AnálisesPS3

Battlefield: Bad Company 2

Análise

NOME: Battlefield: Bad Company 2
FABRICANTE: DICE
PLATAFORMA: ps3
GENERO: FPS
DISTRIBUIDORA: Electronic Arts


LANÇAMENTOS
05/03/2010 05/03/2010 Não disponivel


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Número de jogadores: 1 (Online: 2-24)

Definição: 720p

Conteúdo adicional (DLC)

Troféus


Poucas coisas no mundo dos videogames parecem ter uma relação tão profunda quanto a que o gênero FPS tem com o Multiplayer. Trata-se, afinal, do gênero mais popular da geração com a mais recente febre dos desenvolvedores. Enquanto alguns poucos títulos como Bioshock se esforçam para deixar o componente Multiplayer longe e tentam abraçar com todas as forças uma história complexa focada apenas em seu Single Player (lembrem-se que, embora Bioshock 2 possua um componente multiplayer, Bioshock Infinity já parece querer abandonar esse conceito), existem outros jogos, como M.A.G. que nem sequer possuem um modo Campanha e se focam em uma experiência Multiplayer extremamente profunda. Battlefield: Bad Company 2, sequência do título lançado em 2008 para PS3 e 360, tende com muito orgulho à segunda categoria, embora ainda não abandone por completo sua campanha Single Player.

Talvez tenhamos enterrado no fundo de nossa mente que a série Battlefield é, classicamente, um FPS situado na Segunda Guerra Mundial, o que não é bem verdade, já que Battlefield 2, em 2005, já era “moderno” (segundo a DICE, porque o mercado era carente de jogos com ambientação contemporânea). Daí em diante, especialmente com o sucesso do primeiro Modern Warfare, vários shooters começaram a transição para um mundo moderno e mais realista – “dark and gritty” como dizem os americanos. Essa tentativa de dar um aspecto mais “foto-realista” aos jogos criou, de certa forma, um estigma na geração: a paleta de cor marrom/preto pela qual tantos jogos são criticados. BC2 chega a surpreender nesse aspecto em alguns momentos, com fases variadas e com cores por vezes vibrantes. Não espere algo como Uncharted ou o futuro Enslaved, mas é definitivamente mais colorido e bonito que os shooters habituais. Não bastassem as cores, os gráficos são de fato espetaculares: os modelos dos personagens são bem construídos, as armas são bastante detalhadas e os veículos são espetaculares – e quase todos que você vê podem ser usados, de tanques a UAVs. Entretanto, o que mais chama a atenção são os cenários, amplos no Single Player, e gigantescos no Multiplayer.

 

 

O diferencial destes cenários, porém, não é sua construção, e sim sua destruição. Praticamente tudo em BC2 pode, graças à fantástica engine Frostbite 1.5 e seu Destruction 2.0, ser devidamente explodido em pedaços.  São realmente raras as construções que não podem ser trazidas abaixo com o tiroteio. Essa destruição não é apenas estética, e afeta diretamente o gameplay. Quando uma casa está para ruir, acompanha-se um som característico, e a conseqüência imediata é simples: quem estiver dentro e não conseguir sair estará, obviamente, morto. O mesmo vale para quem tenta se esconder atrás de paredes. Nenhum lugar em BC2 é seguro por muito tempo. A conseqüência futura é maior ainda: um ponto de cobertura estratégico acabou de ser destruído. E se esse ponto estiver próximo a um local de captura? Como conseguir outro ponto de vantagem? E não apenas isso, o rastro de poeira que sobe com cada bala, com cada demolição, influencia de forma importante em sua visibilidade – talvez até de forma exagerada. A rapidez com que tudo acontece faz a estratégia ser um ponto importante em BC2, e a forma como a destruição afeta o gameplay é extremamente bem-vinda. Mais ainda, com toda amplitude e falta de segurança no cenário, BC2 não privilegia os odiados “campers” em momento algum.

Em termos de física, a engine de BC2 confere às armas um dos padrões mais realistas dos FPS. As balas possuem uma física muito boa e fazem uma trajetória em arco – a bala inicia seu trajeto em linha reta e vai caindo conforme a distância. Na verdade, é bem provável que, no início, você sofra um pouco com a mira se for jogar como Sniper – você terá que mirar, dependendo da distância, um pouco (ou bastante) acima da cabeça do inimigo para conseguir o Headshot. As armas são variadas e se comportam de forma bem diferente entre si, até mesmo dentro da mesma classe, sendo que aquela com maior poder de fogo não se restringirá apenas a matar o inimigo mais rápido, mas também afetará a trajetória da bala e a distância que você pode alcançar com ela. De forma geral, a Frostbite 1.5 é tão realista e impressionante que, ao jogar outro shooter SEM essa física, você poderá estranhar.

