Existem muitas séries de TV que estão fazendo sucesso atualmente, sendo que várias são baseadas em outra mídia, como jogos e quadrinhos. INVINCIBLE é justamente uma delas. Originalmente uma HQ do mesmo criador de The Walking Dead, Robert Kirkman, Invincible ficou bastante popular com a série animada no Prime Video.
E com a popularidade temos a expansão para outras mídias – como os videogames. Já vimos Omni-Man em Mortal Kombat 1 e um título mobile (Invincible: Guarding The Globe), mas Invincible VS é realmente o primeiro jogo de peso da franquia.
O desenvolvimento ficou nas mãos de um novo estúdio conhecido como Quarter Up. Apesar de serem novos, a empresa é composta por ex-desenvolvedores de Killer Instinct do Xbox One e PC. É importante ressaltar isso, pois é notório que o clássico da Rare foi usado como “espinha dorsal” neste novo projeto.
Invincible VS é basicamente um jogo de luta 3×3. Você escolhe três lutadores de um elenco composto de vários personagens característicos da animação e parte para a briga. O que pode assustar um pouco – até mesmo veteranos – é a quantidade de mecânicas que o jogo oferece.
Mas antes de falarmos do gameplay em si, é preciso conversar sobre o conteúdo. Os modos disponíveis são variados e cumprem o seu papel, oferecendo o que se espera de um jogo de luta moderno, como o Arcade, Treinamento e o Online com um netcode via rollback. Quanto a essas partes, não há do que reclamar.
No entanto, o modo história tenta ser um pouco ambicioso e acaba sendo simples. É curto (em menos de uma hora você consegue finalizá-lo) e devemos reconhecer o esforço da desenvolvedora de não apenas replicar o que já vimos na série animada. Aqui há uma história completamente inédita que ocorre entre determinados episódios. Não vou entrar em detalhes, mas digo que passa um ar de episódio “filler” – o que provavelmente foi a intenção original. As animações, por outro lado, ficaram boas e realmente temos a sensação de estarmos vendo um episódio do Prime Video.
Mas em relação ao conteúdo, o que realmente é problemático é a quantidade de personagens jogáveis para um jogo de luta 3×3. Talvez estejamos mal acostumados com o que a Capcom e SNK oferecem quando se trata disso, mas Invincible VS sofre do mesmo mal que Dragon Ball FighterZ em seu lançamento: há apenas 18 personagens. Com esse número, uma luta com dois times diferentes é basicamente 33% do elenco naquela tela. O que quero dizer com isso é que, por ser 3×3, as lutas não se tornam muito variadas.
É claro, já temos outros quatro personagens DLC a caminho. Mas, sinceramente, um número ideal de personagens para um jogo de luta 3×3 é, em minha humilde opinião, 25 no mínimo, com a preferência de 40 ou mais. Se não tem condições de oferecer isso, não faça um jogo 3×3. De novo, isso é apenas o que penso a respeito. Você não precisa concordar com isso.
O coração de um jogo de luta é o seu gameplay e Invincible VS consegue trazer algo único. Como dito, as suas mecânicas são bastante complexas, mas ao menos os comandos em si são simplificados.
Não há “meia-lua” ou “360”. Todos os comandos seguem uma ideia “Smash Bros” ou o estilo Moderno de Street Fighter 6: uma direção e o botão de especial faz o movimento do personagem. Além do botão de especial, há três ataques básicos de níveis diferentes (fraco, médio e forte), enquanto que o R1 é dash, R2 ao ser segurado aprimora os especiais (e o Super), enquanto que L1 e L2 são os botões para interagir com os seus parceiros de equipe. Segure L1 e você realiza a troca deles, enquanto que pressionar levemente o chama para atacar (assist).
Já os Super são ativados pressionando forte + especial (e para trás para realizar um diferente). Como dito, se fizer a combinação desses dois botões com o R2, você ativa o Level 3. Por fim, o R2 com o especial é basicamente um movimento “EX”, gastando uma barra que fica abaixo da vida do personagem (há três de início) e que recupera com o tempo.
Há ainda uma mecânica de troca de cenário, mas que sinceramente não entendi a sua utilidade além de tornar a luta mais cinematográfica.
O que torna Invincible VS complexo é o seu sistema de combo. Um tutorial explica tudo muito bem tudo o que pode ser feito, então recomendo fortemente que você o faça para entender as mecânicas. Mas é aqui que você sente a inspiração de Killer Instinct: a sequência de botões e golpes preenche uma barra que chega no limite e não permite que você continue – a não ser que troque para o seu parceiro continuar o combo.
É nessa situação que tudo fica complicado: se o seu adversário não fizer nada, você pode continuar combando e até mesmo chamar o segundo parceiro ainda para continuar. Mas o adversário pode impedir a sequência de ataques chamando o parceiro dele e é aí que ficam interessante as coisas: se você prever que isso vai acontecer, pode enganá-lo em diferentes situações. Por exemplo, se você acha que ele vai chamar o parceiro para impedir o combo quando você chamou o seu, é possível impedir que seu parceiro ataque, para justamente deixá-lo vulnerável.
Tudo isso, porém, necessita de uma janela de input precisa. É aí que fica complexo: se você chamar o seu parceiro para impedir o combo estendido (com o parceiro do adversário entrando) que está tomando, é preciso chamar no momento certo: se for muito cedo, o combo continua e não há nada que possa ser feito. Tudo isso é basicamente o “Combo Breaker” de Invincible VS.
O sistema de luta de Invincible VS deve agradar veteranos que desejam se dedicar a ele. Jogadores casuais podem “esmagar botão” (considerando que muitos vão conferir o game pela popularidade da série), mas no online não irão longe.
Invincible VS oferece ótimos gráficos, uma dublagem excelente (em inglês) com a maioria dos atores da série, gráficos muito bonitos (principalmente os modelos) e muita – mas muita – violência. Muitos golpes, principalmente os Supers, podem literalmente destruir o oponente se for executado como movimento final da luta. É claro, as animações não são exatamente perfeitas – muitos movimentos parecem bruscos. Mas isso parece assim apenas inicialmente – quando pegar o jeito do jogo ou assistir à lutas de pessoas que sabem jogar, verá que as animações fluem melhor. É algo estranho sim, mas é a impressão que tive.
No fim, Invincible VS é um bom jogo. A sua mecânica insipirada em diferentes jogos – desde Marvel vs Capcom a principalmente Killer Instinct – é boa, acessível, porém difícil de masterizar. Exige treino e dedicação. Já os modos single-player são básicos, cumprem seu papel e devem satisfazer quem busca jogar um jogo baseado em sua série favorita.
Invincible VS está disponível para PS5, Xbox Series e PC com legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Skybound Games.








