God of War: Ghost of Sparta

O passado atormentador e confuso de Kratos, que em grande parte delineia e desmistifica grande parte de sua personalidade padrão, é um dos principais fios condutores da narrativa dos jogos da série God of War lançados para o PSP.Ghost of Sparta, desenvolvido pela Ready at Dawn Studio, a mesma de Chains of Olympus, centralizou sabiamente o enredo na relação de Kratos com seu irmão Deimos, enquanto a busca por este ocorre.

Situado entre os acontecimentos provenientes do primeiro jogo da franquia, Ghost of Sparta aposta também no entrelaçamento interacional entre Kratos e os deuses. Aproveitar-se de um spin-off para mostrar isto com qualidade é um trunfo considerável e conseguiram fincar muito bem a proposta.

Tal grandeza deve ser proporcional ao estilo de jogabilidade épica que God of War emprestou de diversos jogos e o transformou como único, de instantânea identidade. Nisso, faltou um pouco de ousadia em Ghost of Sparta, apesar de ser realmente difícil otimizar uma mecânica de combos, dilacerações e uma visceralidade incríveis que já nasceram quase perfeitas.

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Nos primeiros minutos do jogo, que se passam em Atlantis, cidade que esconde a entrada para os domínios de Poseidon, e onde, a pedido deste, a criatura Schylla tem a incubência de atrapalhar a ida de Kratos para estas terras, mostram um jogo com um grafismo impecável, um efeito de chuva convincente e, após uma conversa de Kratos com Athena, a cena se abre e o baile sangrento tem seu início. Típico de todo jogo da franquia, os primeiros passos de Kratos evidenciam um tutorial rápido e eficiente que, pra quem já é fã da série, torna-se um dejavú (ou quase). Mecânicas oriundas dos jogos antigos, aliadas às novas dão o charme para Ghost of Sparta. Além dos ataques habituais com as Blades of Athena, Kratos pode executar ataques de contenção simplesmente correndo em direção ao inimigo, jogando-o ao chão e golpeando-o num simples apertar de botões, até ocorrer o esfacelamento carnificínico. Torna-se uma tática interessante quando a pequena tela do portátil reúne uma dezena de oponentes e você quer poupar algum tipo de poder maior. Peculiar também notar a reação das criaturas ao verem seus aliados ao chão. Eles interceptam Kratos e não se mostram passivos diante do que está acontecendo.

Há outras variedades na atmosfera do sistema da série que denotam uma expansão do que já fora criado, ou seja, há uma variação salutar, mesmo que você ainda tenha a sensação de estar jogando algo visto em 2005 ainda. Você se encantará com as novas formas de acabar com as medusas, por meio de diferenciados QTEs (Quick Time Events). Aliás, vale notar que as sequências de QTEs que nos obrigavam a usar o pouco confortável analógico do PSP foram diminuídas.

Dois artifícios de combate se destacam: Thera’s Bane e as Arms of Sparta.

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A primeira citada permite que as Blades of Athena sejam envolvidas com fogo. Além de conferir-lhe maior poderio, ela essencial para abrir certas portas e destroçar as armaduras de alguns inimigos, os quais se mostravam invulneráveis desde então.Além disto, ela confere um ar de exploração para o jogo, porque é necessário recolher determinados números de um específico item para que a energia dela seja otimizada, podendo ser usada por mais tempo, afinal ela consiste em uma barra similares às de magia e energia, porém a Thera’s Bane é regenerativa, o que facilita o caminhar do jogo, em muitos casos.

Já as Arms of Sparta representam um momento interessante no jogo, no qual você terá uma noção do status de Kratos entre o seu povo espartano. Possivelmente é uma das melhores armas secundárias da série. Geralmente, quando utilizamos uma arma secundária num God of War, desistimos dela por causa da inegável sensação de poder as lâminas com correntes proporcionam, ou seja, o uso é apenas pautado pela necessidade. Porém, estas armas contém um poder de defesa e de ataque impressionante e é divertido de utilizar. Claro, você voltará para as ditas lâminas com correntes, todavia a funcionalidade desta arma secundária é notável.

Complementando o arsenal de Kratos, há os elementos de magia, que novamente são poucos e alguns contêm mecânicas similares a outros itens de outros jogos da série, porém dão uma variação ao caminhar no jogo, porque possivelmente você irá querer drenar a energia de algum oponente e transferi-la para o anti-herói ou ainda congelar os oponentes para facilitar as coisas. Todos as magias necessitam de orbs vermelhos que proporcionarão novos poderes e aumento de dano, ou seja, mesmo com um enredo mais robusto, puzzles melhor trabalhados, Ghost of Sparta ainda estimula o combate de forma fenomenal. Você se atentará a pequenos detalhes, como um inimigo menor ficar atordoado com o dano de um inimigo maior, dentre outros, que redundará na conclusão de que é possível variar na jogabilidade, mas sem perder o toque e o jeito de ser, característicos da franquia.

