Dead Island

Dead Island teve uma boa quantidade de hype antes de seu lançamento. A sua arte da capa e de título foi bastante questionada por críticos, fazendo com que o jogo ganhasse ainda mais atenção da mídia em geral. Será que a Techland e a Square Enix conseguiram fazer com que o jogo fosse além de um simples clone de Left 4 Dead e Dead Rising? Vamos descobrir.

Definitivamente o jogo não prima pela história, que é meio genérica e pouco inspirada. Você escolhe entre quatro personagens iniciais com histórias meio randômicas (por exemplo, um rapper falido tentando retornar a sua carreira). Não fica muito claro no começo por qual motivo a infestação de zumbis começou, já que você está em uma festa, bebendo até passar mal em seu quarto e, quando acorda, já está vivendo o inferno na Terra. Por algum motivo você é imune aos ataques dos zumbis, o que o torna no cidadão ideal para salvar outras pessoas e encontrar a melhor forma de fugir da ilha.

Dead Island oferece uma estrutura de combate em primeira pessoa que funciona bem na maior parte do tempo. O combate é principalmente mão a mão contra os zumbis, munido de quase qualquer coisa que você consiga achar que possa se comportar como uma arma branca. De remos a pedaços de canos, de facas a machados. Não que o jogo exclua armas de fogo, mas faz até sentido a raridade de encontrá-las, já que estamos em uma ilha paradisíaca e não em um território em guerra. Mas a verdade é essa: quem não espera explodir constantemente a cabeça de zumbis em um jogo com essa temática? O grande problema com a estrutura de combate é que ela deixa você bastante vulnerável aos ataques inimigos, já que constantemente precisa se aproximar dos mesmos para atacá-los. Então embora isso garanta tensão constante ao jogo, também garante que você vai precisar o tempo todo encontrar formas de recuperar sua energia.

Dead Island não nega também a sua essência RPG. A evolução das habilidades é baseada em pontos de experiência, e pode ser direcionada pelo jogador, garantindo que os pontos fortes do personagem sigam a direção que acharmos mais condizente com nossa forma de jogar. O mesmo vale para as armas, que podem (e devem) ser melhoradas constantemente, aumentando o seu poder de ataque. O que por vezes chateia é como as armas se desgastam facilmente. Uma faca não durará mais do que 5 ou 6 zumbis mortos sem que precise ser consertada ou descartada. Novamente é um elemento que garante a tensão ao jogo (será que eu tenho armas suficientes para completar a próxima missão?), mas que acaba quebrando bastante o ritmo pelo mesmo motivo.

O mundo aberto de Dead Island é realmente bastante amplo, o que garante uma excelente variedade de missões paralelas. A exploração é feita a pé na maior parte do tempo, mas também existem veículos que podem ser utilizados e melhorados. Embora exista a tentação de vagar livremente pelo mapa a partir do momento que conseguimos acesso aos veículos, a fragilidade dos mesmos e do personagem nos deixa sempre apreensivos para fazê-lo. Será que conseguiremos voltar a um lugar seguro se o carro estragar a alguns quilômetros de distância da safe house mais próxima?

A inteligência artificial dos zumbis é apenas razoável, mas haverá momentos nos quais nos vemos cercados por vários deles que não será tarefa das mais simples eliminá-los. A falta de lugares para nos protegermos com segurança apenas amplifica esta dificuldade.

Graficamente Dead Island não é um primor, embora seja competente. À primeira vista a paleta de cores e os cenários bem construídos e cheios de elementos chamam bastante atenção. A ilha como um todo é muito bonita, e a vegetação nativa é muito bem construída. Mas tudo isso paga o seu preço nas texturas borradas em vários objetos e no constante popup de elementos na tela. O mesmo pode ser dito para os problemas de colisão, com objetos e zumbis atravessando paredes constantemente. E o que dizer das expressões faciais dos outros NPCs? Parece que os zumbis são mais expressivos e inspirados do que nossos camaradas não infectados!

A dublagem é tão pouco inspirada quanto as expressões faciais. Não compromete a experiência, mas poderia ser um pouco mais trabalhada e cuidadosa. Já os sons do ambiente e dos zumbis são dignos de nota. O tempo todo você sente que tem algo atrás de você, pronto pra atacá-lo. Os grunhidos e barulhos de atividades dos mesmos ajudam o sentimento de que você nunca está sozinho e completamente seguro.

O modo cooperativo online é bastante interessante, e tem uma estrutura parecida com a de F.E.A.R. 3. Você é avisado assim que exista alguém próximo pronto para entrar na partida e pode permiti-lo sempre que quiser. Funciona da mesma forma para entrar no jogo de outra pessoa. Então embora não existam salas propriamente ditas para a criação de jogos em particular, é bastante fácil encontrar pessoas para jogar online. O próprio jogo se encarrega de limitar a diferença entre nível de um personagem, para garantir que um jogador novato não acesse o jogo (e tenha as mesmas dificuldades e recompensas) de um jogador de nível mais avançado.

Após isso tudo, a resposta à pergunta é que sim, Dead Island consegue ser mais do que um clone de outros jogos com a mesma temática. Mas fica sempre a impressão de que poderia ter ido muito além. Embora apresentado como um FPS, está muito longe de sê-lo, já que o combate com armas além de pouco inspirado é bem raro. Os gráficos bonitinhos mas ordinários somados à dublagem displicente ressaltam que o jogo poderia ter sido um pouco melhor trabalhado. A variedade de missões e a duração do jogo (facilmente entre 20 e 30 horas) animam os que esperam conteúdo vasto, assim como o multiplayer cooperativo para até 4 jogadores, bastante interessante. Embora nada seja realmente novo, a tensão constante e os sustos garantidos vão agradar bastante os fãs do gênero.



— Resumo —


+
Tensão e sustos constantes


+
Mundo aberto bastante explorável


+
Gráficos bonitos e paleta de cores inspirada


+
Coop online para até 4 jogadores





Pouca utilização de armas de fogo





Dublagem fraca





Bugs gráficos





Durabilidade das armas

Veredito

79

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