Análises

Darksiders Warmastered Edition (PS5) – Review

Um clone mal-humorado de Zelda; uma cópia cartunesca de God of War; uma leitura americanizada de Devil May Cry… quando surgiu lá no já longínquo ano de 2010 para PS3 e Xbox 360, Darksiders foi subestimado, desdenhado e, por mais que tenha causado uma certa comoção no mercado, parecia só mais um a querer se aproveitar do hype daquilo que estava em alta naquele instante, movimento que sempre existiu e continua até hoje nesta indústria cultural.

E, por mais que nunca tenha negado suas influências, este é um daqueles raros casos onde a soma de várias inspirações consegue gerar algo com identidade própria, sobretudo pela convergência de tudo isso com a incrível arte do lendário Joe Madureira, que trouxe o exagero absurdo tão característico do seu traço para um terreno fértil. O resultado, como todos já sabem, é história: uma franquia altamente reconhecida, mesmo que por vezes maltratada, e que promete um novo capítulo para um futuro (espero) próximo.

O game original, estrelado por Guerra (ou War para os mais puristas), segue sendo, contudo, o favorito de muita gente, e acabou ganhando uma versão melhorada 10 anos atrás para a geração PS4, rodando a 1080p em 60 frames por segundo variáveis, conforme você pode relembrar na análise feita na época aqui do site. Foi um retorno bastante celebrado e elogiado na época. Eis que agora chega ao PlayStation 5 uma versão nativa, prometendo a estabilidade nos 60fps em altíssima definição nos alardeados 4K.

A proposta é cumprida, de fato. Mesmo nas passagens de maior exigência, o jogo consegue atingir este objetivo, se provando redondo e fluido o suficiente para aproveitar todo o potencial da violência gráfica para gerar passagens alucinantes e memoráveis no embate contra múltiplos inimigos, chefes megalomaníacos e toda a galhofa que faz desta experiência algo divertido e atual até hoje.

Claro que toda a estrutura do level design carrega consigo a herança do seu tempo, com a entrada em cada nível — por mais contínuo que pareça, esta organização articulada em fases é evidente — girando em torno de um novo recurso ou habilidade que será treinada contra hordas e em puzzles ambientais para que, no fim, seja exigida em uma boss fight sempre muito performática.

Para os saudosistas, a boa notícia é que, estruturalmente, o jogo não passou por quaisquer grandes mudanças, o que significa que está exatamente como nos lembramos dele. Não à toa, o título aceita o arquivo de salvamento da edição de PS4 para que se possa continuar a partir de onde tinha sido deixado. É como resgatar algo há muito abandonado para terminar o que estava inacabado.

A grande motivação para uma nova iteração é, definitivamente, o quesito gráfico, mas não só. Há, sim, algum incremento no uso dos recursos hápticos do DualSense, e a sensação é de maior peso e impacto, sobretudo quando Guerra abusa de suas armas insanamente parrudas. Porém, a falta de uma variedade original de terrenos e ambientes não ganha muito com um ajuste mais sensível dos sistemas de vibração. Claro que quem gosta de configurar os gatilhos para uma intensidade maior vai sentir o impacto, e aqui há uma diferença grande do que não havia antes.

Entretanto, voltando ao refinamento visual, o resultado de maior definição não significa necessariamente um incremento aos aspectos artísticos da obra, e seja nas cenas pré-renderizadas claramente requentadas, seja nas passagens de gameplay, alguns elementos seguem com problemas estruturais, incluindo texturas borradas e linhas pouco precisas. Em termos macro, tudo parece mais vistoso, principalmente pela ousadia no uso de cores intensas e formas agressivas, mas de perto, ficam evidentes arestas quebradas, tons lavados pelo marrom acinzentado, além de materiais pouco táteis.

Alguns ajustes, sobretudo no uso de filtros automatizados, realmente conferem uma leve melhora, principalmente na diferenciação entre pele, tecido e metal, mas ainda parece pouco para os padrões da geração. Efeitos de luz e partículas, por outro lado, surgem mais vibrantes, e mesmo o PS5 base não aparenta fazer qualquer esforço para performar. Até por isso, fica a dúvida do porquê de não haver alguma opção para liberar o framerate, ou quem sabe forçar os possíveis 120fps. Quem sabe, em uma atualização futura mais ousada.

É uma evolução, incluindo a tímida inclusão de um novo modo Fotografia, que na soma de todos os fatores, é bastante tímida na comparação com a última, o que poderia ser mais fácil de aceitar considerando que, mesmo com suas limitações, Darksiders Warmastered Edition se mantem tão divertido como sempre. Mas se normalmente eu evito trazer a questão da precificação para uma análise, o fato de essa atualização ser paga somente na plataforma da Sony acaba se tornando um grande diferencial na recomendação.

Isso significa que, por mais que muita gente perceba o salto de definição e fluidez como algo definitivamente importante para um game desta natureza, o upgrade só faz sentido para quem não vivenciou o jogo em sua primeira atualização e quer experimentá-lo em sua melhor forma; ou estava procurando uma desculpa qualquer para voltar à eterna batalha entre anjos, demônios e um cavaleiro do apocalipse enganado.

Darksiders Warmastered Edition está disponível para PS5 e Xbox Series em versão nativa, além de já estar no PS4, no Xbox One e no Switch em sua versão Full HD, com vozes originais em inglês e com menus e legendas localizados para o português do Brasil. Esta análise foi produzida jogando no PS5 padrão e realizada com um código fornecido pela THQ Nordic.

Veredito

Por mais que seja tecnicamente a melhor versão de um clássico incrível, a atualização de Darksiders Warmastered Edition para a atual geração oferece acréscimos sutis para os controles, além de ajustes pontuais e protocolares para fluidez e definição. Este conjunto pode, entretanto, não justificar um novo investimento financeiro para quem gostaria de rodá-lo no PlayStation 5, a não ser para fãs muito ardorosos ou novos entusiastas que desejam entrar agora na franquia.

80

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