Análises

ROMEO IS A DEAD MAN – Review

Suda51 é um criador cujos jogos podem ser a definição de “Estilo sobre Substância”, no entanto, o autor conseguiu um público nichado de fãs por, justamente, conseguir produzir obras com temáticas altamente incomuns e quase incompreensíveis que, por sua vez, as tornam memoráveis. Entre seus títulos estão jogos como The Silver Case, Killer 7, No More Heroes, Killer is Dead, Let it Die, entre outros que conseguiram conquistar um público. Romeo is a Dead Man é o mais novo título do criador e afirmo que sua temática é uma das mais exageradas em toda a carreira de Suda51.

ROMEO IS A DEAD MAN

A história do jogo se inicia quando Romeo, delegado na pequena cidade de Deadford, resolve abandonar a cidade com sua namorada, Juliet. Em uma noite antes da partida definitiva, Romeo é atacado por uma estranha criatura que remove seu braço e metade de sua face. Por obra do destino, Romeo é salvo por seu avô que cruzou uma fenda tempo-espaço para salvar seu neto com um aparelho que o transforma em um Dead Man: Alguém morto, porém vivo. E com uma espada relativamente grande e um capacete que parece retirado de Ultraman. Após se transformar, Romeo é levado ao FBI para se tornar um candidato a agente, sendo que o FBI é uma polícia intergaláctica que viaja os cosmos atrás de criminosos que afetam o tempo-espaço que foi destruído justamente na cidade de Deadford. A missão de Romeo como parte do FBI é capturar ou matar esses criminosos e Juliet é a maior criminosa desse meio, portanto,o objetivo principal de Romeo é matar Juliet. 

Se você não entendeu quase nada do parágrafo anterior, você entendeu bem o espírito do jogo. Romeo is a Dead Man tem conceitos tão abstratos e misturados entre si que torna a história muito confusa e, portanto, difícil de se conectar com a mesma em qualquer nível que não seja de uma compreensão extremamente rasa. Como exemplo, o avô de Romeo se tornou uma arte 2D nas costas do protagonista (sim, você não leu errado) e o diálogo entre os dois é realizado para expor os dilemas de Romeo na busca pelos criminosos que afetam o tempo-espaço e de Juliet. É uma forma do jogo conectar o jogador ao protagonista, no entanto, o resultado nunca é satisfatório, pois é praticamente impossível discernir fatos das desilusões de Romeo ou de seu criador. 

ROMEO IS A DEAD MAN

Por um lado, pessoas que adoram o inesperado e sem a necessidade de sentido irão provavelmente adorar o jogo. O jogo tem vários momentos de narrativa experimentais e, duas em particular, achei genuinamente interessantes e espero que se tornem títulos próprios um dia. Por outra perspectiva, onde certamente se encaixa minha experiência, vai ser uma experiência definitivamente memorável, porém frustrante devido a uma falta de nexo em uma jornada que durou cerca de 15 horas. Se você aguardar uma explicação de última hora para justificar tudo que acontece, não vai acontecer. Então o que resta é simplesmente aproveitar a viagem por mais insana que seja. 

A jogabilidade de Romeo is a Dead Man pode ser descrita como uma mistura de No More Heroes com Let It Die. Ou seja, um jogo de ação tradicional com alguns elementos pontuais de jogos no estilo Souls. Romeo têm acesso a quatro armas de curto alcance e outras quatro armas de fogo que permitem o personagem alterar o combate entre combos simples e curtos e atirar em seus inimigos. O tiro, em particular, é útil para destruir os pontos fracos dos inimigos e permite causar um grande dano de maneira relativamente rápida. As armas de curto alcance seguem o padrão simples da grande maioria de jogos de ação: um ataque fraco e mais rápido, um ataque mais forte, amplo, porém mais lento e combos utilizando os dois botões. A mecânica principal do combate em curta distância é que Romeo absorve o sangue de seus inimigos e, após alcançar uma certa quantidade, é possível desferir um poderoso golpe que também recupera vida. A dinâmica é interessante, pois incentiva um certo nível de agressividade por parte do jogador mesmo que tome dano no processo. 

ROMEO IS A DEAD MAN

É difícil descrever o jogo como um título de ação pura ou como um soulslike por seu balanceamento ficar em um meio termo entre os dois. Você não pode ser completamente agressivo como em No More Heroes e, ao mesmo tempo, também não necessita ser extremamente metódico e cauteloso como em Let It Die. Combate contra chefes, especialmente, ilustram bem essa dualidade, onde é possível realizar combos simples e bastante danosos contra chefes e ainda ter que aprender seus padrões de ataque, pois qualquer erro pode custar bastante vida. Salvo algumas exceções, Romeo is a Dead Man não é particularmente um jogo muito difícil, no entanto, os cenários que efetivamente se tornaram desafiadores foram por um excesso de inimigos em cenários fechados e por uma falha de balanceamento em relação a certos ataques de chefes. 

O combate funciona bem, mas as mecânicas e apresentação nunca me satisfizeram como em NMH ou em Let It Die que são experiências mais focadas. Assim como sua história, o design dos bosses é particularmente único e, francamente, bem interessante. As fases, tematicamente, variam em localidades de Deadford perdidas pelo tempo e também trazem algumas escolhas de localidades inusitadas para o jogo. No entanto, o level design se torna bastante confuso, novamente, pela insistência de se colocar algo diferente no jogo. 

ROMEO IS A DEAD MAN

Os níveis são amplamente lineares e, eventualmente, Romeo vai encontrar uma televisão e deve entrar nela para explorar uma espécie de mundo digital. No mundo digital não há combate, somente alguns quebra cabeças simples e buscar itens. Eventualmente, o jogador encontra uma outra televisão, retorna ao mundo real em outra localidade, e continua avançando o nível até encontrar o chefe. Essa alternância entre mundo real e mundo digital cria dois problemas principais: O mundo digital destrói o ritmo dos níveis por introduzir zonas extensas completamente sem combate e, também, é bastante difícil de explorar um espaço que é lotado de entradas e saídas que nem sempre são lógicas. 

ROMEO IS A DEAD MAN

Essas pequenas frustrações sem nexo estão espalhadas por todo o jogo. Para melhorar os atributos de Romeo, é necessário jogar um minigame sobre explorar um labirinto e os pontos de experiência são utilizados como combustível para mover seu personagem. Intrigante a primeira vez que você faz e cansativo quando você necessita ajustar seus parâmetros na décima. Suas armas evoluem utilizando um minério raro, no entanto, isso fixa o jogador em uma única configuração de armas a menos que esteja preparado para grindar bastante. Habilidades especiais são obtidas plantando zumbis e tem todo um processo de colheita feliz para o mesmo. Calabouços gerados aleatoriamente espalhados pelos cosmos e pelos mapas, dos quais todos são chatos de navegar e não tem um mapa para facilitar o mesmo. Muito da experiência de Romeo is a Dead Man se resume a algo intrigante, mas repetido a nível de se tornar cansativo.

ROMEO IS A DEAD MAN está disponível para PS5, Xbox Series e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela NetEase.

Veredito

ROMEO IS A DEAD MAN é uma experiência única, intrigante e, ao mesmo tempo, sem foco e frustrante. É um jogo difícil de recomendar, pois imagino que um alguns amarão o título e ignorarão suas piores peculiaridades, enquanto que a grande maioria vai se ver com um título confuso quanto ao que deseja ser exatamente.

60

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