Eternal Hope – Review

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Sabe aquelá máxima de algo tão simples e tão óbvio que nunca sequer passa pela nossa cabeça? Foi assim que me senti em vários momentos jogando Eternal Hope, o novo título lançado pela DX Gameworks. Ele foi desenvolvido pelos curitibanos da Doublehit Games, que fizeram um trabalho lindo, e trazido a nós com ajuda de financiamento coletivo do site Indiegogo. Eternal Hope deu as caras no PC desde agosto de 2020, chegando um ano depois para Nintendo Switch e agora no início de Julho finalmente para PS4 e Xbox.

Na história do game, Ti’bi é um garoto que sempre foi triste e sozinho, sem nenhuma perspectiva de vida, até o dia em que encontrou o amor de sua vida. Porém, tão rápida e repentinamente, apesar de assolado por um pressentimento ruim naquele dia, ele perde sua namorada de forma trágica. Mais uma vez sem esperar, nosso protagonista solitário é surpreendido quando uma criatura sombria que se intitula o Guardião das Almas surge com o que promete ser a solução de seus problemas.

Eternal Hope

A proposta é a seguinte: Ti’bi deve ir ao Mundo Sombrio e recuperar os pedaços da alma de sua amada que se espalharam. O Guardião das Almas diz que está enfraquecido e que precisa de tempo para recuperar suas forças, mas que poderá trazê-la de volta à vida em troca de almas de outras criaturas que o garoto encontrará em seu trajeto. Apesar de algo estar claramente muito errado, Ti’bi sai nessa aventura em busca de recuperar o sentido de sua vida. Em seu lugar, afinal de contas, quem não iria?

Mas ele não está sozinho: logo Heli surge e se apresenta, uma criaturinha misteriosa com a aparência de uma bolinha de luz e duas asinhas. Ele o ajuda no início de sua jornada, apresentando-lhe o Mundo Sombrio e suas criaturas e servindo de companhia nesse lugar desconhecido e um tanto assustador.

Ti’bi recebe parte do poder do Guardião das Almas, que lhe permite transitar entre os dois mundos. Quando faz isso sua aprência muda, como se estivesse usando uma máscara, praticamente uma miniatura do próprio Guardião, mas sem os chifres. Na verdade, o visual da tela de forma geral também muda, ficando com uma colocação focada em preto e em tons de azul. A mecânica desse poder tem características parecidas com World Splitter, já que muitas vezes vai ser necessário ficar alternando entre os mundos para avançar em determinadas fases.

Eternal Hope

O estilo de Eternal Hope também me lembrou um pouco do famoso Hollow Knight, especialmente pelos gráficos de certa forma minimalistas. Mas não é em tudo que os dois se parecem, principalmente pelo lançamento curitibano não ser um jogo de mundo aberto. Também é possível encontrar algumas semelhanças com Ori and the Blind Forest e sua sequência, Ori and the Will of the Wisps (infelizmente não temos essa franquia para PlayStation), apesar de Eternal Hope ser bem mais curto e mais simples.

O título da Doublehit Games tem um certo nível de dificuldade. Já mencionei antes que é bastante óbvio e simples, mas é justamente isso que faz dele um jogo que você precisa de fato quebrar a cabeça para passar de algumas partes. Então já deixo a dica: a solução dos puzzles é geralmente a coisa menos complicada que você poderia pensar. Eu mesmo, ao conseguir desvendar algumas delas depois de várias tentativas, me peguei pensando “não acredito” logo em seguida.

Eternal Hope

Na maioria das vezes não é necessário executar nenhuma ação difícil, de forma que, se você souber o que fazer, não vai precisar de mais do que um minuto para completá-la. Mas a questão em Eternal Hope é justamente essa: descobrir o que fazer. Sempre utilize o R1 para alternar entre os dois mundos, e tenha em mente tudo que Ti’bi aprendeu a fazer até o momento. Atente-se também às armadilhas no chão, e tente encaixar nos seus planos as diferentes criaturas que encontrar pelo caminho; nada está lá à toa, afinal de contas.

O game é bastante simples também porque, até certo ponto, o que precisa ser feito é sempre o mesmo: passar por uma fase com novos desafios e novas criaturas e no final dela resgatar de uma flor um fragmento da alma da amada de Ti’bi, para só então um novo capítulo da história ter início. O legal é que as fases são únicas, então determinadas criaturas vão aparecer poucas vezes, e algumas situações específicas não vão se repetir. Dessa forma, os quebra-cabeças estão sempre se renovando e as novidades são bem frequentes.

Eternal Hope

Os troféus não são complicados de conseguir, mas para uns é preciso fazer coisas mais específicas, e alguns deles envolvem encontrar almas espalhadas (aquelas mencionadas pelo Guardião lá no início, lembra?). Essas almas estão em sua maioria escondidas pelos mapas, sendo necessário utilizar a transição para o Mundo Sombrio ou utilizar alguma habilidade para descobrí-las atrás de alguma coisa. Os outros troféus estão relacionados à história, e portanto não tem como perdê-los se jogar Eternal Hope até o final; você os garante facilmente conforme for avançando no game.

Um ponto positivo de Eternal Hope é sua trilha sonora. Uma vez que os personagens não falam, as músicas de fundo são a ferramenta sonora que te transportam para a atmosfera do jogo – e fazem isso com maestria. Além delas, eles utilizam outros recursos que da mesma forma colaboram para dar toda uma emoção, um deles já nos créditos finais, mas que não falarei para não dar spoilers. Visualmente falando, as cutscenes estáticas me agradaram bastante também, por serem bonitinhas e às vezes até emocionantes, servindo para contar partes específicas da história e às vezes ligar um capítulo do jogo a outro.

Eternal Hope

Apesar de simples e extremamente rápido (é possível terminá-lo em poucas horas, eu mesmo terminei a história em uma manhã), Eternal Hope é divertido de se jogar e me trouxe bons momentos de quebrar a cabeça com seus puzzles de certa forma inusitados e mais um enredo clichê, porém bonito. Contudo, não se engane: o início do game deixa bem claro que Ti’bi não será protagonista de uma história feliz, então eu não criaria muitas expectativas do contrário se fosse você.

Jogo analisado no PS4 padrão com código fornecido pela DX Gameworks.

Veredito

Eternal Hope é bem feito, com pequenos detalhes que fazem a diferença de forma bastante positiva. Possui um enredo clichê, porém é divertido de jogar. O visual é lindo, mas por ser um jogo extremamente curto e simples, deixa a sensação de que fases e poderes poderiam ter sido melhor explorados, e personagens e a história de modo geral melhor desenvolvidos.

74
Eternal Hope
Fabricante: Doublehit Games
Plataforma: PS4
Gênero: Ação / Aventura / Plataforma 2D
Distribuidora: DX Gameworks
Lançamento: 08/07/2022
Dublado: Não
Legendado: Sim
Troféus: Sim (inclusive Platina)
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Eternal Hope is well done, with small details that make a difference in a very positive way. It has a cliché plot, but it’s fun to play. The visuals are beautiful, but being an extremely short and simple game, it leaves the feeling that levels and powers could have been better explored, and characters and the story in general better developed.

Bruno Ribeiro

Bruno Ribeiro

Jornalista por formação, professor de inglês por ocupação (e por amor), e escritor já há mais de 20 anos, mas que só agora tomou vergonha na cara e resolveu se dedicar mais a essa área, publicando alguns trabalhos e escrevendo sobre jogos, uma de suas grandes paixões.