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Análise – The Quiet Man

Análise

NOME: The Quiet Man
FABRICANTE: Human Head Studios
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação
DISTRIBUIDORA: Square Enix


LANÇAMENTOS
01/11/2018 01/11/2018 01/11/2018


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (sem Platina)
Espaço necessário: 33,8 GB
Disponível Exclusivamente na PlayStation Store
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Anunciado pela Square Enix durante sua conferência na E3 2018, The Quiet Man era até então uma completa incógnita. Nada se sabia sobre o título, que dividiu palco no evento com nomes como Shadow of The Tomb Raider, Kingdom Hearts III e Dragon Quest XI. Ainda assim fui fisgado pela sua proposta de mesclar cinemáticas feitas em live action e trechos de gameplay em 3D ao estilo beat’n up. Entretanto, para minha decepção, o que estava por vir seria uma das piores experiências que tive neste ano.

Os primeiros sinais que indicam que The Quiet Man é uma experiência problemática podem ser observados em seu enredo e a forma com que foi trabalhado. Durante a primeira jogada, somos inteiramente privados de qualquer tipo de áudio (e legendas) existente no jogo, nos levando à condição de surdez total sofrida por Dane, seu protagonista. Após ser finalizado, os diálogos e sons serão desbloqueados, forçando o jogador a passar por toda a campanha novamente para esclarecer quaisquer dúvidas que tenham sido criadas.

O enredo gira em torno de Dane, um rapaz com deficiência auditiva, e sua jornada para resgatar Lala, a namorada de seu melhor amigo, das mãos de uma gangue que comanda o tráfico de drogas na cidade. Em meio a esse cenário, o jovem ainda será forçado a confrontar seu trágico passado, conforme enfrenta “o calado”, um misterioso inimigo encapuzado com misteriosas habilidades. A experiência é muito curta e dura cerca de duas horas e meia para ser completada (70% deste tempo é destinado à cutscenes) e conta com legendas em português do Brasil.

Infelizmente, os desenvolvedores optaram por criar uma trama rasa, desinteressante e com diversos furos de roteiro que remetem aos clássicos filmes trash dos anos 80. Isso se torna ainda mais evidente quando nos aproximamos do final da trama e a mesma assume inexplicavelmente um caráter sobrenatural e conta com reviravoltas absurdas. Tal abordagem acaba desperdiçando o potencial que a proposta tinha para gerar boas reflexões e críticas sobre a questão da deficiência auditiva na atualidade.

Os personagens não possuem nenhum tipo de desenvolvimento e muitos deles são completamente estereotipados. A interpretação dos atores nas cenas em live action são lamentáveis e, em certas cutscenes que utilizam gráficos do jogo, eles se tornam completamente inexpressivos. Isso ocorre graças ao péssimo trabalho de animação investido em seus modelos 3D.

Diferente do cinema mudo, que abusa de informações visuais e atuações repletas de gestos para explicar ao espectador o que está ocorrendo, The Quiet Man procura recorrer à fórmula tradicional do cinema, com cenas repletas de diálogos e closes enquadrando apenas os rostos dos personagens. Dessa forma, não existe base para construção de um raciocínio lógico em torno dos fatos, se tornando quase impossível inferir sobre qualquer detalhe do enredo. As poucas dicas visuais existentes, como os breves momentos em que Dane se comunica por sinais, se tornam irrelevantes, pois tal linguagem varia conforme a região, e mesmo alguém que saiba libras (linguagem brasileira de sinais) ficaria impotente frente a isso.

O gameplay em The Quiet Man é decepcionante e não oferece nenhum tipo de variação em seu ritmo ao longo de toda a sua campanha. A fórmula empregada aqui é simples: assista à uma cutscene, enfrente meia dúzia de inimigos, siga para a próxima área através de um corredor, derrote mais quatro, e assista à outra cutscene.

As cutscenes são extremamente longas (algumas chegam a durar 15 minutos sem contar o loading) e não podem ser cortadas em nenhuma hipótese. Isso, aliado à ausência de som durante a primeira jogada, colabora para que o tédio tome conta do jogador constantemente. Para piorar, não existem QTE’s (quick time events) ou momentos que exijam algum tipo interação, algo bastante comum no gênero, como pode ser visto em Late Shift ou The Bunker.

Não existe nenhum tipo de tutorial que explique as mecânicas para o jogador e, caso este deseje saber a funcionalidade de cada botão, deverá pausar o jogo e checar nas opções. Os comandos foram totalmente inspirados na série Yakuza e, assim como Kiryu, Dane pode combinar socos e chutes para realizar limitados combos, além de poder agarrar inimigos e desviar de seus ataques. Existe ainda o modo foco, que pode ser ativado ao se pressionar L1, e nesta forma, Dane realizará finalizações em seus inimigos com base nos botões apertados.

O combate é lento, pouco fluído e extremamente raso, não oferecendo nenhum tipo de mecânica que o aprofunde ou o torne mais dinâmico. Os inimigos não oferecem nenhum tipo de resistência, mesmo em dificuldades mais elevadas, além de não possuírem nenhum tipo de variação ao longo do jogo. Como consequência, o jogo acaba se resumindo a esmagar botões sem a menor estratégia para conquistar a vitória. Todas as ações são prejudicadas pela câmera, que além de fixa, constantemente mantém os inimigos fora do campo de visão, dificultando qualquer contra-medida que possa ser feita.

Os gráficos possuem texturas fotorrealistas e a direção de modelagem 3D conseguiu criar modelos bastante fieis dos atores que deram rosto aos personagens. Apesar disso, todo o potencial gráfico é desperdiçado, uma vez que a direção de arte não teve criatividade na produção dos cenários do jogo. Toda a ambientação é completamente genérica e esquecível e não passam de “arenas” para sediar os combates do jogo. Certas localidades ainda foram utilizadas mais de uma vez, apenas se alterando o ângulo da câmera, para disfarçar o seu reaproveitamento. Por fim, animações dos personagens são péssimas e a falta de expressão em seus rostos quebra completamente o impacto de algumas cenas.

A quantidade de problemas técnicos presentes no jogo é assustador e pode comprometer o progresso do jogador ao longo de sua campanha. Existem quedas constantes na taxa de quadros por segundo que são acompanhadas pela má renderização das texturas do cenário. A câmera pode ficar presa em locais inapropriados durante as finalizações, sendo necessário voltar ao menu principal para resolver o problema. Inimigos teleportam pelo cenário ou tem sua I.A. desligada aleatoriamente. Durante os confrontos, é bastante comum presenciar Dane se teleportando na direção de seus inimigos para tentar encaixar um golpe que tenha sido registrado pelo controle. O retorno de áudio do jogo, durante sua campanha com som, é extremamente alto e pode danificar as caixas de som do aparelho que esteja sendo utilizado para reproduzir a imagem do jogo em questão.

Veredito

The Quiet Man é uma completa bagunça e não consegue realizar nada do que propõe com êxito. Sua história é curta, desinteressante, não interativa e não oferece nenhum tipo de reflexão ao jogador. Sua jogabilidade é monótona, rasa e repleta de problemas técnicos. É uma vergonha que uma renomada empresa como a Square Enix permita o lançamento de um título tão problemático como The Quiet Man. Infelizmente, em seu estado atual, o jogo não deveria nem estar sendo vendido como uma versão “Alpha”.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Square Enix.

25%