Homefront: The Revolution

Homefront: The Revolution não teve um desenvolvimento, digamos, tranquilo. Após a sequência ter dado o lucro necessário para que uma continuação entrasse em produção, o jogo a partir dali passaria por idas e vindas conceituais e financeiras que afetariam não só a equipe de desenvolvimento, mas o jogo em si. Devido à falência da THQ, sua antiga distribuidora, a franquia foi vendida para a Crytek, que dividiria o desenvolvimento com a Deep Silver Dambuster Studios. Mesmo após tantas turbulências, o jogo ainda sofreria com atrasos e desentendimentos por parte da distribuidora, até que finalmente fosse lançado em maio deste ano pelas mãos da própria Deep Silver e seu estúdio subsidiário, que tomaram as rédeas para que o projeto finalmente fosse lançado. Mas, será que após todos esses obstáculos, o jogo entregou o que era prometido?

Para começar, a história de Revolution não segue a linha do tempo de seu antecessor. Se passando em uma realidade alternativa em que a Coréia do Norte, através da venda de tecnologia e aparatos bélicos e militares para os Estados Unidos, se tornou a maior potência do mundo. Após a sabotagem feita pela empresa norte-coreana APEX no exército americano, a Coréia invade de vez o país norte-americano e, por meio do controle militar e da opressão da população, transforma a nação em um verdadeiro cenário pós-apocalíptico.

O jogo se passa 4 anos após a invasão coreana, no ano de 2025, na cidade de Filadélfia. Ethan Brady, recém-chegado na base dos revolucionários americanos, acaba presenciando o sequestro do maior líder do grupo, Benjamin Walker, considerado por muitos como a “Voz da Liberdade”. Fugindo das garras do exército inimigo, Brady se junta com o resto do grupo de rebeldes para resgatar Walker das garras da KPA (sigla para Korean People’s Army, o exército norte-coreano).


Homefront é um jogo de mundo aberto, no qual as escolhas do jogador interferem no mundo ao seu redor. O jogador deverá incitar a população local a entrarem em conflito com o governo ditatorial, por meio da invasão e sabotagem das forças inimigas. Quanto mais áreas dominadas, mais chances da revolução de Ethan ser vitoriosa. O mundo criado para o jogo é extremamente interessante e até certo ponto envolvente. Filadélfia é uma cidade rica em detalhes, com seus diversos distritos e sua oprimida população perambulando pela cidade, nas tais zonas amarelas. Há vozes desoladas pela guerra devastadora por todos os lados e a cada esquina se vê cidadãos desconfiados e sem um pingo de esperanças nos olhos, enquanto patrulhas de soldados armados e drones de vigilância os observam constantemente.

Apesar da boa construção de mundo e uma premissa interessante, cena a cena a história é mal conduzida, com momentos e relações de personagens súbitos que parecem surgir muito cedo e sem muita construção. Além de algumas péssimas atuações de alguns personagens recorrentes, extremamente clichês, que retiram a seriedade e gravidade dos momentos do jogo, o desenvolvimento deles também falha em fazer o jogador se importar com qualquer um envolvido, sendo mais alegorias de modelos de personagens do que algo que parece real. A trama se arrasta pelo jogo, progredindo de forma quase nula, com idas e vindas nas situações que acabam tendo pouco ou nenhum efeito no final, o que frusta ainda mais.

Sobrevivência é palavra-chave quando se fala da dificuldade do jogo. Oferecendo bom desafio e sua frieza em retirar todo o looting do jogador após sua derrota, além de pontos de recuperação escassos no mapa, provocando até os mais experientes no gênero. O problema da dificuldade é que, apesar de interessante em teoria, acaba irritando e frustrando devido aos bugs e estado em que o jogo se encontra, assim, a dificuldade não é válida, já que o jogador morre não apenas pela consequência de seus erros e deslizes, mas por situações fora de controle e permeadas por bugs que o game arremessa no jogador, fazendo-o sentir completamente vulnerável e exposto diante das forças inimigas.


Mesmo com boas intenções e uma proposta interessante, a experiência é arruinada pela falta de polimento e problemas técnicos gravíssimos que o jogo apresenta. Um dos problemas mais notáveis fica para a inconstante e desastrosa taxa de quadros do jogo, que desde o início atrapalham até mesmo em mirar e atirar nos objetos de tão inconstante que são. Alia-se a isso um sistema de checkpoint automático que, por qualquer entrada ou saída de algum mapa, visualizada em menus ou no celular do personagem, ou mudança de objetivo na missão, irá causar uma trava de 2 a 3 segundos, o que é extremamente irritante. A IA inimiga e aliada é um desastre, tornando-se tanto um obstáculo quanto um desserviço para a dificuldade alta do jogo.

