Análises

Dragon Quest VII Reimagined – Review

Remakes inesperados são sempre muito bem-vindos. Mesmo com a onda de jogos recebendo versões totalmente repaginadas ao longo dessas últimas duas gerações, algo que vem se intensificando em anos mais recentes, ainda há tantos jogos queridos e adorados pelos fãs que não receberam remakes que, quando um jogo relativamente ignorado em uma franquia popular é escolhido, é motivo para se comemorar.

Foi exatamente esta minha reação com o anúncio de Dragon Quest VII Reimagined. Não só por Dragon Quest VII: Fragments of the Forgotten Past não ser exatamente o jogo mais amado da franquia, mas, principalmente, porque a Square Enix vinha dando prioridade para remakes de jogos mais antigos e em um estilo visual completamente diferente com as versões em 2D-HD de Dragon Quest I & II e Dragon Quest III.

Mas, à medida em que você vai pensando mais sobre, fica claro o porquê da escolha. Afinal, DQVII está completando 25 anos de seu lançamento oficial. É também um jogo que, apesar de muito bem-recebido à época, ficou infâme pelo quão longo ele é, com a campanha principal passando das 100 horas e um ritmo notadamente lento, com a história demorando um tempo inacreditável para começar a engatar e até mesmo os primeiros combates precisando de horas. Mesmo que o jogo em si fosse imensamente recompensador para quem decidisse insistir, são exatamente estes problemas que acabam o tornando um excelente candidato para uma completa repaginada.

Dragon Quest VII Reimagined

Mas sobre o que é Dragon Quest VII Reimagined exatamente? Em termos mais gerais, é um jogo que gira em torno do protagonista, o tradicional Hero de DQ, que, ao lado de dois amigos, a filha do prefeito de Pilchard Bay e imensamente geniosa, Maribel; e o príncipe Kiefer do reino de Estard, de onde os três são. Kiefer é obcecado pela ideia de que tem que existir algo no mundo além da ilha onde eles nasceram e convence o Hero a, junto com ele, investigar um misterioso pedaço de um tablet e as ruínas perdidas na ilha. Juntos, eles acabam conseguindo coletar os demais fragmentos, o que acaba sendo a chave que os transporta para um local totalmente desconhecido.

Enquanto os três trabalham para tentar descobrir uma forma de retornar para casa, eles percebem que o local onde foram parar é bem deprimente. Monstros sequestraram as mulheres dali e forçaram os homens a desmontar toda a vila sob a justificativa de que, caso o fizessem, devolveriam as mulheres. Nossos heróis decidem então ajudar as pessoas a lutar contra esse mal e, nesse processo, encontram também uma forma de voltar para casa.

Os heróis eventualmente descobrem que, na verdade, eles não haviam se transportado só para um novo lugar. Mas sim para uma ilha que existia no passado mas que, por algum motivo, havia desaparecido. Armados com esse conhecimento, eles partem numa jornada para tentar localizar todos os stone tablets necessários para restaurar o mundo onde vivem, sempre tendo que enfrentar um grande mal naquele local.

Sinceramente, é um looping narrativo que funciona muito bem e que foge da estrutura tradicional de outros JRPGs. A forma como o jogo estrutura essas visitas ao passado faz com que o jogo acabe te colocando em locais bem diferentes sem a necessidade de ter uma continuidade visual ou coisa assim, podendo brincar com ambientações bem diferentes entre si e ainda assim fazer com que tudo se encaixe em um plot central muito maior e que consegue seguir mantendo o jogador engajado à problemática central. O fato de que cada ilha traz uma situação nova, personagens novos e a possibilidade de resolver aquele dilema traz uma sensação quase episódica pro jogo sem, necessariamente, precisar ser um.

