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Análise – Borderlands 3

Análise

NOME: Borderlands 3
FABRICANTE: Gearbox Software
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
DISTRIBUIDORA: 2K Games


LANÇAMENTOS
13/09/2019 13/09/2019 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução: 1080p (PS4); 4K/30fps / 1080p/60fps (PS4 Pro)
Nº de Jogadores: 1 a 2 local (2 a 4 online)
Troféus (Inclusive Platina)
Espaço necessário: 38.01 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


A Gearbox Software é reconhecida principalmente pelo seu ótimo trabalho na série Borderlands. Mesmo que o estúdio seja visto como tendo apenas um único grande acerto, vide que nenhum outro título teve grande sucesso comercial ou de público, o lançamento de Borderlands 3 confirma a excelência da franquia.

A espera foi grande para um novo título da linha principal da franquia criada pela Gearbox, principalmente ao lembrar que Borderlands: The pre-sequel e Tales of Borderlands não foram desenvolvidos pelo estúdio e contaram histórias que expandiram o universo da franquia, mesmo que não a empurrasse para o futuro. De certa forma, os 7 anos de espera serviram para modernizar o jogo em vários aspectos como jogabilidade e design de missões.

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Se o Borderlands original foi o gatilho para o loot shooters que temos hoje, a sequência foi responsável por trabalhar algo que era bastante carente no jogo de 2009. As melhorias na narrativa e desenvolvimento de personagens foram fundamentais para que Borderlands 2 ficasse marcado para além do jogo de tiro e loot com piadas em excesso. Borderlands 3 não precisa mais dessa evolução de narrativa, mas era esperado que mostrasse melhorias e refinamentos na sua jogabilidade.

Resumindo antecipadamente, Borderlands 3 é mais do mesmo já apresentado antes. Não há uma grande evolução, porém, particularmente dizendo, o jogo em momento algum precisava disso. Se compararmos diretamente com seu antecessor, temos melhorias pontuais em vários aspectos e uma modernização excelente em atributos que, caso fossem repetidos, seriam taxados como obsoletos ou atrasados.

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A história gira em torno novamente de novos Vault Hunters juntos aos Crimson Raiders na busca pelas Vaults. Lilith agora é a líder do movimento após a morte de Roland em B2 e, para os que jogaram a última DLC de B2 lançada este ano, já era possível perceber que a busca pelas Vaults seria a nível interplanetário com a descoberta do mapa que apresentava cada Vault existente no universo. Algo que é melhor utilizado agora é todo o misticismo e mistério da lore abordado, sendo praticamente o pilar do desenvolvimento narrativo do jogo.

Após a destruição de Santuário e a perca do mapa já citado, os Crimson Raiders precisam se reerguer e procurar impedir que oportunistas tentem abrir outras Vaults e fazerem uso maligno de seus poderes. Lógico que isso é exatamente o que acontece quando os irmãos Calypso acabam possuindo o mapa e vão buscar cada Vault a fim de conseguir poder suficiente para seus planos de destruição daqueles que não os seguirem.

Para embarcar nessa empreitada, os jogadores tomam o controle de um dos Vault Hunters, que continuam sendo bastante excêntricos e distintos. Como de praxe, existe a Siren do grupo, Amara, responsável pelos poderes fantasiosos como de uma feiticeira. Zane é o agente operativo, algo como um James Bond tecnológico. Moze é a atiradora da vez, focada no combate com armas e com seu Mecha Iron Bear. Fl4k é o domador de feras, anda sempre com um animal de estimação e recheado de habilidades diferentes.

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Ainda que a história deixe de se passar apenas em um planeta e tome proporções maiores, o mais interessante continua sendo o ótimo uso dos personagens secundários do jogo. Algo que já aconteceu bem em B2 foi usar de maneira ampla os Vault Hunters do primeiro jogo, dando bastante destaque aos personagens que antes eram mudos e somente controlados pelo jogador. Agora isso fica destacado principalmente com a carga narrativa que Maya traz a história, assim como a participação de Zer0, Lilith, Tannis e ainda alguns outros personagens favoritos da série.

Se de forma positiva temos o retorno e ótima utilização dos heróis presentes, os antagonistas do jogo conseguem ser piores do que a própria Steele de Borderlands que só surge por algumas horas e logo desaparece. Troy e Tyreen Calypso são irmãos gêmeos e praticamente celebridades ao avesso. Líderes da seita Childrens of Vault (Filhos da Arca), os gêmeos são como grandes “Youtubers” que radicalizaram a busca das Vaults a qualquer custo. Mesmo que a intenção possa ser uma sátira ao crescimento de celebridades da internet, a rejeição ao dois é quase como uma enxurrada de deslike em qualquer vídeo desnecessário que possa existir.