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Já fora adiantado aqui, porém vale reforçar: junto ao enredo, o que mais impressiona em Ghost of Sparta é a apresentação e a imponência técnica. Os cenários que se agigantavam em Chains of Olympus, trazem consigo também esta característica, porém são muito mais variados. As sequências de plataformas são mais frequentes, e o level-design é melhor arquitetado, o que traz a sensação gradual de estar jogando algo inspirado no primeiro jogo da série quanto a esta parte. Ao desbravar várias localidades como Atlântida, domínios de Poseidon, Esparta, os domínios da morte, dentre alguns poucos outros, ficar boquiaberto é uma constante.

É simplesmente o jogo mais bonito de PSP até agora. E a direção de arte fantástica continua aqui, contribuindo significativamente para isto. Diversas ações advindas do clima como a rigorosa neve ou as tempestades calamitosas trazem um trabalho técnico praticamente perfeito para os padrões do portátil, que rivaliza com muitos dos jogos mais bonitos de PlayStation 2. Os inimigos são melhor modelados aqui e há uma variedade maior destes. Apesar de, no modo "Normal" as batalhas contra os chefes serem fáceis, elas impressionam pelo seu nível de escala, como contra Scylla, ou pela surpresa impactante, como na luta contra Thanatos. Tudo isto embalado por uma trilha sonora característica da série, com músicas orquestradas e dublagem quase perfeita nas cutscenes, sendo que tudo isto deve ser apreciada com fones de ouvido (é quase uma obrigação).

Apesar de ser um jogo curto, Ghost of Sparta tem um tempo de duração maior que Chains of Olympus, beirando entre nove e dez horas de jogo. E os modos extras estimulam o replay do jogo, porque, além dos diversos desafios, existe também o peculiar Templo de Zeus, no qual devem ser sacrificados um número específico de orbs vermelhos para fins de verificar trailers, artworks e novos oponentes para o modo arena, no qual é possível jogar com Deimos também.

Existem alguns pequenos problemas em Ghost of Sparta como a sua relativa facilidade, principalmente para um veterano da série, ou aquela incômoda tarefa de fazer Kratos rolar no chão através do L+R aliados ao analógico, algo que é desconfortável de ser feito. Porém, estes problemas são pouco notáveis e, diante da grandiosidade dos méritos, não atrapalham de forma taxativa a experiência.

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Kratos tem parte do seu passado perfeitamente delineado em Ghost of Sparta. O final é literamente mais emocionante que o jogo anterior e possivelmente fora concebido para fazer com que o jogador sinta na pele e in-game a inércia diante do desolador fato recorrente da batalha final do jogo (e a forma com que esta batalha é concebida ajudar a acentuar o momento de tristeza bem arquitetado). Kratos ainda continua implacável, sanguinário, porém mais humano, mesmo sendo um deus agora. Um acontecimento em Esparta mostra o respeito que Kratos tem junto aos espartanos. O relacionamento de irmãos junto a Deimos é modelado na narrativa inteira, nos preparando para um clímax incrível. Sua relação com os deuses também é abordada mais intensamente e o sentimento de vingança cresce, assim como a excelência deste jogo também se avoluma, um dos melhores da série.

Outra opinião – Patrick Seabra (Machine_God)


Se "em time que está ganhando não se mexe", então God of War é campeão invicto há 7 anos já, visto que sua fórmula se mantém praticamente intacta. Tenham em mente que isso de forma alguma é uma crítica, apenas uma constatação de fatos – porque, sendo sincero, criticar God of War é um dos trabalhos mais árduos que existem.

Chain of Olympus, quando lançado, era uma bela exposição das capacidades do PSP. Ghost of Sparta é "Chain of Olympus + 1", por assim dizer – maior, mais bonito, com enredo ainda mais interessante. Não há muito o que se criticar, e os pontos fortes dos antecessores são os mesmos aqui – dos chefes impressionantes à direção de arte soberba e os gráficos incríveis, Ghost of Sparta é sensacional. O enredo, em particular, é excelente e caracteriza ainda mais o guerreiro espartano, mostrando de onde vem o terrível ódio que ele guarda contra os Olimpianos e, eventualmente, leva aos eventos de God of War II e III. Experimentem e comprovem.
Não existe muito que eu possa falar aqui que não tenha sido dito na análise. Se você gosta da saga de Kratos, Ghost of Sparta é um jogo do mesmo nível de seus antecessores, e a menos que você espere uma mudança radical nas mecânicas de jogo, não decepciona de forma alguma. Como é de costume da série, este é facilmente um dos melhores jogos disponíveis para a plataforma – e ouso dizer que obrigatório para os donos de PSP.
 

— Resumo —

+ Intensificação e profundidade na narrativa. A melhor da série até agora
+ Grandiosidade técnica que faz o PSP beirar ao limite. O jogo mais bonito do portátil até o momento
+ Thera’s Bane e Arms of Sparta conferem uma variedade salutar aos combates
+  Batalhas ainda dão a sensação de visceralidade típica da série
+ Extras recompensadores e que estimulam, no mínimo, uma nova jogatina no modo principal 
Variação grata no level-design
+ Cena in-game final épica e comovente

Algumas das habilidades podem tornar o jogo muito fácil
Maior que Chains of Olympus, porém ainda é curto
 Continua sendo tortuante a mecânica de "rolar no chão"

Veredito

95

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