Análises

Lil Gator Game: Gator of the Year Edition – Review

Há um charme muito atraente em jogos que acontecem em pequenos mundos abertos. Como microcosmos eficientes, eles nos permitem explorar espaços interessantes e histórias simples sem ficar enrolando nem nos cansar com longas distâncias.

Talvez o principal exemplar do estilo seja o encantador A Short Hike, mas há outros bons jogos nessa seara, como Littly Kitty, Big City; Petit Island; Alba: A Wildlife Adventure e, claro, Lil Gator Game. Este último já havia chegado ao PS5 há uns tempos, mas, agora, foi reforçado com mais conteúdo divertido: o DLC In the Dark.

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Joguei a edição GOTY (Gator of the Year Edition), que junta em um mesmo pacote o jogo base e o DLC, com uma nova campanha que só pode ser acessada quando a primeira é finalizada, atuando como um prolongamento orgânico da aventura. Vejamos um conteúdo por vez.

O tema em Lil Gator Game é a imaginação fértil da infância, quando conseguimos transpor tudo para histórias e brincadeiras e usamos o faz de conta para compreender e lidar com o mundo. O mundo do jogo é como um enorme parquinho para ser aproveitado e explorado em um longo dia das férias de um jacarezinho animado e engajado em fazer todos se divertirem.

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Há uma história familiar por trás, pois a irmãzona do protagonista, que sempre brincava com ele pelas ilhas, agora cresceu e está cheia de trabalhos da faculdade para fazer. Cabe ao pequeno bolar um jogo de proporções épicas com o máximo de gente que conseguir para tentar fazer a irmã entrar no clima e se juntar a ele, como antigamente.

Como em toda história que fala de crescer, há um certo tempero de nostalgia com uma pitada discreta de melancolia. É uma representação do mundo infantil com a qual, apesar de ser idealizada, é muito fácil de associá-la a uma visão dos “velhos tempos” de cada um, quando a leveza de poder brincar com amigos dava emoção à vida.

O jacarezinho pode escalar, surfar no escudo, planar, vestir roupas diferentes e até usar armas. Como é tudo uma brincadeira de faz de conta, as armas são usadas para quebrar vasos e derrotar “monstros” que, na verdade, são feitos de papelão e tinta e, obviamente, ficam parados enquanto os quebramos.

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O loop de gameplay consiste em fazer amigos pela ilha até somar números suficientes para, pouco a pouco, construir a cidade do parquinho. A parte de fazer amigos pode envolver missões um pouco elaboradas, mas, em mais vezes do que eu gostaria, vi-me apenas tendo que travar um diálogo com a pessoa (que, na verdade, é um animal) ou ter que eliminar os “monstros” ao redor dela.

Ainda que a superficialidade das atividades possa combinar o com o ar de brincadeira casual que é a proposta do jogo, não deixei de me sentir desapontado por não ver na gameplay a mesma criatividade solta na imaginação que vemos no roteiro.

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O incentivo para entrarmos no combate de mentirinha é que ficamos com os destroços de papelão e cerâmica que deixamos em pedacinhos. Esse material é a “moeda” da brincadeira, sendo usado para comprar melhorias e fabricar equipamentos divertidos e úteis.

A exploração em geral é boa e agradável, mas não gostei da forma como a profundidade de visão é diminuída pela paleta de cores, o que dificulta enxergarmos longe e termos uma visão melhor da ilha grande. Isso contradiz o próprio jogo, que sugere subirmos em locais altos para nos localizarmos melhor, uma tática que, aqui, tem eficácia reduzida. Para ter uma ideia da baixa visibilidade, veja a imagem abaixo.

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Outro ponto que deixou a desejar foi a revisão textual na campanha base, com trechos estranhos e até palavras repetidas. Não impede o entendimento, mas é uma distração desnecessária e fica parecendo falta de cuidado. Já os textos novos de In the Dark receberam melhor atenção e não sofrem desse problema.

No final das contas, a brevidade ajuda a não deixar a simplicidade das mecânicas se tornar um problema. Afinal, Lil Gator Game só dura cinco horas. Ou melhor, só durava isso. Agora, o DLC In the Dark tem uma nova campanha inteirinha para aproveitarmos, uma extensão bem-vinda que nos permite ficar mais tempo naquele mundo lúdico, relaxante e divertido.

Com cerca de quatro horas de missão, ela praticamente dobra o tempo total de Lil Gator Game, trazendo um novo pequeno mundo aberto no subterrâneo das ilhas originais, novos amigos e uma história completamente nova que, é claro, ainda fala sobre brincar e fazer amigos, mas com uma perspectiva diferente.

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Ainda que a dinâmica de gameplay não traga novidades relevantes, os novos acessórios compensam com maneiras diferentes de se mover pelo mundo. Na prática, continuamos batendo em “inimigos” de papelão para obter os recursos que nos permite comprar equipamentos, participando de pequenas corridas contra o tempo e realizando pequenas tarefas.

De certa forma, as ideias de gameplay são mais do mesmo. A principal mudança está no design do mundo: em vez de passarmos por cima de montes, rios e florestas acima das ilhas, exploramos as cavernas escuras abaixo delas (ainda podemos retornar à superfície da ilha a qualquer momento).

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Esse novo mundo também é plenamente aberto, porém com uma geografia construída com mais verticalidade e paredes, formando “salões” melhor definidos. Isso me complicou um pouco porque não há mapa para nos guiarmos por lá. Como ainda se trata de um pequeno mundo aberto, não deu tempo de eu me sentir realmente perdido ou frustrado antes de esbarrar em alguma descoberta nova ou encontrar um local ao qual eu queria retornar. Mesmo assim, há NPCs que vi uma vez e que me deu muito trabalho para reencontrar, o que me faz crer que um mapinha simples já ajudaria.

Felizmente, In the Dark quer que as travessias pelas cavernas sejam muito mais um playground para quem joga do que uma pista de obstáculos a ser superada. Como já disse, o DLC só pode ser acessado após finalizar a campanha principal, o que o leva a ser tratado como um pós-game, sem amarras para equipamentos poderosos, que são um ponto alto da expansão. Chega ao ponto de o jacarezinho praticamente virar um Homem-Aranha, balançando agilmente por toda e qualquer parte.

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No fim das contas, se você já gostou do jogo base, a expansão tem tudo para agradar. Se ainda não jogou e gosta da ideia, vale a pena entrar de vez na edição completa, que faz tudo parecer uma gostosa brincadeira de férias.

Lil Gator Game: Gator of the Year Edition está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC via Steam com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Playtonic Friends.

Veredito

Lil Gator Game: Gator of the Year Edition traz em um só pacote a carismática campanha principal e o DLC In the Dark. Mesmo que a expansão não traga mudanças significativas na gameplay, ela dobra o tempo de jogo enquanto mantém a mesma vivacidade de um faz de conta épico, nos leva a conhecer uma região inteiramente nova e aumenta o repertório de movimentos com muita agilidade, transformando ainda mais aquele mundo em um enorme playground para ser feliz.

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