Oxenfree II: Lost Signals

Eu nunca joguei o primeiro OXENFREE. Apesar de saber o quão aclamado e elogiado o jogo de estreia do Night School Studio é, rendendo uma série de vitórias nas principais premiações da indústria, incluindo o D.I.C.E. Awards, por algum motivo, sempre foi um título que ficou fora da minha órbita de interesse, flutuando naquela galáxia de títulos que eu sei que preciso jogar, mas nunca veio a oportunidade.

Suficiente dizer então que, quando surgiu o convite para testar OXENFREE II: Lost Signals durante o renomado Tribeca Festival, foi impossível não aceitar. Muito por saber o quão exigente a curadoria do festival é com os jogos que ela escolhe apresentar, graças ao desejo de manter o peso e importância que uma seleção para ele tem, algo que já havia sido estabelecido há bastante tempo quando o Tribeca era um festival só de filmes.

Bom, se restava alguma dúvida, a pequena demo que nós tivemos a oportunidade de jogar foi mais do que suficiente para demonstrar que essa sequência tem tudo para não só fazer jus ao sucesso do primeiro título, mas expandi-lo de forma a manter os fãs totalmente engajados e interessados no desfecho da história.

OXENFREE 2: Lost Signals

É importante dizer que, apesar de ser uma sequência numerada, trata-se muito mais de uma espécie de “sequência espiritual” do que uma continuação direta (pense em algo parecido com a série Life is Strange, por exemplo). Essa comparação, aliás, é bem apta visto que, apesar da presença de vários elementos de gameplay e exploração, temos aqui um jogo que demonstra mesmo nesses poucos minutos um foco pesado em diálogos.

A demo nos coloca no controle da protagonista Riley durante a exploração de uma série de cavernas. A sensação que se tem é de que se trata de uma parte bem inicial do jogo, focando em tarefas simples ao longo da exploração com um puzzle bem simples ao final, meio que buscando funcionar como um tutorial.

É claro, gameplay não me parece ser o tipo de coisa que funcionaria como a âncora de um título como esse, mas cabe o aviso de que se você espera algo sofisticado nesse ponto, a demo que tivemos acesso demonstra que não é o que você irá encontrar. No entanto, no aspecto em que o jogo realmente se vende, que é sua narrativa e a forma de contá-la, a demo se mostrou bastante promissora.

OXENFREE 2: Lost Signals

Tal qual em outros jogos narrativos similares (como o já mencionado Life is Strange), OXENFREE te permite tomar um certo controle sobre a direção da história ao escolher as respostas de Riley em cada diálogo. O que me chamou a atenção é que, ao invés de escolher coisas mais genéricas, as palavras que estão escritas nas opções são as que realmente são ditas, o que ajuda bastante na sensação de controle que o jogador precisa ter sobre a direção da história.

O mais curioso é que a estética adotada por OXENFREE II é algo bem similar a uma certa série que voltou ao mainstream nas últimas semanas. Dado o tom sombrio misturado com uma paleta de cores quase neon e a presença de um personagem falastrão guiando parte da narrativa e as claras influências de filmes de terror dos anos 80, a sensação que se tem é quase de estar jogando um título ambientado no universo de Stranger Things.

Há um claro mistério apresentado durante a demo através de uma “visão” mostrando Riley e seu amigo Jacob ambos mortos. O que isso quer dizer? Bom, não foi possível chegar até lá, mas a forma como o mistério é apresentado é mais do que suficiente para te deixar intrigado com o que a narrativa se propõe a apresentar. Junte a isso uma breve e estranha mensagem através do rádio de uma pessoa alegando ser de outra linha temporal e me considere bastante interessado no desenrolar da história.

OXENFREE 2: Lost Signals

O jogo dá a entender que existem algumas ligações com o jogo original, mas parecem ser de forma bem sutil. De toda forma, o uso de viagem no tempo foi um elemento que me deixou bastante intrigado, visto que os personagens reagiram de forma bem calma com eles, indicando que naquele ponto da narrativa, voltar no tempo era algo com o qual já estavam acostumados.

A forma como esse recurso foi usado na demo em si me deixou um pouco com o pé atrás, visto que algo que parecia estar se desenhando como algo importante foi meramente uma ferramenta para resolver o puzzle final. Dito isso, a mera presença disso pode vir a significar um uso mais significante e uma importância maior no futuro da narrativa. Nos resta aguardar.

Dito isso, a experiência que eu tive com essa demo fez com que OXENFREE II: Lost Signals realmente entrasse no meu radar como um dos jogos independentes que podem chegar e causar bastante impacto. Muito vai depender do quão bem contada a história e desenvolvidos os personagens vão ser, mas se tudo caminhar tão bem quanto prometem, teremos mais um grande sucesso chegando ao PlayStation 4 e Playstation 5 até o final deste ano.

OXENFREE 2: Lost Signals