O esquema de dominar as áreas e explorar o mapa aberto funciona mais ou menos como os jogos da franquia Far Cry, que criam o senso de progressão no jogador através de tarefas repetitivas e que se diferenciam por um ou outro detalhe. O mapa é vasto e dividido por zonas. A zona amarela, onde a maior parte da população vive e é controlada constantemente pelos soldados do Império, é o local em que o jogador terá que se movimentar com cautela para não ser reconhecido pelas guardas armadas, ao mesmo tempo em que precisa sabotar os arsenais e tecnologia inimiga para incitar o povo a se revoltar. Pontos de ataque, rádios, sabotagem de eletrônicos e atos de liberdade incitam a população a aderirem à revolução. E há também as zonas vermelhas, trechos abandonados da cidade onde a revolução constantemente trava sua batalha contra os soldados imperiais. Aqui há mais liberdade de locomoção, escolhendo andar a pé ou de moto, sempre atento a qualquer movimento inimigo e com o objetivo de se infiltrar e dominar as bases da KPA.

Devido ao desafio, o jogador deverá ter em mãos os melhores equipamentos e armas que puder obter. Há uma boa customização nas armas, mesmo que falte um pouco de variedade nos itens. O mais interessante são as granadas e explosivos que, com upgrades, se transformam em carrinhos controlados por controle remoto que facilitam na hora de se infiltrar nas bases inimigas. Outra ferramenta essencial é o celular, que pode servir para marcar inimigos com a câmera, hackear pontos de controle e receber mensagens dos aliados de guerra.


Tomando as áreas de controle do mapa, você acessará upgrades em armas, suprimentos e missões secundárias no painel de controle. Ela também serve como checkpoint toda vez que você morre, mas o problema é que em alguns momentos, o jogo manda o jogador para um ponto de controle diferente ao último que você havia passado. Os objetivos se repetem diversas vezes até se tornarem algo mecânico e pouco prazeroso. Há também missões secundárias disponíveis em quadros de avisos nos acampamentos rebeldes, que consistem em objetivos como ir atrás de um certo esquadrão, pegar suprimentos, etc. Outro tipo de evento são certas missões temporárias que o jogador deverá intervir para salvar os combatentes aliados de um ataque inimigo. Após algumas horas completando essas missões, há certamente um sentimento de déjà vu, com seus mapas e objetivos repetidos, aliado à história que não progride.

Para o multiplayer online há o Modo da Resistência. Escolhe-se o rosto do seu personagem e o passado dele, que irão definir suas habilidades iniciais. Por meio dos modos Ataque e Defesa, se aliando a outros jogadores, o objetivo é matar a maior quantidade de bots e sobreviver por mais tempo. Definitivamente não é nada que inove e nem irá cativar por mais do que algumas partidas, sendo difícil de encontrar jogadores mesmo na época de lançamento.


A campanha tem aproximadamente 10 a 15 horas, fora as missões secundárias e objetivos complementares, que provavelmente darão uma experiência que passa das 20 horas. Os gráficos, apesar de bonitos e com um bom sistema de iluminação e texturas nos modelos, sofrem com constantes bugs, problemas de colisão e dessincronização labial dos personagens. Há problemas de mixagem no áudio, às vezes muito baixo ou muito alto e até as mecânicas do jogo não saem impunes, com falhas no sistema de stealth e cover, que funcionam de forma inconstante nos cenários. Não há save manual, apenas checkpoints, o que pode ser extremamente frustrante em um jogo de mundo aberto. Como as áreas são divididas, os longos loadings são notáveis.

 

Veredito

É difícil de recomendar um jogo que, ao menos no período de lançamento, se encontra com tantos problemas e sofre tanto com suas falhas técnicas, o que acaba arruinando a imersão e a experiência como um todo. Homefront: The Revolution tem um mundo interessante e ambição em sua proposta de mecânica de mundo aberto, mas falha em prender a atenção do jogador pelas missões e objetivos repetitivos e uma trama que não progride. Mesmo com boas intenções, talvez não seja uma revolução que mereça a sua luta.

Jogo analisado com o código fornecido pela desenvolvedora.

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