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Impressões: beta do multiplayer de Dead Space 2

Em 2008 a Electronic Arts (EA) surpreendeu o mundo com seu Dead Space, um fantástico jogo de ação e terror de ficção científica que agradou críticos e jogadores. A EA viu o potencial do jogo e lançou diversos novos produtos da série, de histórias em quadrinhos a filmes de animação, além de jogos, como Dead Space Extraction para o Wii, que será relançado para o PS3, com suporte para o Move, juntamente com Dead Space 2, a sequência direta do primeiro jogo. Essa sequência com certeza é uma das mais esperadas da indústria, e trará diversas novidades para a série.

Em Dead Space 2 a Visceral Games irá trazer o universo de Dead Space para o multiplayer. Na E3 2010 foi sugerido que o jogo teria algum componente multiplayer, mas nada oficial foi dito, até que há algumas semanas o multi foi confirmado e detalhado: as partidas terão um esquema cooperativo e competitivo baseado em dois times: um time dos humanos, que devem cumprir objetivos específicos em mapas diferentes, e o outro dos Necromorphs, os inimigos alienígenas da série, cujo objetivo é matar os humanos e impedí-los de prosseguir.

O multiplayer não foi apenas colocado no jogo simplesmente para tê-lo. Há uma história por trás do multiplayer, encaixando-o no universo de Dead Space sem soar absurdo. Os humanos são membros da força policial da Sprawl, a cidade na qual Dead Space 2 se passa, e eles devem realizar suas missões enquanto enfrentam a infestação Necromorph de sua cidade. Cada time conta com 4 jogadores e o sistema é parecido com o versus de Left 4 Dead. Ao terminar uma partida, os times são invertidos: quem estava no time dos humanos vai pro time dos Necromorphs e vice-versa.

Há alguns dias, sem aviso prévio e sem nenhum alarde, foi lançado um beta para esse componente multiplayer de Dead Space 2. Pessoas selecionadas receberam em seus e-mails códigos de ativação para obter o jogo da Playstation Store. O autor desse texto foi agraciado com um código e jogou extensivamente o multiplayer nos últimos três dias, e ficam aqui as impressões do que ele encontrou.

Primeiramente, os gráficos impressionam. Eles são no mínimo tão bons quanto os do primeiro jogo, e rodam a uma taxa fixa de quadros por segundo, sem nenhum slowdown aparente até agora. Considerando que são 8 jogadores (4 de cada time) atuando juntos, é louvável o trabalho que a Visceral conseguiu fazer. O jogo continua brutal, com desmembramentos, decaptações e sangue jorrando para todos os lados. É Dead Space como conhecemos e amamos.

Dead Space é conhecido pela brutalidade já mencionada e pelo seu hud, o componente dos jogos que exibe informações na tela para informar o jogador do seu nível de energia, munição disponível e assim por diante. Em Dead Space não há nada "jogado" na tela; todas as informações são sutilmente exibidas na armadura e nas armas do personagem, e sofreram algumas mudanças, porém apenas estéticas, em relação ao primeiro.

A jogabilidade do time dos humanos é a mesma do primeiro jogo. O personagem é controlado de forma bem realista: há um certo "peso" nele, e seus movimentos não são leves e rápidos devido à enorme armadura que está usando. Até quando se corre é possível sentir que há algo te segurando, e isso só aumenta a tensão do jogo, pois escapar dos inimigos, muito mais rápidos que você, é um desafio.

É possível escolher, antes de entrar no jogo, quais armas se quer utilizar. A básica e que não pode ser removida é o Pulse Rifle, o rifle militar também encontrado no primeiro jogo. A outra arma inicialmente disponível é a mais característica da série: a Plasma Cutter. Jogando algumas partidas e subindo de nível com os pontos ganhos a cada jogo, foi destravada outra arma, a Javelin Gun, que não havia no original. As armas continuam tendo tiros primários e secundários, e esses devem ser utilizados com parcimônia, já que a munição é escassa. O statis, que congela os inimigos por alguns segundos, também pode ser usado no multiplayer, mas seu uso é bastante limitado.

