremendo elogio, uma vez que estamos diante de um dos jogos mais difíceis (e simples) dos últimos tempos.

O game conta a história de Terry, um agente especial que é assassinado durante uma emboscada de uma organização criminosa. Sua alma é então enviada à necroesfera, uma realidade alternativa que atua como um purgatório e prisão para todos os mortais. Nesse terrível lugar, Terry terá de encarar as mais absurdas provações para encontrar a saída e ser contemplado com uma segunda chance na Terra.

Infelizmente, o enredo de Necrosphere Deluxe é seu aspecto mais negativo, uma vez que o título não procura desenvolvê-lo durante a sua curta campanha. A narrativa é explicada às pressas através de uma breve cutscene, que atua como um simples pano de fundo para justificar os acontecimentos dentro do próprio jogo. Para piorar, não existem personagens secundários e os únicos “diálogos” no título são vistos através de pequenas mensagens dos parceiros de Terry enviadas do mundo mortal.

Enquanto buscamos a saída da necroesfera, constantemente somos desafiados a passar por todo tipo de armadilha mortífera ao passo que resolvemos puzzles que exigem uma boa combinação entre raciocínio lógico e bons reflexos. Entretanto, por mais que o jogador seja extremamente cuidadoso, há algo que ele nunca poderá evitar: a morte.

Não duvide das minhas palavras quando digo que você morrerá muito (e MUITO mesmo) enquanto joga Necrosphere. Mesmo tomando todo tipo de cuidado possível, meu contador de mortes já registrava 1.179 mortes quando finalizei o game. Mas não se assuste, assim como em Hotline Miami, os reloadings são instantâneos e a quantidade de checkpoints é extremamente generosa. Quase toda nova plataforma que alcançamos já funciona como um checkpoint, evitando que o jogador tenha de repetir longos (e complicados) trechos repetidamente para alcançar novamente onde havia morrido.

Os controles são extremamente simples e intuitivos, já que o título foi projetado para ser jogado com apenas dois botões (L2/R2 ou L1/R1). Cada um é responsável por movimentar Terry para esquerda ou para direita, e ao serem pressionados duas vezes, pode-se realizar um longo salto em uma das duas direções. Existe ainda um jetpack que é ativado ao segurar os dois botões, oferecendo a possibilidade de alcançar locais mais altos.

Todo o jogo funciona com base nesses três comandos básicos e dominá-los se provará uma tarefa árdua e essencial, principalmente para aqueles que almejam finalizar o game. Apesar de ser um conceito interessante, grande parte da dificuldade presente no título está atrelada diretamente aos controles. O mapeamento dos botões é péssimo e nada confortável, podendo resultar em dores agudas nas mãos. Além disso, o fato do botão de pulo ser também utilizado para locomoção pode facilmente confundir jogador e ocasionar movimentos imprecisos ou indesejados.

O level design é extremamente bem projetado e os desenvolvedores usaram como inspiração os mapas gigantescos e interligados dos metroidvanias para criar a necroesfera. Do início ao fim exploramos um longo e labiríntico mapa lotado de segredos. Cada puzzle e armadilha é bem apresentado e justo, distanciando Necrosphere de I Wanna Be the Guy ou do famigerado Cat Mario que tem como o principal foco “frustrar” o jogador, ao esconder seus obstáculos.

O único aspecto negativo com relação ao game design é a ausência de um mini-mapa, que poderia facilitar a orientação do jogador, semelhante ao visto em Castlevania: Symphony of the Night. É simplesmente insuportável adquirir uma nova habilidade e ter de passar novamente por todas as armadilhas já concluídas, checando cada parede e sala, enquanto buscamos incessantemente por algum tipo de progresso na campanha.

Apesar de tudo, é difícil não ser tomado pelo ódio e frustração em certas seções do jogo. Algumas partes do mapa podem levar de poucos minutos até várias horas para serem superados. Como consequência, o tempo de campanha depende unicamente do quão familiarizado o jogador está com títulos de plataforma e do seu grau de habilidade para superar os desafios impostos por Necrosphere.

A direção de arte por trás de Necrosphere não impressiona, uma vez que o trabalho de pixel art investido no título é relativamente simples e repetitivo, com muitos recursos reutilizados na composição dos cenários. Devido a isso, os ambientes acabam se tornando confusos e desorientadores, dificultando o progresso pelo game. Já a trilha sonora é muito boa, repleta de faixas divertidas e viciantes, lembrando as composições dentro de cada estágio da série Mega Man.

Veredito

Necrosphere Deluxe é um jogo impiedoso e muitos dos que tentarem se aventurar por ele talvez nunca tenham o prazer de concluí-lo. Mesmo assim, é um título que, apesar de suas falhas, merece ser jogado. Se você é fã dos jogos de plataforma ultra-difíceis dos anos 90 e busca um desafio semelhante na atualidade, Necrosphere Deluxe é o jogo perfeito para você.

Jogo analisado com código fornecido pela Unties.

75%