Análises

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales – Review

A indústria dos videogames evoluiu bastante desde o saudoso tempo dos 8 e 16 bits, especialmente no que tange ao escopo, tanto visual quanto de gameplay, dos jogos de Ação e Aventura. O que começou como pequenas aventuras sidescrollers ou com visão de cima para baixo acabaria culminando em alguns dos mundos abertos mais bonitos e expansivos imagináveis, com grandes cenas cinematográficas em 3D cheias de efeitos e jogos de câmera dignas das grandes produções hollywoodianas (e que superam com certa facilidade o que é feito em “carne e osso” quando tentam adaptar para grande tela o que jogamos).

Mas nostalgia é uma droga poderosíssima e saber como e quando evocar os sentimentos que esses mesmos jogos nos traziam há 30, 40 anos atrás é uma ferramenta que muitas publishers aprenderam a usar, talvez nenhuma tão bem quanto a Square Enix. Afinal, mesmo que a gigante japonesa venha em uma constante de excelentes lançamentos nos últimos anos, o grande selo de qualidade atual dela parece ser exatamente a estética HD-2D criada pelo Team Asano para modernizar o estilo pixelizado dos clássicos que tanto amamos.

É exatamente essa a descrição perfeita para The Adventures of Elliot: The Millennium Tales, novo jogo no estilo desenvolvido em parceria pelo Team Asano e a Claytechworks, um estúdio relativamente novo e que havia trabalhado com a Square Enix em um outro projeto evocativo de tempos mais simples, o excelente Bravely Default II. Agora, ao invés de necessariamente trazer elementos de jogos da própria SE, o título se inspira fortemente nos Zeldas 2D, especialmente um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, A Link to the Past, trazendo pequenos elementos de vários jogos de quando a série estava em seu ápice e os entregando com um twist que deixa tudo mais original.

The Adventures of Elliot: The Millenium Tales

Embora pudesse, o jogo não é protagonizado por um loiro de túnica verde, mas sim por um jovem de cabelo e roupa brancas e chapéu e lenço vermelhos chamado Elliot, cujo nascimento é um tanto quanto misterioso, mas que cresceu em um orfanato até se tornar um aventureiro, tal qual o rapaz que o resgatou, para auxiliar aqueles ao seu redor que precisam de ajuda. Ele é indicado ao rei por um jovem escolástico que cresceu no mesmo orfanato para investigar algumas ruínas misteriosas que foram descobertas por soldados de Philabieldia, um tradicional reino inspirado pela Europa Medieval.

É essa missão que envia Elliot em uma jornada que não só o fará rodar todo o mundo infestado de monstros ao redor da capital, mas por diferentes eras desse mesmo mundo, tudo com o simples e prático objetivo de salvar todos. Não espere nada mega inovador aqui, a narrativa de TAoE é muito mais uma justificativa para te colocar no centro da ação rodando pelo mundo e vendo diferentes interpretações dos lugares do que, necessariamente, o que te fará jogar por horas e horas esperando pelo próximo grande twist.

Ainda assim, ela segura seu lado da corda com bastante firmeza, muito porque, ao optar por não ter um protagonista mudo, ele consegue desenvolver um herói que carrega muito bem a narrativa. Elliot é o tipo de herói clássico, bondoso, com suas esquisitices mas muito carismático e cuja dinâmica com todos os personagens ao seu redor, especialmente Faie, a fada que o acompanha em sua jornada (sim, pois é), traz uma leveza muito bem-vinda ao jogo sem tirar o peso da jornada e torná-la uma galhofa.

The Adventures of Elliot: The Millenium Tales

Dito isso, o que realmente faz com que The Adventures of Elliot seja um jogo excepcional é o seu gameplay. O combate é bem responsivo e variado, com o protagonista começando só com uma espada e desbloqueando diferentes armas ao longo da sua jornada, podendo alternar entre elas mas sempre com duas equipadas, uma mapeada para o quadrado e outra para o triângulo. Cada arma possui um ataque normal e um ataque carregado diferente e os inimigos vão trazendo diferentes desafios que te farão sempre estar testando novas soluções para velhos problemas, algo que ajuda a aliviar o fato de que você vai precisar rodar bastante pelo mapa até completar o jogo.

Cabe apontar aqui que, de certa forma, o combate parece mais próximo de um jogo da série Mana do que Zelda propriamente dito (ainda que um seja meio que um fruto derivado do outro, de toda forma). O jogo te incentiva bastante a dominar coisas como o bloqueio com escudo e parry para aumentar cada vez mais um combo de inimigos derrotados que vai melhorando os drops deles. Fazer isso com os chefes em si é ainda mais desafiador, já que as batalhas vão ficando progressivamente mais desafiadoras (e divertidas), sendo realmente digno de nota.

É claro, explorar os mapas em si também é um prazer por si só. Embora o jogo comece em uma área que será bem familiar para quem tem experiência com Zelda, ele vai trazendo diferentes áreas e desafios muito bem construídos e que ajudam a manter o jogo excepcional ao longo da jornada. Sério, aqui você encontrará alguns dos melhores designs de mapa que jogos inspirados em Zelda podem ter, sendo bem satisfatório brincar com as coisas para encontrar soluções para acessar novas áreas. O jogo em si, apesar do mapa bem vasto, não é de mundo aberto, então há algumas pequenas transições ao acessar, por exemplo, diferentes áreas de um Shrine. E tudo ocorre, como é de se esperar, dentro do próprio campo de batalha, sem qualquer tipo de transição.

The Adventures of Elliot: The Millenium Tales

O próprio elemento de viagem no tempo que o jogo traz ajuda a manter a exploração sempre bem divertida e eu acabei me vendo usando pouco coisas como o fast travel que o jogo disponibiliza (as opções de qualidade de vida aqui são bem úteis e torna a jornada ainda mais agradável). Sobre essa questão de viagem no tempo, acaba sendo quase impossível não comparar com o saudoso (e excelente) TLoZ: Oracle of Ages. Ao visitar as áreas em diferentes eras você encontrará caminhos diferentes, itens necessários para abrir portas em diferentes eras e por aí vai. Toda essa dinâmica é essencial e tornam os puzzles das dungeons do jogo ainda melhores.

Essas, por sua vez, tem um design muito consistente e muito forte. Cada nova dungeon parece ter sido planejada nos mínimos detalhes e é extremamente recompensador explorar e solucionar cada um dos desafios que ela vai jogando no seu caminho. Isso inclui uma série de desafios secundários que o jogo traz que desbloqueiam melhorias para sua saúde, novas habilidades para a Faie e coisas do tipo. Se você é do tipo de jogador que gosta de investir tempo e pensar em soluções, o jogo será uma excelente jornada para você.

Dito tudo isso, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um jogo excelente e muito recompensador, especialmente se você for fã do gênero. A Square Enix e o Team Asano acertaram novamente em cheio nessa sua primeira tentativa de criar um RPG de Ação e é mais um carimbo que atesta o trabalho primoroso que vem sendo feito por lá. É um jogo que merece ser lembrado por esta e pelas próximas gerações.

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales será lançado em 18 de junho de 2026 para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Square Enix.

Veredito

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um excelente RPG de ação que demonstra claramente suas influências, mas as usa para entregar um jogo único. Ele brilha em seu combate, exploração e uma boa história que fazem com que cada hora valha a pena.

90

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo