Dark Auction é um jogo de aventura, desenvolvido e publicado pela IzanagiGames, empresa por trás de jogos como World End’s Club, Death Come True e Yurukill: The Calumniation Games. Por trás do script e da história está Rika Suzuki, escritora responsável por obras como Another Code e Hotel Dusk: Room 215, e que emprestou seu nome para trazer financiamento coletivo para o jogo alguns anos atrás.
Dark Auction foi anunciado em 2023 como Dark Auction: Hitler’s Estate (logo voltamos nesse ponto) e que buscou apoio entre internautas e gamers para financiar parte do jogo. Após algumas campanhas arrecadando uma quantia modesta, o jogo finalmente foi lançado em 2026 com o novo título, dispensando a menção ao ditador alemão do título e de todos os diálogos do jogo.
Dark Auction começa contando a história de Noah, um jovem de 18 anos, que decide ir atrás do pai após o mesmo ter desaparecido quando havia viajado para participar de um leilão misterioso. O pai de Noah, Leonard, obcecado com a história e objetos utilizados no passado pelo ditador X, compareceu ao leilão e nunca mais voltou.
Noah, chegando na mansão em que o ditador X costumava frequentar enquanto era vivo e onde está ocorrendo o leilão, decide entrar de penetra para procurar seu pai. Acontece que logo ao entrar, ele encontra seu pai preso a um aparelho misterioso, quando é surpreendido pelo Parrot Man, que declara que Leonard está morto, o joga de um alçapão e declara que Noah entrou de forma irregular no leilão.
Parrot Man, o leiloeiro responsável pelos procedimentos, então declara que Noah tem a opção de ajudá-lo a fazer com que os demais leilões ocorram de forma correta e talvez descobrir o motivo por trás de seu pai ter se arriscado para participar desse evento, ou entregá-lo aos guardas e tirar sua vida por ter invadido a mansão. Noah, sem muita escolha e ainda se questionando de tudo que está acontecendo, aceita a missão.
O protagonista então se junta aos demais participantes do leilão, sob a fachada de também ser um participante legítimo. Seu papel nos leilões é de se aproximar dessas figuras, descobrir seus segredos, para então ajudá-los a admitir suas maiores confidências no aparelho EPO, uma espécie de máquina que lê as memórias dos usuários e de seus ascendentes para que todos vejam.
A história do jogo, nos primeiros capítulos, é bastante interessante. Os capítulos acompanham quase que exatamente um personagem por vez, desenterrando seus passados e mostrando aos poucos as ligações entre todos e o motivo por estarem todos ao mesmo tempo neste leilão. O primeiro ponto negativo, porém, decorre do dispositivo usado para a narrativa.
De certa forma, especialmente em alguns capítulos, o jogo retrata o ditador X (que é basicamente Hitler em tudo menos nome) como alguém humano, quase o romantizando para os jogadores. Pouco se fala nas ações devastadoras do ditador X, e mais se fala no seu lado pessoal, nos seus romances, nos seus aliados, na sua história. Como alguém que já jogou jogos com as mais bizarras histórias possíveis, era plenamente possível inventar um outro pano de fundo e personagem central para a narrativa do que utilizar alguém como Hitler, para ser bem sincero.
A arte do jogo, especialmente o design dos personagens, é muito linda. O artista Kohske utiliza de um traço um pouco familiar, mas bastante diferenciado, fazendo com que cada um personifique não só nas ações, mas também em sua imagem, o que representam. O segundo ponto negativo, porém, é o uso de IA generativa para as demais artes do jogo.
Com uma certa frequência, é possível encontrar artes feitas com IA generativa durante o jogo, especialmente nas cenas finais de cada capítulo quando o dispositivo EPO é utilizado para extrair as memórias dos personagens. Entendo que nem todo jogo tem um orçamento infinito, mas o gasto em algumas coisas e economia em outras fica muito claro em Dark Auction.
O desenho dos personagens? Lindo e único. As demais artes do jogo? Feitos com IA generativa. A trilha sonora do jogo, usando saxofones e ambientada perfeitamente com o mood do jogo? Um dos seus maiores destaques. A dublagem em japonês? Um elenco que dá um show. A tradução e localização para o inglês? Bem podre, com erros de digitação, de concordância, quase literal, incluindo ainda erros de formatação no meio.
É difícil recomendar Dark Auction, mesmo com o ânimo que estava para jogar desde que foi anunciado. Tirando a romantização de um ditador que existiu e o uso de IA generativa para criar artes utilizadas no jogo, a história dá uma patinada monstra pro final, fechando de uma forma tão ruim, desconexa e nitidamente aberta (para deixar um gancho para sequências). Certos pontos muito específicos são louváveis, como a arte e a trilha sonora, mas não são nem de longe o suficiente para salvar esse jogo.
Dark Auction está disponível para PS5, Switch e PC sem legendas em português do Brasil. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela IzanagiGames.









