Análises

Life is Strange: Reunion – Review

O primeiro Life is Strange foi algo especial. É um dos únicos jogos do gênero adventure que realmente gostei de jogar pelo enredo e sempre recomendo quando surge a oportunidade. Porém, o restante da série, apesar de estar longe de ser algo ruim, nunca conseguiu trazer a mesma magia do original.

Life is Strange: Double Exposure tentou apelar trazendo Max de volta, mas mesmo assim foi um jogo pouco ousado. E agora temos Life is Strange: Reunion que resolve reviver Chloe, independente do que aconteceu no primeiro jogo. Não vou negar que a ideia de termos uma continuação com as duas personagens me animava, mas Life is Strange: Reunion acaba sendo uma aposta muito segura e sua história no geral não empolga.

Life is Strange: Reunion

Primeiramente, Life is Strange: Reunion é uma sequência direta de Double Exposure. Se você não jogou, recomendo fortemente que faça isso antes de ficar interessado no novo game. A ambientação é exatamente a mesma, vários personagens retornam e a história ocorre logo após os acontecimentos de Double Exposure. Em outras palavras, não espere que exista um resumo: o jogo assume que você jogou o antecessor. Obviamente, o original também é muito importante ter jogado também.

Isso talvez é o que torna a experiência de Life is Strange: Reunion um pouco estranha. Não passar o ar de um novo jogo; parece uma expansão do anterior, mas com a presença de Chloe e com Max retrocetendo no tempo, ao invés de visitando linhas do tempo paralelas.

Life is Strange: Reunion

O gameplay de Life is Strange: Reunion é o que você espera que seja: controlamos Max e Chloe conforme a história avança (o jogo alterna entre elas). Com Max, temos a mesma mecânica vista no primeiro título: é possível voltar no tempo e tomar decisões diferentes quando necessário. Max também leva objetos com ela quando viaja, então pode pegar algo e retornar ao passado como se não tivesse acessado o local.

Já Chloe não tem esse poder, mas devido ao seu temperamento explosivo digamos assim, existe uma mecânica de bate-boca com alguns personagens. Você deve escolher opções que faça o seu “oponente” ficar intimidado e abrir o jogo ou o que quer que Chloe esteja atrás com aquela pessoa.

Life is Strange: Reunion

A história em si é o que mais me decepcionou no geral. A forma que lidaram com Chloe aparecendo independente do que ocorreu no primeiro jogo foi bem pensada, mas a motivação que leva os personagens adiante é um pouco estranha.

Sem entrar em muitos spoilers, Max retorna para a Universidade Caledon após uma viagem em um fim de semana a Nova York. Ao chegar lá, encontra tudo em chamas e avista seus amigos morrendo – inclusive o que parecia ser Chloe. Desesperada, ela se lembra de uma selfie que tirou antes de iniciar a viagem e, usando seu poder de focar em uma fotografia e retornar ao momento exato em que foi tirada, Max consegue “voltar no tempo” e fará de tudo para impedir que o incêndio aconteça.

E como Chloe está viva? Bom, de novo sem entrar em muitos spoilers, no final do jogo anterior, Max simplesmente une as duas linhas do tempo que existiam durante a história e, assim, acaba deixando tanto Chloe quanto Arcadia Bay intactas. Isso obviamente terá consequências e o jogo explora isso também (além da preocupação de evitar o incêndio).

Life is Strange: Reunion

O que incomoda na história é que ela é simples e previsível. O primeiro Life is Strange me impactou (e provavelmente muitos outros) pelos temas que abordou, assim como era impossível prever o que ia acontecer em seguida (até hoje me recordo do impacto do efeito borboleta que Max causou ao tentar salvar o pai de Chloe, sem contar toda a parte de Jefferson).

Mas Reunion não tem essa montanha-russa de emoções. É quase um passeio no parque. A investigação de impedir o incêndio, que deveria ser algo secundário talvez, é o que move os personagens. Momentos que deveriam ser emocionantes acabam sendo pouco desenvolvidos. É difícil explicar pois não sou eu quem deveria criar essas cenas, mas o que vejo como espectador acaba sendo algo simples.

Life is Strange: Reunion

Simples não quer dizer necessariamente ruim. A história é “ok” e há momentos bons. Mas, sinceramente, esperava muito mais.

Mas vale destacar o trabalho de todos os dubladores (em inglês): é sensacional. É o que traz emoção às cenas. Também vale destacar a localização para o português do Brasil e o estilo artístico adotado que é bonito de forma geral, apesar de alguns bugs (como transições de cenas teleportando personagens ou até mesmo um ambiente noturno que ficou diurno em minha jornada – mas um retorno ao menu principal consertou).

No fim, serei direto: se você gostou de Double Exposure, provavelmente gostará de Reunion. Se sente muita falta de Chloe por ser fã da personagem, também vale conferir. Agora se você esperava algo emocionante como o original ou uma história inesquecível… esqueça.

Life is Strange: Reunion está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Square Enix.

Veredito

Life is Strange: Reunion é um bom jogo da série, mas aposta muito no “seguro”. O gameplay é ótimo – como voltar ao tempo com Max e as partes com a Chloe. O trabalho dos dubladores dos personagens é sensacional. Mas a história não é aquela montanha-russa de emoções que a série é conhecida. Do início ao fim é como se fosse um passeio de parque num domingo à tarde.

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