Análises

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake – Review

Que eu sou um fã da franquia Fatal Frame, isso não é novidade para quem acompanha o site e já viu minhas últimas análises aqui de Fatal Frame Maiden of Black Water e Fatal Frame: Mask of the Lunar Eclipse. Porém, eu devo dizer que tenho um apego muito especial a Fatal Frame II: Crimson Butterfly, o segundo título da franquia que foi lançado originalmente para PlayStation 2 em 2003 e que zerei em todas as dificuldades, incluindo a Nightmare, para ver os melhores finais.

Na época, o jogo seguia o tradicional formato dos títulos do gênero, como em Silent Hill, por exemplo: visão por cima, muito backtracking e puzzles. Mesmo com as limitações gráficas do PS2 (se olharmos com a visão de 2026), o título entregava um terror amedrontador, capaz de fazer até o marmanjo mais corajoso dormir de luz acesa.

Hoje, mais de 20 anos após o lançamento do jogo original, a Koei nos presenteia com o Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake. Com gráficos aprimorados, mecânicas inéditas e sustos ainda mais realistas, esse chegou sendo mais uma promessa de trazer o antigo terror de volta, sendo um dos mais assustadores da franquia a ser relançado para os consoles da nova geração. A pergunta que fica, no entanto, é: será que conseguiu?

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
As cenas de Fatal Frame são, em sua maioria, pertubadoras. Fonte: PS5 Create

Fatal Frame II: Crimson Butterfly sempre foi meu jogo favorito da franquia, e não digo isso apenas pela incrível – e macabra – história, mas também pelos personagens, que, mesmo mortos, trazem um pano de fundo extremamente dramático sobre como eles chegaram àquela situação.

Aqui você acompanha a história de Mio e Mayu, irmãs gêmeas que, do absoluto nada, se veem perdidas em uma vila misteriosa que não existe no mapa. Durante a jornada, você encontra a Câmera Obscura, único equipamento capaz de enxergar o que os olhos não podem ver.

Com o item em mãos, Mio parte em busca de Mayu, que se perdeu no processo, e começa a descobrir as maiores atrocidades da vila, incluindo um conhecido ritual que, por muita coincidência, envolvia todos os irmãos gêmeos do local. Qualquer coisa além daqui é spoiler, então evitarei falar muito sobre a história.

Fatal Frame não é um jogo que se vende pelas cenas. Tudo o que você precisa saber está nos documentos encontrados nas casas ou na área externa da vila. Infelizmente, o jogo não está localizado para o português do Brasil, fato que pode prejudicar um pouco a experiência de quem não tem domínio da língua. No entanto, se você decidir se aventurar por aqui – ou queira reviver, caso tenha jogado o original -, posso garantir que terá uma das melhores experiências de terror da sua vida. E não, não é exagero.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Eu amo Fatal Frame, mas esse é o único que me dá pesadelos (é sério). Fonte: PS5 Create

Controlar a Mio com a visão por trás da personagem é muito mais intuitivo e imersivo do que aquela que vimos em 2003, época em que nem se pensava muito em fazer jogos de terror por esse ângulo. Porém, notei que o medo causado pelos espectros diminuiu em comparação à versão original. Claro que você continua tomando vários sustos das almas penadas que surgem atrás das portas ou pegam no seu braço do nada, mas quando as batalhas ficam “acaloradas”, o medo se vai e você se sente capaz de encarar o exército do próprio inferno, se fosse preciso.

Para tentar trazer mais terror para Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake, eles adicionaram um filtro de film grain, deixando a aparência do jogo como em um verdadeiro filme de terror antigo, cheia de granulados. Sendo honesto, isso mais prejudicou a experiência do que propriamente a melhorou de alguma forma. Em diversos momentos eu não conseguia sequer enxergar o que estava na minha frente por causa desse filtro, mesmo com o brilho equilibrado. Quando se abre o modo foto, por exemplo, a tela fica limpinha, sem qualquer alteração, deixando o jogo visualmente maravilhoso. Ver aquilo me deixou com a seguinte pergunta na cabeça: por que deixaram esse filtro péssimo sem a opção de desligá-lo?

Esse problema com o filtro pode ser facilmente consertado via atualização, mas durante o período de análise confesso que foi frustrante jogar no PlayStation 5 Pro com uma qualidade gráfica e performance que não condizem com o que eles vendem para o aparelho.