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Quando saímos de um jogo com um antagonista como Handsome Jack e todo seu carisma, corresponder a altura com um novo vilão é um árduo trabalho. Nem mesmo o dobro de vilões poderia salvar Borderlands 3 nesse aspecto. Os irmãos Calypso são desinteressantes, com nenhum desenvolvimento narrativo e só aparecem para criar momentos que enaltecem os heróis, como Lilith ou Maya. Nada é trabalhado para criar antipatia aos antagonistas, com os mesmos sendo desbancados até pelo presidente excêntrico das indústrias Maliwan quando esse aparece em um ato que representa o conflito com a corporação Atlas. Há ainda o fato da narrativa criar momentos e personagens nunca vinculados com a franquia, apenas para servir de background para Troy e Tyreen, soando ainda mais forçado a existência dos mesmos.

Mesmo com a escorregada feia nos principais vilões da história, Borderlands 3 ainda tem uma boa história contada, principalmente ao utilizar vários aspectos apresentados em outros jogos da franquia, até com os já citados que não foram desenvolvidos pela Gearbox. Segredos revelados, personagens melhor desenvolvidos e uma história que vai até os primórdios para explicar a existência e misticismo das Vaults são os grandes atrativos na campanha principal do jogo.

Algo bastante válido ressaltar é o melhor design de missões e bom uso dos gigantes mapas de Borderlands 3. Ao invés de criar uma experiência inchada de missões desnecessárias cheias de vai e vem como em B2, temos agora missões secundárias pontuais principalmente no contexto do que cada mapa apresenta, assim como utilizar bem atividades paralelas para preencher a cota de atividades secundárias, como as caças lendárias de Sir Hammerlock e os alvos prioritários do Zer0.

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As várias referências a nossa cultura atual continuam como marca registrada da franquia, assim como piadas, easter eggs e qualquer oportunidade imaginável para exercer no jogo seu tradicional estilo de humor. Há referências a Senhor dos Anéis, X-Men, One Punch Man e várias outras que vão fazer o jogador soltar risadas só pelo tratamento visual recebido quando isso aparece no jogo.

Ainda que a campanha e história de cada episódio da franquia tenha recebido melhorias a cada jogo lançado, o maior atrativo é sempre sua jogabilidade e o combate sem precedentes. Como dito antes, Borderlands foi responsável por começar a onda de loot shooters que o mercado apresenta hoje. O fato mais importante disso na época era a existência de mais de 1 milhão de combinações de armas que se poderia conseguir como recompensa, algo que cresceu de tal maneira que hoje é difícil dar números a isso.

Armas de características únicas continuam sendo um dos atrativos no jogo, junto com granadas, escudos e vários itens cosméticos. Ainda que um loot shooter seja sobre realizar atividades e conseguir as melhores recompensas, isso não é tão válido nos jogos da Gearbox. O primordial é o jogador encontrar seu estilo de jogo e os equipamentos que melhor te servem. Por exemplo, armas da Tediore podem ser arremessadas ao recarregar e se transformam em granadas, torretas ou até ganham pernas e perseguem os inimigos. São uma excelente escolha para situação difíceis onde o jogador precisa eliminar um oponente para voltar a vida quando cair. Outro exemplo, escudos da Pangolin possuem a maior capacidade de defesa do jogo, mas são incrivelmente lentos ao se regenerar após quebrados. Junte a isso às várias características aleatórias e elementais que os equipamentos podem ter e descubra que não existe uma arma ou escudo que se sobressai a outros, mas sim aquilo que melhor se encaixa na sua build.

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As variações dos itens do jogo ainda favorecem muito o sistema de RPG e habilidades que o título possui. Similar aos jogos anteriores, porém de forma refinada, as famosas árvores de habilidades estão de volta. Dividas em três categorias, cada um dos 4 Vault Hunters possuem primariamente um estilo de jogo distinto para cada tipo de árvore. O interessante aqui é que ao investir suficiente em uma dessas ramificações, garante ao jogador um estilo aprofundado de jogo, ao invés de mesclar habilidades diferentes e tentar um estilo mais geral. Como exemplo, Fl4k tem uma build que favorece baste a chance e dano de acerto crítico, assim como uma que fortalece o animal que o acompanha. Investir apenas na de chance crítico focará o estilo do jogador naquilo, mas limitará outras habilidades, como de recuperação de vida ou fortalecimento do Pet. Habilidades sempre vão possuir uma utilização, principalmente se entrar no estilo preferido, e quase nunca vão parecer como pontos gastos e que não obtiveram retorno direto. O jogador consegue ainda redefinir seus pontos de habilidades em qualquer momento, podendo testar outros estilos de jogo assim que tiver interesse.

