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Análise – Dragon Ball Z: Kakarot

Análise

NOME: Dragon Ball Z: Kakarot
FABRICANTE: CyberConnect2
PLATAFORMA: ps4
GENERO: Ação / RPG
DISTRIBUIDORA: Bandai Namco

LANÇAMENTOS
17/01/2020 17/01/2020 16/01/2020


INFORMAÇÕES ADICIONAIS E SUPORTE
Resolução Máxima: 1080p
Nº de Jogadores: 1
Troféus (inclusive Platina)
Espaço necessário: 34.31 GB
Legendas em PT-BR: Sim
Dublagem em PT-BR: Não


Cha-la Head Cha-la” é a música que mais ficou na cabeça das crianças, jovens e adultos que assistiam Dragon Ball Z na década de 90. O sucesso do anime foi tão grande que muita gente quis ganhar dinheiro em cima disso, principalmente no mundo dos games. Porém, mesmo após tantas tentativas, nenhuma foi capaz de reproduzir tão bem e de forma tão fiel as aventuras dos guerreiros Z, quanto Dragon Ball Z: Kakarot.

Isso significa que Kakarot é o melhor Dragon Ball lançado até hoje? Depende do ponto de vista. Alguns jogadores podem estar saturados das mesmas sagas e mecânicas serem repetidas diversas vezes. É como se estivéssemos assistindo ao anime de novo (com alguns cortes), o tempo todo. Em contrapartida, é muito legal controlar os guerreiros Z nos tempos de paz, coisa que geralmente não acontece.

Agora em formato de um action RPG, Dragon Ball Z: Kakarot busca tentar mudar a visão que temos de qualquer outro jogo da saga e fazer com que o jogador se aprofunde mais na vida pessoal dos guerreiros Z. Mas a pergunta agora é: será que ele conseguiu?

Dragon Ball Z: Kakarot
Kakarot tenta prender os jogadores pela nostalgia e traz uma versão de abertura inspirada no anime. Fonte: PS4 Share

A história de Dragon Ball Z é um loop infinito, onde os guerreiros acabam com a ameaça, ficam um tempo em paz e logo, outro inimigo querendo destruir a terra surge do nada.

O jogo se inicia na era Raditz e vai até a Majin Boo, que é onde a saga Z realmente termina. Porém, para aumentar a quantidade de conteúdos, personagens de Xenoverse e FighterZ foram implementados no título. Embora seja muito legal, não faz muito sentido, já que ele conta a história de um ponto que Mira e a Androide 21, por exemplo, não existiam.

Com exceção de Xenoverse (que te prende em uma cidade fictícia cheia de NPCs e missões paralelas), a maior parte dos jogos já lançados são baseados apenas em cenas e lutas. Porém, tudo muda em Kakarot, pois além de controlar os personagens em um mundo “aberto”, ele permite que você dirija carros, ande em robôs e suba a bordo da nuvem voadora.

Dragon Ball Z: Kakarot
Só Goku e Gohan podem usufruir da Nuvem Voadora. Fonte: PS4 Share

Você provavelmente deve estar se perguntando como funciona este mundo “aberto” de Dragon Ball Z: Kakarot. Se pegarmos como exemplo The Evil Within 2, podemos ver que ele trabalha com uma área semi-aberta. É possível explorar aquela região em questão da forma que quiser, sem precisar mudar de cenário. Mas há limites. No caso de DBZ, o mundo é dividido em mapas, como em Tales of Symphonia: Dawn of the New World.

Dentro do jogo é possível ver o cuidado que tiveram em construir os cenários da melhor forma possível, com grandes cidades, montanhas, rios e todas aquelas outras coisas que só existem no mundo de Dragon Ball. Além disso, as músicas clássicas também estão lá (em japonê ou inglês) para aumentar ainda mais a nostalgia.

Mesmo com todos os momentos clássicos, as idas e vindas entre os mapas quebram muito o ritmo de jogo. É compreensível que talvez a produtora não tenha conseguido transformar tudo isso num mundo gigantesco, mas temos que dizer que é chato pelo loading eterno só para pegar algo no cenário vizinho. No começo isso pode não incomodar, mas depois fica frustrante.

Dragon Ball Z kakarot
Os gráficos realmente impressionam e fazem você pensar que está assistindo o anime. Mas só. Fonte: PS4 Share

Para dar uma diversificada no gameplay, também foi inserido diversos menus de habilidades, party e medalhas de alma para a aba comunidades. Cada uma dessas opções garantem bônus aos lutadores, porém, todas elas têm seus pequenos problemas.

No sistema de grupo, por exemplo, falta liberdade para escolher os personagens. Tudo bem, o jogo veio intitulado como Kakarot, e era previsível que apenas personagens principais como Goku, Gohan, Veggeta e Piccolo seriam controláveis. Porém, jogar com Kuririn, Chaos e Yamcha em uma batalha seria tão divertido quanto.

Os personagens não controláveis pelo jogador ficam apenas de suporte. Ou seja, estão lá só pra dizerem que tem. Além disso, a árvore de habilidades deles é tão ridiculamente pequena, que não dá nem vontade de colocá-los no grupo.Outro ponto negativo é que eles só ficam disponíveis nas chamadas Intermissões, que é como se fosse o “tempo de paz” na terra. Por causa de todos esses poréns, seus níveis ficam extremamente desbalanceados, deixando impossível batalhar contra os inimigos que aparecem quando se está no nível 60, por exemplo.

Para tentar sanar essa diferença absurda de níveis, o jogo disponibiliza algumas soluções, como ressuscitar inimigos já derrotados (só pode ser feito uma vez) através das esferas do Dragão, sidequests ou pelo sistema de comunidades.

