Análises

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas – Review

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas diz a que veio logo no nome: é uma grande celebração da história do morcego da DC Comics, que já acumula 87 anos de combate ao crime nas noites de Gotham.

O eixo escolhido para sustentar essa enorme colagem de elementos foram os muitos filmes de diretores variados que já comandaram o cavaleiro das trevas no cinema, contando uma jornada desde sua origem.

A inspiração em Batman Begins (2005) é direta desde o início, quando temos um longo tutorial com a história de origem do heroi encapuzado, contando a descoberta da caverna, a fatídica ida ao cinema que deixou o herdeiro Wayne órfão e a ida ao Himalaia para treinar sob a tutela de R’as al Ghul, como vemos em Batman Begins.

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Ainda nessa primeira hora, já podemos ver o modus operandi do novo game da TT Games: há elementos que não estão no filme, mas são bem encaixados para mostrar que a abordagem de adaptação é mais ampla, como a presença de Talia e a roupa estilizada de R’as.

O jogo prossegue nessa mesma pegada de adaptar os filmes com muitas outras cores, citações, referências, participações e histórias paralelas, enriquecendo o jogo de uma maneira que o faz merecer o peso do título. Com isso, prosseguimos para a Gotham sob o domínio do mafioso Falcone e o flagelo de policiais corruptos, contra os quais Batman e o ainda detetive Gordon se unem.

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Esse é o pano de fundo para que tenhamos o costumeiro desfile de vilões, que sempre foram estrelas hipnoticamente estranhas no universo do cruzado de capa e não poderiam ficar de fora. Dessa maneira, diversas aparições têm sua merecida chance de brilhar na tela, costuradas a uma trama central sobre a luta literal para limpar Gotham.

Para dar só mais alguns exemplos de como é a variedade, na sequência vamos para o Iceberg Lounge do filme mais recente do herói, Batman (2022); o zoológico comandado pelo Pinguim em Batman: O Retorno (1992); e o circo de Robin, de Batman Eternamente (1995). 

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A gameplay, no fundo, é apenas um refinamento do que já vimos em dezenas de outros jogos de LEGO: continuamos a ter sempre dois personagens à disposição, seja jogando sozinho ou em dupla; quebramos o máximo de coisas pelo cenário para acumular pecinhas; batemos em ondas de inimigos; procuramos por colecionáveis escondidos; “construímos” maquinário extravagante para abrir caminho em pontos específicos; e gastamos uma infinidade de recursos para desbloquear veículos, cosméticos e itens.

Desta vez, porém, há uma certa diferença: tirando algumas participações breves, como Thomas Wayne e Alfred, há apenas sete personagens jogáveis. Isso vai na contramão do que a série aplicou nos últimos 20 anos, quando seus elencos cresceram de algumas dezenas para algumas centenas – LEGO Batman 3: Beyond Gotham (2014), por exemplo, tinha mais de 200.

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A redução drástica pode desagradar uma parte do público, mas eu preferi dessa maneira mais focada. Apostar na quantidade deixava os personagens superficiais, sendo apenas variáveis de um punhado de arquétipos básicos de habilidades.

Em Legado, a ideia é concentrar na importância dos heróis principais, o que, por sua vez, também dá coesão à condução da campanha. Para compensar, ao menos em parte, o novo jogo abraçou a ideia de que “personagens são como skins” e providenciou muitas opções de aparência aos protagonistas, reforçando a noção de apanhado histórico ao representar todos os filmes e várias outras mídias em que o pessoal de Gotham aparece, sempre com uma notinha referencial. Tem a série de comédia dos anos de 1960, a série animada de 1992, Batman de Futuro, e por aí vai.

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Por exemplo: a primeira aparição de Selina Kyle no jogo é na versão do filme Batman de 2022, ostentando a peruca vermelha enquanto trabalha no Iceberg Lounge. Quando ela ressurge como Mulher-Gato, no entanto, a vestimenta é a de couro costurado de Batman: O Retorno, de 1992.

Igualmente, podemos dirigir pela cidade em mais de uma dúzia de versões do Batmóvel e os colecionáveis formam troféus icônicos para decorar a batcaverna, que serve como um hub.