Tudo já falado sobre a jogabilidade era algo presente no jogo anterior, porém agora apresentado de forma mais aprimorada e refinada. Entretanto, as grandes melhorias foram no gunplay do jogo. O combate é muito mais acelerado e divertido. A IA dos inimigos foi aprimorada, fazendo com que nem todos corram desesperados até o jogador, mas sim procurem cobertura, rebatam granadas, usam habilidades e mais. Armas possuem melhor sensação de atirar e a movimentação é mais realista, trazendo uma melhor satisfação ao puxar o gatilho e eliminar algum inimigo. O projétil agora precisa percorrer o caminho até o inimigo, eliminando os tiros imprecisos dos jogos anteriores onde para um tiro ser preciso a mira precisava obrigatoriamente estar no inimigo na hora do disparo. As hitboxes dos inimigos estão melhor definidas, fazendo com que finalmente seja prazeroso atirar com um rifle de precisão. Há ainda melhorias na movimentação e interação do personagem com o ambiente, como a possibilidade de escalar bordas de elevações, facilitando assim o pulo e exploração, e deslizar após correr, fazendo o combate ainda mais dinâmico.

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Além da campanha principal, uma novidade em relação aos seus antecessores é a inclusão de modos de jogo que favorecem o pós-jogo. Os campos de provação e os Círculos de Carnificina são arenas focadas em combate, com atividades únicas específicas para os que querem se manter ativos na busca por melhores recompensas. Há ainda o tradicional NG+, também conhecido como True Vault Hunter, e o modo Mayhem, que vai adicionar modificadores únicos a campanha. Todos são adições interessantes que aumentam a vida útil e o fator replay do jogo, principalmente fazendo uso do ótimo sistema de combate que o título possui.

Em suma, Borderlands 3 é um refinamento e modernização do título de 7 anos atrás, com melhorias pontuais, uma história em evolução e maior expansão do universo iniciado há 10 anos atrás. Porém, a mudança de geração e principalmente de engine gráfica trouxe alguns contratempos e problemas, principalmente na parte técnica.

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Na data desta análise, uma primeira atualização lançada trouxe algumas melhorias, mas não eliminou os problemas apresentados em seu lançamento. Mesmo no PS4 PRO a inconstância da taxa de quadros por segundo é um grande problema no jogo. No modo performance, as quedas acontecem quando vários eventos estão em tela, principalmente durante o combate. Como o jogo não alcança os 60fps, a oscilação é tamanha que acaba sendo preferível se manter no modo resolução com os quadros fixos à 30fps, como acontece com a versão padrão do PS4.

Além dos problemas de performance, há uma lentidão excessiva nos menus do jogo. Qualquer gerenciamento de inventário pode ser um trabalho cansativo nos primeiros minutos. A transição de um menu para o outro quase sempre apresenta uma pequena congelada de tela. Há ainda problemas sérios no modo tela dividida que torna a experiência para 2 jogadores local quase intragável. Para completar, o netcode do jogo ainda precisa de alguns ajustes. Quando em uma partida cooperativa online, o host da partida sempre tem a melhor experiência, enquanto os jogadores pendurados (clientes), acabam sofrendo com lag constante e trepidações na conexão, independente da sua banda de internet ou conexão.

Apesar dos defeitos técnicos, a mudança de geração também trouxe benefícios quanto ao visual do jogo. O estilo artístico mais cartunesco, as cores e arte do jogo são melhor apresentadas e se mostram mais vivas do que nunca. Modelos de personagens são melhor detalhados, principalmente daqueles que acompanhamos desde o primeiro jogo. Vários efeitos de explosão, partículas, raios de luz e outros dão ainda mais qualidade e incrementam a experiência oferecida.

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Borderlands 3 apresenta sim alguns defeitos que devem ser pontuados. Problemas técnicos são recorrentes e, quanto ao design do jogo, os vilões principais são fracos e desinteressantes. Entretanto, Borderlands nunca foi uma franquia para apresentar uma narrativa ou histórias inovadoras, mas sim sobre jogabilidade divertida num universo fantasioso recheado de humor. O combate maluco, acelerado e despretensioso, mesmo que nem sempre desafiador, continua divertido como nunca e é o maior atrativo do jogo.

Veredito

A insanidade de seu universo e o melhor combate de sempre fazem de Borderlands 3 o melhor jogo da franquia. Uma campanha extensa, personagens cativantes e vários modos de jogo alternativos aumentam ainda mais o interesse no título e na diversão que ele traz. Mesmo que problemas técnicos e vilões mal desenvolvidos possam minar um pouco da qualidade do jogo, há muito de positivo e dezenas de horas de diversão garantidas no universo maluco da franquia da Gearbox Software.

Jogo analisado no PS4 Pro com código fornecido pela 2K Games.

90%