Falar sobre Two Point Museum é sempre divertido, mas admito que o anúncio da expansão Zooseum me deixou um pouco desconfiado quanto à forma como a gestão de zoológicos se encaixaria no jogo. Talvez isso aconteça porque vejo um potencial para um título inteiro sendo parcialmente desperdiçado aqui. Além disso, embora o DLC amplie o número de exibições e introduza um novo cenário de museu, ele ainda passa a impressão de trazer poucas novidades para a jogabilidade como um todo.
A criatividade sempre foi um dos pilares da Two Point Studios. Justamente por isso, imaginar as possibilidades que a equipe de design artístico poderia explorar em sua interpretação do reino animal faz com que Zooseum acabe soando um pouco raso. Não quero dizer que as mais de quarenta novas exibições não tenham passado pelo filtro inventivo do estúdio, mas o pacote, no geral, parece desconexo em relação ao que foi apresentado em Two Point Museum.

A fuga do óbvio de Zooseum oferece a oportunidade de explorar uma alternativa totalmente fora do comum para o jogo. Por outro lado, um cenário de museu completamente novo acaba obrigando o jogador a combiná-lo com outros temas caso queira ir além dos objetivos iniciais da campanha.
Nesse ponto, as exibições de Vida Marinha e Botânica surgem como as opções mais dentro do contexto da biologia, com o tema de pré-história também podendo ser inserido como em um cenário de um museu de história natural. Contudo, ainda não consigo ignorar o fato de que Zooseum parece não oferecer conteúdo suficiente para se sustentar por conta própria.
A nova campanha é bastante simples. O milionário Wiggy Silverbotton é um apaixonado pela vida selvagem que está oferecendo uma de suas mansões para ser usada como um lar para animais ameaçados de extinção. Como um curador experiente do Condado Two Point, cabe a você expandir esse novo museu (ou zoológico) enquanto gerencia uma equipe de especialistas em vida animal para explorar o mapa das Ilhas Isoladas em busca de espécies das mais curiosas.

Esses animais se dividem entre aqueles que podem ser mantidos em terrários e os que exigem habitats mais amplos. Cada espécie possui necessidades específicas relacionadas ao seu bioma de origem, ao tipo de alimentação e até às condições ideais de acomodação, que influenciam diretamente no aumento do nível de burburinho.
O design da maioria das espécies é bastante divertido, com destaque para zebras de listras em zigue-zague, girafas de pescoço em forma de mola, uma capivara que parece não se importar com absolutamente nada e até um curioso ouriço azul que, segundo dizem, é o mais veloz de todos. Por outro lado, algumas criaturas passam a impressão de terem sido desenvolvidas com um pouco menos de cuidado, como, por exemplo, no caso das cobras, que mudam apenas de cor conforme o bioma ao qual pertencem.
Uma boa novidade da expansão é que, com a introdução dos habitats, as possibilidades de explorar cenários ao ar livre aumentam consideravelmente. Afinal, com exceção dos animais de biomas de neve e de caverna, não faz muito sentido construir esses cercados dentro dos museus.

Embora essa função seja elogiável, ela também expõe um problema que já vem desde o jogo base: as opções de construção de caminhos e de decoração continuam bastante limitadas. Os cercados, por exemplo, só podem ser levantados no formato retangular. Isso é ainda pior no caso dos terrários, que podem ser fabricados em três tamanhos diferentes e possuem visuais próprios para cada bioma, mas cuja personalização se restringe apenas ao seu entorno.
Isso limita bastante a forma de decorar as exibições. Mesmo que novos itens sejam desbloqueados ao longo da campanha, no fim das contas a maioria dos habitats do mesmo bioma acaba parecendo praticamente igual.
Na gestão dos animais, as mecânicas disponíveis são superficiais. Além de poder juntar espécimes de gêneros opostos para que se reproduzam no zoológico, e também ter que se atentar para que predadores não sejam colocados com potenciais presas, o jogador precisa garantir que cada animal que chega passe por um centro especial, ficando livre de doenças que possam ameaçar os demais. Outra função inclui oferecer tratamentos de spa aos bichos, melhorando seu bem-estar e aumentando o nível de conhecimento. Tudo isso influencia diretamente nas chances de reprodução no cativeiro.

Uma vez acomodados, é sua responsabilidade garantir que os animais não fiquem em um habitat mal cuidado e que a comida seja sempre reabastecida, sob o risco de perder todo o grupo caso a qualidade do ambiente diminua significativamente.
Uma parte importante do ciclo da expansão é reintroduzir as espécies em seu habitat natural, contribuindo para aumentar a biodiversidade de cada região das Ilhas Isoladas. Essa mecânica substitui a topografia do jogo base e passa a determinar a qualidade dos animais que poderão ser encontrados em expedições futuras.
Reinserir os animais à natureza também gera pontos, que podem ser usados para adotar novos exemplares de uma lista constantemente atualizada. Além disso, é possível fazer um anúncio para facilitar a localização de um animal ou gênero específico.

Basicamente, isso resume as principais novidades de Zooseum. Algumas outras mecânicas também estão disponíveis, como treinamentos para os especialistas, tornando-os mais eficientes no cuidado com os animais e na manutenção de habitats e terrários. Novos itens podem ser fabricados na oficina, seja para aumentar a biodiversidade durante as expedições ou para atender às exigências dos animais nos habitats. Fora isso, no entanto, não há nada que realmente revolucione a jogabilidade.
Quando comparo com o que foi apresentado em Fantasy Finds, mesmo que a expansão anterior não conte com um novo cenário de museu dedicado, a sinergia entre as exibições e a mecânica dos especialistas inspirada em sistemas de RPG, causaram um impacto muito maior para mim.
Zooseum é uma expansão divertida. Afinal, quando se trata de Two Point Museum, tudo acaba sendo divertido. No entanto, a sensação de que a ideia poderia ter sido explorada em um escopo maior faz com que o saldo final do DLC fique um pouco abaixo do esperado.
Two Point Museum: Zooseum está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas em português do Brasil. A versão de Switch 2 do DLC chega em 2026. Esta análise é da versão de PS5 (no PS5 Pro) e foi realizada com um código fornecido pela SEGA.