Realista também é o efeito sonoro dos disparos e dos impactos, com um destaque especial para o efeito de balas passando perto de sua cabeça. As músicas são um pouco apagadas em relação ao restante, e os temas que tocam acabam ficando repetitivos. Uma opção muito bem-vinda, portanto, é a de Custom Soundtrack, permitindo que a qualquer momento você aperte o botão PS e escolha qualquer música que esteja no seu PS3 para tocar. Infelizmente, a CST não toca nas partidas de Multiplayer, apenas na campanha Single Player. Vale lembrar que esse pequeno “defeito” inexiste na versão de 360, já que a CST do console da Microsoft funciona diferente do da Sony.

 

 

O Single Player, aliás, continua a história de Bad Company, colocando o jogador novamente nos polígonos de Preston Marlowe e a Bad Company. Desta vez, eles precisam dar um fim ao conflito EUA x Rússia (como muitos outros jogos têm feito recentemente…), procurando uma arma russa extremamente poderosa. A história da campanha é bastante tediosa, previsível, cheia de clichês, e não empolga. Os personagens, por sua vez, continuam com diálogos divertidíssimos (em uma sequência na neve, um dos personagens comenta como seria bom se infiltrar na neve usando um Heartbeat Sensor, numa referência clara a MW2), embora estejam muito abaixo do visto em BC1 e seus excelentes trailers-paródias. O Single Player não deve demorar mais que 7 ou 8 horas, com uma eventual volta apenas para conquistar alguns troféus a mais. Não é um primor de campanha, e poderia ser muito melhor desenvolvida, mesmo que curta – algo que os dois MW fazem muito bem.

O que BC2 executa com maestria, porém, é o modo Multiplayer. O esquema de Squads de BC2 é um show à parte, trazendo um novo conceito ao termo “trabalho em equipe”. Claro, outros FPS nos dizem que estamos jogando em times quando nos colocam em Team Deathmatch, mas sejamos francos: TDM nada mais é que um Deathmatch comum em que você tem MENOS gente para matar. Isso não ocorre em BC2. Embora não seja obrigatório, para se aproveitar por completo o Multiplayer, você deve se juntar a um Squad (um grupo de até 4 jogadores da mesma facção) assim que o jogo começa – se você escolher participar, o jogo faz isso automaticamente de forma bastante rápida. Fazendo parte de um Squad, você tem acesso a diversos bônus. Para começar, tudo que você faz com o seu Squad rende mais pontos que se você fizesse sozinho. Segundo, você pode dar respawn em seus companheiros. Terceiro e mais importante, você tem um melhor planejamento sobre o que fazer e para onde ir. Fazer parte de um Squad, especialmente com Headset e com pessoas já conhecidas, pode mudar bruscamente o andar do jogo. O esquema de Squad, na verdade, faz o jogo parecer mais um Multi Cooperativo que Competitivo – ou pelo menos um  meio termo entre ambos -, de modo que até mesmo aqueles que torcem o nariz para modos Multiplayer deveriam pelo menos experimentar o Multiplayer de BC2. O próprio autor não é nenhum fã do Multi de Modern Warfare 2, mas ficou fascinado pelo de BC2.

Em BC2, você tem 4 classes à sua disposição: Assault, Engineer, Medic e Recon. Assault é seu soldado básico, que usa rifles de assalto e podem recarregar a munição dos companheiros. Os Engineers usam sub-metralhadoras, e são especialistas em reparar os veículos do seu time e destruir os do adversário. O Medic, como era de se esperar, pode reviver e curar seus companheiros, enquanto usa poderosas metralhadoras leves para o combate. Por fim, o Recon usa rifles de longo alcance e pode detectar os inimigos. As classes são bem diferentes entre si e são muito bem balanceadas, com apenas o Engineer sendo, talvez, um pouco mais situacional que os outros, mas ainda assim muito bom. Para se destravar mais armas e acessórios nos kits, você deve ganhar pontos, e BC2 mostra aqui, mais uma vez, que privilegia o trabalho em grupo. Não está conseguindo matar muito? Reabasteça munições, jogue minas de deteção e reviva seus companheiros e você ainda pode terminar melhor colocado que os lobos solitários que só se interessam em matar. Praticamente tudo que você faz lhe dá pontos, independentemente do modo jogado.

Falando em modos, para quem está acostumado com os milhares Deathmatches e suas variações, BC2 pode parecer um tanto raso, contando apenas com 4 modos: Rush, Conquest, Squad Rush e Squad Deathmatch. Rush e Conquest são jogados em 2 facções de até 12 jogadores cada (ou seja, até 3 Squads completos de cada lado), enquanto Squad Rush usa dois Squads (máximo de 8 jogadores), e  Squad Deathmatch, 4 (máximo de 16 jogadores). Não se engane: com o tamanho dos mapas e quantidade de estratégias disponíveis, cada partida é decididamente única. Entremos em detalhes.