Um ponto importante de se ressaltar aqui é que Dragon Quest VII Reimagined realmente reimagina o jogo original, trazendo um flow muito mais funcional para a história. Ainda é um jogo enorme, mas um que não vai mais te deixar horas e horas preso em diálogos repetitivos sem que a história realmente avance. Você realmente se verá engajado com os acontecimentos, tendo novos desafios e atividades para cumprir e ainda assim conhecer um universo gigantesco que te envolverá. É uma narrativa que já funcionava muito bem em versões anteriores (o jogo também teve um remake para 3DS em 2013 no Japão/2016 por aqui), mas que agora está ainda melhor. A única reclamação fica pelo fato de que apenas cenas mais importantes estão dubladas em inglês, algo que talvez incomode alguns jogadores.

O curioso de pensar que o jogo em si ficou um pouco mais acessível com todas essas mudanças no ritmo da narrativa e da experiência como um todo é que, apesar disso, o jogo também trouxe várias novidades bem legais. Um pouco mais da amizade entre o Hero e Maribel e a infância deles é explorado no jogo, uma nova arena foi adicionada para combate e até mesmo um Kiefer adulto em um novo ponto da história aparece por aqui. É realmente uma nova experiência e uma que faz sentido até mesmo para os fãs do jogo que já o conhecem de suas versões anteriores.

Em termos de gameplay, bem, DQ7R é… um Dragon Quest. Então espere aqui a mais pura e tradicional experiência de um JRPG com batalhas por turnos e tudo mais que você possa imaginar. Dito isso, essa nova versão mantém várias das melhorias já vistas no remake anterior, como inimigos visíveis no mapa, cenários próprios de batalha e padrões diferentes de combate. O jogo traz aqui o sistema de Let Loose, que são habilidades especiais ativadas em combate após certas condições. É um sistema bem similar aos Pep Powers de DQXI, mas não necessariamente uma cópia dele. Outro ponto que migrou pra cá foram os Vicious Monsters, algo que não havia no original mas foi importado de DQXI.

Outra novidade é a possibilidade de equipar duas vocações ao mesmo tempo (DQ7R te permite customizar livremente a classe dos membros da sua equipe) e mudá-las em qualquer lugar, dando ainda mais liberdade para customizar sua experiência. Um ajuste também foi feito com a remoção da vocação de Monster Masher, agora substituída pelo Monster Master. É uma mudança interessante já que altera completamente a lógica da classe, mas ajuda também a manter o combate mais desafiador para os veteranos.

Visualmente, o jogo é um show à parte. A adoção de um estilo inspirado em um diorama é excepcional, mantendo as raízes do jogo e evocando um sentimento bem similar tanto à versão de PS1 quanto de 3DS, mas com uma identidade própria. A menção desse estilo pode evocar, por exemplo, Fantasian Neo Dimension, mas tenha certeza de que DQ7R é imensamente mais bonito. O jogo é um espetáculo visual e cada cena, cada ação agrada tanto quanto DQXI e seu estilo mais moderno ou a beleza estupenda dos remakes em HD-2D de DQI, II e III. E o mesmo pode ser dito da trilha sonora que é absolutamente espetacular e muito gostosa de ouvir por horas e horas.

No geral, Dragon Quest VII Reimagined é o tipo de JRPG que é mais do que obrigatório para qualquer fã do gênero. Ele pode não ser tão longo quanto o original (e é difícil ser quando a comparação é o RPG mais longo do PS1), mas entrega uma experiência muito mais concisa e, por isso, muito mais agradável e acessível em um mundo em que a gente tem cada vez menos tempo para jogar. O que temos aqui é, de fato, um clássico reimaginado e que é mais um exemplo do porquê a forma como os remakes de Dragon Quest tem que ser usado de referência para a indústria, sendo um acerto excepcional que certamente será lembrado por muito tempo.

Dragon Quest VII Reimagined está disponível para PS5, Switch, Switch 2, Xbox Series e PC. Esta análise é da versão PS5 e foi realizada com um código fornecido pela Square Enix.

Veredito

Dragon Quest VII Reimagined é um remake incrível de um jogo que, apesar das críticas, sempre mereceu mais atenção. Do excelente gameplay com o DNA tradicional da série à narrativa estupenda, é um jogo obrigatório para fãs do gênero.

95

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