No caso das comunidades, existem seis diferentes e cada uma possui suas vantagens. Na de treino, por exemplo, é possível alcançar 100% a mais de XP caso esteja no nível máximo. Pode não ser o caminho mais rápido para os personagens secundários (que não participam de lutas importantes e deixam de ganhar mais de 2 milhões em experiência), mas torna-se uma saída.

As esferas do Dragão, por sua vez, permitem a princípio, realizar apenas um desejo. Porém, ao completar uma determinada sidequest é possível fazer até três. Mas como dito anteriormente, só é possível ressuscitar determinados inimigos apenas uma única vez. Já os itens raros, dinheiro e orbes podem ser obtidas através de Shenlong quantas vezes você quiser.

Os mapas são super coloridos e bem desenhado, mas a quantidade enorme desnecessária de orbes no ar acaba com o design. Fonte: PS4 Share

Embora o título tente trazer uma variedade de missões secundárias, ele falha pela falta de diversidade. Elas são sempre baseadas em “derrote um inimigo” ou “pegue aquele item”. Tudo bem, há muitas quests desse tipo em um RPG, porém, DBZ não traz profundidade e tudo parece muito raso. No entanto, as recompensas até que valem a pena, pois elas vão desde itens raros a novas medalhas para a sua comunidade.

E por falar em missões, não será preciso adivinhar qual o seu próximo destino. O mapa-múndi é marcado com um exclamação vermelha, identificando as principais. Já as azuis marcam as quests secundárias. Esta última só pode ser concluída com um personagem específico, por isso é sempre bom deixar para fazer as sidequests durante as Intermissões.

Todas as sidequests dão experiência e medalhas para usar no treinamento e desbloquear novas habilidades. Fonte: PS4 Share

Os mapas de Dragon Ball Z: Kakarot não são grandes. Ele são basicamente compostos por cidades e campos abertos com itens a serem coletados. Existem diversos minérios e colecionáveis que podem ser usados no aprimoramento da sala de treinamento ou vendidos nas lojas. Para facilitar a procura por pontos de interesse, é possível comprar a informação com um vendedor nas cidades e/ou vilas. Elas não são baratas, mas poupam o esforço.

Além dos “importantíssimos” colecionáveis, existem aquelas batalhas que os fãs de Dragon Ball amam, porém, com inimigos comuns e genéricos. Sim, como em um RPG, há diversas batalhas aleatórias no mapa que garantem experiência. Embora elas sejam divertidas no início, acabam ficando repetitivas com o tempo. Para poupar da chatice de sempre interromper o seu voo para lutar, é possível dar um tipo de Instant Win (vitória instantânea) enquanto se está voando na velocidade máxima. Mas claro, isso só funciona se seu nível estiver muito acima se comparado com o do adversário.

Um dos pontos negativos das batalhas está na impossibilidade de trocar de personagem no meio da treta toda, como acontece na série Tales of. É preciso mudar o guerreiro via menu e ainda lidar com uma animação de troca. Todo esse trabalho dá preguiça e para evitar trabalho, o jogador acaba mofando com um lutador só.

Alguns bugs nas batalhas e mapas atrapalharam a diversão, como a impossibilidade de voar após entrar em uma caverna, por exemplo. Para consertar o problema, foi necessário sair da área e voltar. Além desses mencionados, há alguns outros problemas, como câmera “louca” (o personagem fica tremendo) e uns travamentos bizarros.

A legenda em português é um outro ponto a ser criticado. Ela possui alguns erros, como pontuação e até mesmo palavras que não foram traduzidas. Dragon Ball Xenoverse sofria desse mesmo problema, e é uma pena que eles continuem cometendo as mesmas gafes do passado. Mas se mesmo assim você quiser arriscar, saiba que não é possível fazer essa mudança via menu do jogo. É preciso mudar a linguagem do sistema do PS4 para PT-BR.

Dragon Ball
Embora haja diversos bugs, não dá pra negar que a CyberConnect2 e Bandai Namco capricharam muito na reprodução das lutas. Fonte: PS4 Share

Até o momento parece que o jogo não vale a pena, certo? Depende muito. Dragon Ball sempre foi muito mais voltado para os fãs da saga do que propriamente aqueles que amam o gênero de luta. É muito divertido viver os momentos da saga Z sob uma perspectiva nunca antes explorada. Como dito no início deste review, eles trouxeram algo mais intimista, onde você pode controlar Gohan indo para a escola ou ensinando-o a pescar. Mas ainda assim, isso pode não ser o suficiente para os mais exigentes.

É possível pescar, mergulhar, correr, saltar, treinar nos locais marcados para liberar novas habilidades e fazer uma refeição completa na casa da Chi-Chi com as receitas encontradas pelos cenários para aumentar seus atributos básicos. Além disso, você também encontra os famosos dinossauros que transformam a linha temporal de Dragon Ball numa verdadeira salada mista. Afinal, só nele é preciso lidar com guerreiros que voam, máquinas do tempo, viagens a outros planetas, comidas em cápsulas, carros voadores e animais pré-históricos em uma única época do tempo. Loucura, né?

Tudo isso que estou dizendo serve para finalizar o pensamento que coloquei há alguns parágrafos: sim, é possível se divertir com Dragon Ball Z: Kakarot. O maior problema está na sua tentativa de transformar a história em um RPG, que no fim, ficou raso, com missões paralelas ruins e um sistema de níveis injusto. Se em futuras atualizações eles trouxerem mais dinamismo, correções de bugs e um sistema mais completo, pode ser que valha um pouco mais a pena do que está valendo hoje.

Veredito

Dragon Ball Z: Kakarot é o típico jogo dos guerreiros Z que enche os olhos com seus belo gráficos e batalhas explosivas, mas nem a nostalgia impede que ele caia no desgosto e repetição após algumas horas.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela Bandai Namco.

70%