Com exceção desse filtro horrendo, devo dizer que os gráficos de Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake estão lindos. É possível ver nitidamente os detalhes dos espíritos, especialmente daqueles espectros mais perigosos, que antes pareciam um monte de coisas “encavaladas” umas nas outras, sem os devidos detalhes que mostravam o porquê de eles serem únicos.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
O jogo possui diversos puzzles, e a câmera Obscura é necessária para resolver a maior parte deles. Fonte: PS5 Create

Eu sou o tipo de jogador que adora explorar cada canto do cenário em busca de itens, e Fatal Frame me deixa feliz por justamente ter muitos locais para sair caçando coisas por aí. Além das missões principais, existem também algumas secundárias, que podem (ou não) ser feitas enquanto a de história estiver em andamento. Não pense você que só porque explorou determinada área, não haverá nada de novo quando voltar. Muito pelo contrário. Aqui você é incentivado a revisitar os locais diversas vezes, e não que isso seja ruim; na verdade, cada ida é uma experiência única, seja para o bem ou para o mal.

Outra coisa que eu gosto bastante aqui é o backtracking para a resolução dos puzzles e o andamento da história, que não é chato ou tedioso, já que, como mencionei anteriormente, cada visita é uma experiência única, seja pela aparição de novos inimigos ou itens que originalmente não estavam lá. Além disso, voltar a esses lugares te dá uma percepção melhor do que rolou na vila e você fica sabendo cada vez mais sobre os acontecimentos que antecederam sua chegada.

Por falar em itens, Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake consegue ser muito generoso no que diz respeito a quantidades. É possível usar alguns filmes mais fracos que são ilimitados, enquanto não encontra algo mais poderoso. No entanto, dificilmente você fica sem (ao menos no modo normal) itens de cura ou um “arsenal” para sua máquina.

Para aprimorar a Câmera Obscura você precisará de mais de uma partida. São muitos upgrades que a deixam cada vez mais poderosa e facilitam ainda mais as novas partidas. Mas claro, esse não é o único motivo que fará você jogar Fatal Frame pela segunda ou terceira vez, afinal, assim como outros jogos da franquia, esse aqui possui diversos finais, que variam de acordo com algumas condições impostas e que devem ser concluídas.

Mesmo com diversos finais, sabemos que, na real, só existe um verdadeiro para o jogo (que inclusive pode ser visto como Easter Egg em Fatal Frame III: The Tormented), mas nós gostamos de nos iludir e fazer os finais que achamos que seriam os “ideais” para nós.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Embora as cenas não sejam suficientes para contar a história toda, é incrível ver o avanço gráfico nessa versão através delas. Fonte: PS5 Create

No início desse review, eu levantei a seguinte pergunta: será que Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é realmente o mais assustador e bem feito da franquia? A resposta é sim, sem sombra de dúvidas.

Eu tenho um carinho muito especial por Fatal Frame II por diversos fatores, sendo um deles o primeiro jogo de terror que fiz questão de fechar em todas as dificuldades para ver todos os finais. Porém, o que me chamou a atenção nele também foi o fato dos personagens serem carismáticos e despertarem essa sensação de “dever” com eles, sendo você o responsável por proteger a irmã mais nova e trazer alguma “redenção” pela culpa que a Mio carrega consigo.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake pega tudo de bom que o original trazia e melhora de uma maneira absurda, trazendo a experiência definitiva do jogo para os jogadores, com uma trilha sonora de arrepiar e jogabilidade intuitiva. Infelizmente, a falta de uma opção para desligar o film grain e a performance afetaram a nota final, mas isso não diminui o incrível título que ele é.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake está disponível para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC sem legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 (no PS5 Pro) e foi realizada com um código fornecido pela Koei Tecmo.

Veredito

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é a experiência definitiva de um dos clássicos do terror de 2003. Com gráficos aprimorados, mecânicas inédias, alto fator replay e uma história que oferece um peso significativo para os jogadores, o título se consolida como um dos melhores jogos da franquia disparado.

90

Rui Celso

Jornalista que decidiu se aventurar no mundo gamer desde o tempo em que as revistas eram a principal fonte de informação deste mundo do entretenimento. Hoje eu expandi meu universo e também faço parte do backstage deste universo atuando como Assessor de Imprensa. Só pra constar: Paper Mario é o meu jogo favorito da vida.

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