A história da campanha se desenrola por um mundo aberto fracionado: aqui, Gotham é uma fileira de quatro ilhas, liberadas uma a uma com o avançar dos capítulos. De certa forma, isso funciona como uma maneira de manter a campanha nas rédeas, mas ainda permite explorar o mundo aberto com bastante agilidade pelo uso do batmóvel, do lançador de gancho e do planador, buscando missões secundárias simples e colecionáveis — e também evitando os alertas de crimes, que são tão frequentes e desinteressantes que eu logo passei a considerá-los apenas um incômodo.

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O combate, por sua vez, bebe da fonte do Freeflow Combat da série Arkham, focando em um tripé de três botões: um para atacar em combos com contador, outro para esquivar e um terceiro para contra-atacar quando surgir o comando na tela. A barra carregada permite um ataque especial, inimigos atordoados são alvos de golpes múltiplos que aumentam o combo, oponentes desavisados podem ser abatidos sorrateiramente e armas de arremesso atingem à distância e cada personagem pode usar seus apetrechos especiais.

Tudo isso é concatenado com dinamismo, que pode até não ficar tão fluido quanto na série da Rocksteady, mas funciona bem e evita ficar só no esmagar de um botão. Há até árvores de habilidades para desbloquear algumas vantagens no combate.

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Para quem quiser mais desafio para se engajar em um combate deliberado, há três opções de dificuldade, sendo que a mais alta diminui a quantidade de pontos de saúde e dá um número limitado de vidas em cada capítulo, forçando a prestar mais atenção ao desempenho nas lutas.

Mesmo assim, bato na tecla da simplicidade de design acessível para crianças e jogadores eventuais. Portanto, não espere algo profundo, exigente ou satisfatoriamente complexo. É mais uma questão lúdica de comandar personagens heróicos nas lutas, a diversão do faz de conta de super-herói em miniatura, sempre com toques de exagero cômico.

Em outras palavras, o refinamento do design dos jogos LEGO está voltado para o carisma da apresentação (e às elaboradas construções com pecinhas, claro), muito mais do que para a profundidade, inovação ou desafio.

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A comédia inocente é tão constante que mal dá para chamar de alívio cômico. Geralmente, não gosto desse recurso narrativo de quebrar a tensão, mas, considerando uma aventura em um mundo de brinquedos de plástico, não havia como ser diferente, casando muito bem com o humor e o nonsense.

Creio que tanto o videogame quanto a comédia, são ideais como mídia e gênero para fazer um produto que pretende ser tão abrangente em misturar numerosas fontes, estilos, camadas e referências em um pacote só, pois tanto a gameplay quanto o humor não estão interessados em realismo, mas apenas em divertir e engajar à sua própria maneira. O resultado é uma obra na qual tudo cabe, bastando para isso aplicar o verniz da leveza do LEGO.

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Todo esse apelo visual e nostálgico pode ser registrado pelo modo foto. É um sistema muito simples, sem opções de customização, mas vem como uma novidade, sendo o primeiro jogo da série da TT Games a incluí-lo (veja um exemplo na imagem abaixo).

Concluindo, O Legado do Cavaleiro das Trevas tem gameplay claramente feita para ser acessível às crianças, mas seu público-alvo vai além delas: são os muitos apreciadores de Batman, os entusiastas de LEGO, os que querem curtir jogatina cooperativa local em dupla com uma criança ou alguém que não tem o hábito de jogar, ou apenas quer aproveitar uma experiência chamativa, divertida e leve.

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No meu caso, aproveitei muito o cooperativo para dois jogadores, alternando com meus três filhos. Entre os cinco e onze anos, todos adoraram. Os jogos LEGO da TT Games sempre foram muito bons para começar a ensinar os menorzinhos a jogar videogame em co-op e O Legado do Cavaleiro das Trevas não é uma exceção.

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas está disponível para PS5, Xbox Series e PC com dublagens e legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela WB Games.

Veredito

De certa forma, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é fácil de avaliar: se você está disposto a se deixar cativar por LEGO ou por Batman, ou ainda se quer curtir uma diversão simples em dupla, há muitos motivos para entrar na brincadeira de percorrer Gotham na longa jornada de vida do morcego. Por outro lado, quem espera aprofundamento do personagem ou da gameplay, deve procurar em outro lugar.

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