Final Fantasy Lost Stranger

Final Fantasy Lost Stranger

Isekai. O polêmico “gênero” que se espalhou e tomou conta de grande parte do mercado de animes e mangás ao longo dos últimos anos, sendo raro encontrar fãs dessas mídias que não tenham nenhum tipo de opinião sobre ele. Sejam grandes fãs e adoradores das diversas possibilidades e ferramentas narrativas que retirar algum de um determinado universo e colocá-lo em outro trazem ou “haters” que, com razão, apontam para o vasto volume de títulos genéricos sustentados apenas por premissas curiosas.

Muito do sucesso atual do gênero tem origem na popularidade de títulos como Sword Art Online, Accel World e Log Horizon, todos com videogames envolvidos em seu plot de uma forma ou de outra. Por outro lado, uma publisher que sempre teve um certo gosto por usar aquilo que hoje conhecemos como isekai em seus jogos é a Square Enix, vendo elementos do gênero em títulos como Kingdom Hearts e Final Fantasy Tactics Advance.

Então, não é de se surpreender muito que, se o gênero ganhou popularidade através de histórias em que personagens ficam presos dentro de MMOs e a Square Enix possui um MMORPG de enorme sucesso, eventualmente as duas coisas se misturaram. E é aí que entra Final Fantasy Lost Stranger, o mangá que começou a ser publicado aqui no Brasil graças à Editora JBC.

Final Fantasy Lost Stranger

Lost Stranger conta a história de Shogo, um desenvolvedor de jogos que trabalha na Square Enix. Infelizmente, ele não trabalha com a série que ele e sua irmã Yuko amam desde muito novos, Final Fantasy. Enquanto Yuko trabalha na divisão de marketing da série, Shogo se vê em uma encruzilhada, cansado da vida adulta e tentando reencontrar aquilo que o fez se apaixonar por aquilo que se tornou seu trabalho.

Shogo então se vê envolvido em um acidente de carro (por motivos óbvios), sendo então transportado junto com Yuko para uma outra realidade. Esse mundo não é nominalmente revelado como a realidade sendo de algum Final Fantasy, mas é recheado dos clichês e padrões que são únicos à franquia.

Enquanto Shogo se vê assumindo o papel de arqueiro, com os irmãos tendo que trabalhar em conjunto com um black mage, uma white mage e um paladino. Como grandes fãs de FF, Shogo e Yuko se pegam empolgados a cada encontro com algo que eles viam nos videogames, seja comida, possuir Gils ou ver um Chocobo ou um Moogle pessoalmente.

Final Fantasy Lost Stranger

Antes que o grupo possa partir em uma jornada para salvar o mundo ou derrotar deuses, Shogo tem que enfrentar a grave realidade de que ele vive em um videogame, com o grupo sendo atacado por um dragão e Yuko morrendo e não tendo como ser revivida por eles. Shogo decide então que ele precisa encontrar uma forma de trazer Yuko de volta a vida e encontrar uma forma de sobreviver nesse mundo hostil para o qual ele não está preparado.

O mais curioso pra mim em Lost Stranger é que essa descrição toda acima é das primeiras 30 a 50 páginas do Mangá, com o primeiro volume tendo pouco mais de 200. É até um pouco difícil acompanhar o ritmo, já que a história avança rápido e frenética desde o começo, então é preciso ter bastante atenção para pegar aquilo que a história quer te passar. Há todo um cuidado para estabelecer os personagens, o mundo e suas regras para então conseguir avançar o plot.

E funciona. Lost Stranger talvez não seja o mangá mais receptivo se você não é um fã da franquia Final Fantasy, mas há uma clara intenção de tentar apresentar aquele mundo para eventuais marinheiros de primeira viagem. Dito isso, é claramente um título que é muito mais voltado para fãs da franquia, capazes de apreciar os pequenos detalhes e os easter eggs presentes ali.

Final Fantasy Lost Stranger

É preciso dizer também que o trabalho de tradução da JBC foi primoroso. O texto mantém o tom bem humorado e a ótima tradução que são marca registrada da editora, respeitando o material fonte no que era necessário, mas trazendo a conversa para um tom que faz sentido em nosso idioma e com uma diagramação que também se encaixa muito bem no produto e a alta qualidade do acabamento e do papel utilizados para essa edição.

Por fim, cabe dizer que a arte do mangá também é espetacular. Visualmente é um mangá de altíssima qualidade, com alguns quadros bem impressionantes, páginas duplas visualmente agradáveis e uma identidade visual que traz uma variação muito bem-vinda a elementos tradicionais de Final Fantasy.

Então, se você é fã de Final Fantasy e, especialmente, se é fã de Final Fantasy XIV (o mangá foi supervisionado pelo genial Naoki Yoshida), Lost Stranger é o tipo de mangá que você deveria dar uma chance. Apesar de ser o primeiro volume, a história é muito bem construída e termina de uma forma que te manterá interessado nos próximos títulos que virão por aí nessa série.

Final Fantasy Lost Stranger

Mangá analisado com cópia enviada pela Editora JBC.