 

 

Rush é o famoso Gold Rush de BC1, e o modo mais original de BC2. Em Rush, os times são divididos em EUA/Rússia, e um está atacando, tentando destruir os M-COMS e o outro está defendendo, impedindo sua destruição. O time que está atacando tem um limite de 75 vidas, perdendo uma cada vez que um de seus membros morre, enquanto os defensores possuem vidas ilimitadas. As partidas de Rush ocorrem em mapas enormes e abertos, divididos em vários segmentos. Cada segmento possui 2 M-COMS. Destruindo as 2 M-COMS, o time atacante volta a ter 75 vidas e deve avançar para o próximo par de M-COMS, enquanto o time defensor continua a tentar evitar. Para se destruir M-COMS, o time atacante pode recorrer a vários métodos: derrubar o prédio onde o alvo está, atirar com armas explosivas pesadas (C4, tanques, RPG-7 etc.) ou plantar manualmente uma carga explosiva. Com a carga explosiva plantada, cabe ao time defensor desarmá-la o mais rápido possível para evitar a destruição do alvo. É uma mistura de Deathmatch e Bomb Difuse muito divertida e cheia de estratégia.

Conquest é bem mais tradicional: existem de 3 a 4 pontos espalhados por um grande mapa, e cada facção deve tentar controlar o maior número de pontos ao mesmo tempo. Cada lado começa com 250 ou 200 pontos, que vão decrescendo de acordo com a quantidade de pontos que o time adversário controla, e o time que zerar primeiro… perde.

Squad Rush é uma mini-versão de Rush, com um Squad atacando e outro defendendo, em versões menores dos mapas, adicionando mais tensão. É o modo favorito de fazer boosting, pela pouca quantidade de pessoas.

Por fim, Squad Deathmatch é exatamente isso: um TDM com 4 facções, de A a D. A facção que obtiver 50 mortes primeiro ganha.

Vale lembrar que todos esses modos contam com os veículos encontrados na campanha Single Player (mais ainda, talvez), adicionando um fator um tanto quanto imprevisível a cada partida, como o aparecimento repentino de um Apache desmoronando tudo que seu Squad lutou para conseguir. Definitivamente empolgante.

Infelizmente, o Online não é desprovido de críticas – pequenas ressalves que impedem que esse jogo receba uma recomendação ainda maior. As Shotguns, especialmente no Multi, parecem ser um tanto desbalanceadas: o autor já viu diversos outros jogadores usando Shotguns a distâncias de Snipers. Mesmo que estejam em uso de Slug Shots (balas da Shotgun que trocam o Spread Shot por distância), a distância com que as Shotguns fazem One-Hit-Kill é bem assustadora. O lag é, na maior parte das vezes, de inexistente a tolerável, raramente chegando ao ponto de se tornar impossível de jogar, ainda que essas ocasiões existam. Há, ainda, alguns bugs que vão do bizarro ao desesperador.  Recentemente, ao fazer o Deploy no mapa Port Valdez, em Rush, como Atacante, o autor simplesmente apareceu no meio do céu SEM o pára-quedas, ganhando uma morte instantânea por suicídio e um “Epic Fail” do jogo; pouco depois, o jogo simplesmente não registrou mais seus Stats e voltou ao Level 1 (felizmente, isso se corrigiu de forma rápida).

 

 

Por fim, falemos dos dois pacotes de DLC disponíveis: SPECACT e Onslaught.

O SPECACT não é nada mais que novas skins para cada classe. Não há adição de armas novas, apenas a última arma de cada classe com uma camuflagem. É um tanto quanto decepcionante, ainda mais pelo preço cobrado, mas a adição de 12 novos Awards e 4 novos troféus ajudam a estender um pouco a longevidade.

Onslaught, por outro lado, é espetacular. Imagine o SpecOps de MW2 misturado com o Conquest. É basicamente isso: você e até mais 3 amigos juntos, tentando capturar pontos no mapa contra hordas infindáveis de inimigos, capazes de sobrepujar seu grupo pelo número bruto de soldados. É uma ação rápida e tensa, com inimigos literalmente brotando do nada para impedir que você capture os pontos. Em alguns momentos os inimigos aparecem com tanques e helicópteros por todos os lados, e o trabalho em equipe se faz mais necessário do que nunca. As partidas de Onslaught são sempre frenéticas e devem agradar muito quem esperava algum conteúdo de Multi Cooperativo puro. Vale lembrar que tanto Onslaught quanto SPECACT estão disponíveis na versão Ultimate, pelo mesmo preço da edição normal.

 

 

BC2 é um FPS que se destaca basicamente por duas coisas: sua fantástica engine de física e destruição e seu modo online que mistura Cooperativo com Competitivo. São duas diferenças significativas em relação aos outros FPS do mercado que podem fazer com que até mesmo aqueles que não gostam de Multiplayer Competitivo possam se interessar no gênero. Melhor ainda, o jogo conta com um belo suporte de conteúdo adicional – Vietnam vem aí! -, e enquanto a campanha Single Player poderia ser consideravelmente melhor, isso não consegue apagar o fato de que BC2 é facilmente um dos melhores Multis da atualidade – se não O.

95%