Death Stranding é recheado de momentos catárticos. Tanto no primeiro jogo quanto na sequência, há ocasiões durante a história principal que engatilham músicas específicas, refletindo a trajetória do jogador naquele momento. Em uma das seções mais avançadas do jogo, fazendo entregas na região montanhosa, um desses momentos me pegou: sofrendo com o terreno irregular, visibilidade baixa e o frio congelante desgastando gradualmente minha estamina, eu penava para encontrar pontos de conexão para colocar as zip-lines (uma das melhores ferramentas de locomoção no jogo). Por fim, depois andar pra cima e pra baixo ligando zip-lines e finalmente caminhando para a parte final da missão, a música Patience, do Low Roar, começa a tocar.
A banda islandesa, para quem não está familiarizado, está proeminentemente presente na trilha sonora do primeiro jogo e é tida como um dos pilares musicais de Death Stranding. As melodias melancólicas e enevoadas do grupo são parceiras perfeitas para o tom que o jogo evoca – mais ainda em Death Stranding 2. Quando Patience começou, todo aquele esforço “clicou” e a jornada fez um pouco mais de sentido. O que me restou após esse momento foi um suspiro e um sentimento difícil de definir, que eventualmente me inspirariam a escrever esses parágrafos.
Death Stranding 2: On The Beach segue um caminho inusitado em relação a outras sequências dirigidas por Hideo Kojima. Até então, a ideia sempre foi reinventar e, quase nunca, complementar. As aventuras de Sam Bridges para reconectar a América do Norte no primeiro jogo ganham um peso maior na sequência, já que o protagonista precisa fazer a mesma coisa, mas em uma escala maior e com ameaças ainda mais severas – sim, Higgs está de volta e mais psicopata do que nunca. Agora ele deve reconectar parte do México e o continente australiano inteiro.
A variedade de armas e equipamentos é maior do que nunca, a narrativa conta com setpieces malucas e cutscenes dignas de um longa metragem de alto orçamento. Não há uma reinvenção do gênero aqui, e sim um aprimoramento de tudo o que vimos no primeiro jogo.
E isso não necessariamente é uma coisa ruim. O primeiro Death Stranding, como uma IP inédita, se apresentou como inovador (inclusive o próprio Kojima afirmou que “inventou” um gênero novo para o jogo). Logo, como acontece com quase toda nova propriedade intelectual numa primeira iteração, havia espaço para mais acabamento e melhorias de algumas mecânicas e ideias. O combate, por exemplo, era relativamente simples com poucas possibilidades criativas. Embora a versão Director’s Cut tenha adicionado alguns brinquedos diferentes, o escopo ainda era limitado. Já em Death Stranding 2, temos um verdadeiro playground – inclusive com opções de furtividade bem mais robustas do que no precedente. Houve a adição de mais armas usadas no combate contra humanos, BTs e mechs, mais opções para o construtor portátil (PCC), novos equipamentos como exoesqueletos, luvas e vestimentas; enfim, uma infinidade de possibilidades. Neste sentido, são bastante claras as influências de Metal Gear, principalmente de Phantom Pain.

Falei sobre o jogo, mas a estrela dessa análise aqui é o port de PC. É difícil não ser repetitivo quando o assunto são bons ports, já que não há muito o que falar a não ser sobre a qualidade e algumas novidades presentes para quem vai experimentar o jogo pela primeira vez. Como de costume, vamos começar com as tecnologias que estão presentes nessa versão: o jogo conta com suporte a DLSS, FSR, XeSS e uma tecnologia nativa da engine chamada PICO. Desenvolvido pela Guerrilla Games para a Decima Engine, esse upscaler é o mesmo que o jogo usa no PS5 e pode operar com qualquer placa de vídeo e em combinação com todas as tecnologias de frame generation disponíveis.
O jogo também conta com suporte para displays super e ultrawide, como 21:9 e 31:9. Inclusive, um display com essa proporção nem mesmo é necessário para visualizar o jogo nesses formatos, já que é possível configurar o formato ultrawide até em monitores widescreen comuns. As cutscenes são adaptadas para um formato 21:9, visto que o Kojima não perde a oportunidade de encarnar um diretor de cinema.
Uma coisa em que não notei muita diferença foi na qualidade da imagem entre versões. A Decima Engine entrega um resultado tão fidedigno que a diferença mesmo vai ser na resolução nativa que o seu computador consegue proporcionar. Sombras, texturas e outros aspectos técnicos estão equivalentes. A performance do jogo também foi bem satisfatória, tirando alguns breves trechos onde o cenário deu uma estressada no meu hardware: no começo do jogo, ainda no México, naquela tempestade de areia pude sentir meus fps sofrendo um baque considerável. Porém, não senti que esse problema se estendeu para outras áreas do jogo – possivelmente apenas nesse trecho em específico.

Entretanto, existe um problema bem considerável que devemos mencionar: o preço. Quase um ano depois de seu lançamento original no console, a cobrança do preço cheio (e não regionalizado) de R$399,90 para a versão normal e R$449,90 para a deluxe no Steam é difícil de engolir. Não é difícil de encontrar a mídia física para PS5 abaixo dos R$250, deixando ainda mais complicado justificar esse preço. O Steam é uma loja onde muitos desenvolvedores optam por preços regionalizados, tornando seus jogos mais acessíveis para regiões com moedas desvalorizadas em relação ao dólar. Aliás, fazendo a conversão direta, o valor original da versão americana (70 dólares) ficaria por volta de R$350 – ou seja, ainda abaixo do preço listado no Steam.. Não só isso, mas a versão brasileira é uma das mais caras da plataforma, perdendo até para o euro e a libra esterlina.
Portanto, minha recomendação desse port fica para quem não tem o console da Sony, não teve a oportunidade de experimentar o jogo e pode arcar com esse valor acima da média. Claro, existem promoções, mas é improvável que o jogo fique mais acessível tão cedo. Para uma versão que não acrescenta muita coisa em relação ao PS5 e custa quase o dobro, fica difícil de vender o peixe.

Death Stranding 2: On The Beach é um jogo incrível e sua versão de PC faz jus à calorosa recepção que teve no lançamento original para PlayStation 5. Entretanto, mesmo sendo um bom port, não traz muitas melhorias ou recursos revolucionários que justifiquem o preço cheio de R$399 no Steam. Para uma análise mais aprofundada do jogo em si e o que faz ser tão bom, confira nossa review do game para PS5.
Jogo analisado no PC com código fornecido pela Sony Interactive Entertainment.
PC utilizado na análise:
- Processador: AMD Ryzen 7 5700X
- Placa de vídeo: RTX 4070 GALAX 1-Click OC 2X
- Placa-mãe: ASUS TUF B450M-Plus Gaming
- Memória RAM: 32GB (16×2) Kingston Fury Renegade 3600MHz
- SSD: NVME Crucial P1 1TB




