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Produtor de Silent Hill tem interesse em jogos da série em outras culturas do mundo

O Silent Hill mais recente da série fez uma aposta ousada: não apenas mudou a premissa da cidade homônima, mas também para uma cultura completamente diferente – o Japão. Mas isso é só o começo, já que Motoi Okamoto, produtor da série, vê o sucesso de Silent Hill f como um sinal de que a série não precisa se limitar a um cenário específico para ser Silent Hill.

Em entrevista ao Inverse em Los Angeles, Okamoto disse que há vários locais específicos que ele está considerando para o próximo jogo. Embora inicialmente tenha dito que não poderia revelar mais detalhes, conforme a conversa avançava, ele acrescentou mais ideias. O cenário japonês de Silent Hill f permitiu que os desenvolvedores explorassem o folclore local e o conectassem aos elementos de terror do jogo. Okamoto afirma que, para títulos futuros, suas equipes têm analisado outras regiões da Ásia, assim como áreas da América Central ou do Sul.

“Acreditamos que poderíamos adotar abordagens semelhantes com outras culturas ao redor do mundo”, disse Okamoto. “Por exemplo, na América Central ou do Sul, poderíamos talvez explorar as crenças xamânicas mais locais e ver como isso se encaixa. Mas também poderíamos tentar expandir nossos horizontes e explorar outras regiões, como possivelmente a Rússia, a Itália ou a Coreia do Sul, porque todas essas áreas têm seus próprios sistemas de crenças únicos. Acredito que isso será uma porta de entrada para expandirmos ainda mais nossos conceitos”.

Okamoto parece ter um forte desejo de ambientar a série na América Central ou do Sul, a julgar por seu interesse no autor colombiano Gabriel García Márquez e no realismo mágico. Quando questionado sobre o assunto, Okamoto, um ávido leitor que citou Mōryō no Hako [Caixa de Espíritos e Duendes], do autor japonês Natsuhiko Kyogoku, como um livro que gostaria de preservar para as futuras gerações, diz que costuma ler livros de terror da América Central e do Sul.

Okamoto observa que a mistura singular de realismo e fantasia — o que poderíamos chamar de “realismo mágico” — raramente é vista em videogames, remetendo a romances como Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, ou aos romances de terror da jornalista e escritora Mariana Enríquez.

Durante a conversa com a Konami, ficou evidente o quanto os desenvolvedores já pensaram e planejaram a ideia de levar Silent Hill para essa nova região. A empresa já está até pensando em qual estúdio faria parceria para tornar esse novo jogo uma realidade.

Ele acrescenta: “há um problema: a América Central e do Sul não têm muitos estúdios de desenvolvimento de videogames de renome capazes de lidar com uma propriedade intelectual como Silent Hill. Então, embora tenham muitos filmes, livros e contos interessantes, como traduzir isso para os jogos é algo que ainda precisamos explorar”.

Via
ResetEra
Fonte
Inverse

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