No único mapa disponível nesse beta, intitulado Titan Mines, os jogadores devem escapar de uma mina obtendo três partes de uma máquina e montando-a para então poderem escapar. As partes estão espalhadas pela fase e sua captura é dificultada: ao obter uma parte, o jogador fica ainda mais pesado e perde a habilidade de correr. Esse é um elemento que estimula o trabalho em equipe, pois enquanto um jogador carrega a parte até a máquina, os outros devem defendê-lo a todo custo. É um ótimo desafio e é muito divertido, nunca sendo frustrante. Quando um jogador morre e deixa sua parte cair, ela não volta para onde estava inicialmente, e os Necromorphs não podem readquiri-la, o que certamente tornaria esse modo enfadonho com o tempo.

A novidade é poder controlar os Necromorphs, e isso se mostrou mais divertido do que o esperado. Ao contrário dos humanos, que são idênticos uns aos outros, é possível escolher o tipo de Necromorph com que se quer jogar. É possível escolher seu personagem após cada morte, e com exceção do Spitter, não é preciso esperar um tempo para escolher e voltar ao jogo.

O primeiro personagem disponível é o Pack, um Necromorph adolescente e que é novidade em Dead Space 2. Ele é pequeno e consegue se esconder facilmente. É muito ágil e possui um único golpe básico, que usa as suas garras e é muito forte. Porém, sua vida é mínima, e com poucos tiros ou um ou dois golpes, ele está morto.

O outro tipo é o Lurker, o bebê Necromorph visto desde o primeiro jogo. Seu golpe físico é fraco e sua agilidade e vida são baixos, mas seu ataque de longa distância é poderoso: é possível mirar e atirar três espinhos venenosos que causam um dano considerável. O Lurker pode escalar qualquer superfície e andar nela livremente, e isso funciona surpreendentemente bem.

O último Necromoprh disponível é o mais característico da série: o Spitter. Sua vida é a maior de todos os três e ele possui bons golpes físicos e também de longa distância (um cuspe venenoso que justifica seu nome). Seu contratempo é que ele não pula, ao contrário dos demais, e para escolhê-lo, o jogador deve esperar vários segundos até que ele esteja selecionável, ao contrário do Pack e do Lurker. Num jogo em que cada segundo é precioso, é preciso calcular bem se a espera valerá a pena.

Todos os Necromorphs conseguem enxergar através das paredes e podem ver os humanos em qualquer lugar da fase. Além disso, ao morrer, pode-se escolher o ponto onde se quer nascer: há várias saídas de ventilação pela fase e qualquer um pode ser escolhido a qualquer momento. Isso adiciona estratégia ao lado Necromorph, pois sempre pode-se surpreender os inimigos aparecendo logo atrás deles.

Nem tudo é perfeito, contudo. Todos os Necromorphs possuem um golpe especial baseado em X + R1. No caso do Pack e do Lurker, isso faz com que eles pulem e grudem no inimigo, tirando sua vida rapidamente. No caso do Spitter, ele corre em direção do inimigo e o agarra, deixando-o indefeso enquanto o golpeia. Esses golpes são difíceis de serem usados porque o jogo não calcula bem a distância entre você e o inimigo quando se usa esse golpe. Mesmo pulando para cima de um humano e esmagando R1, muitas vezes o jogo não reconhece o golpe e você cai novamente no chão, provavelmente para ser morto segundos depois.

Também há uma certa falta de balanceamento no jogo: em torno de 80% das partidas jogadas pelo autor foram vencidas pelos humanos. Talvez sejam necessários alguns refinamentos, como o aumento da vida dos Necromorphs, o aumento da força de seus golpes ou algo nesse sentido. Outro problema é que sempre que um Necromorph morre ele deixa para trás munição ou um health pack que recupera toda a vida do humano que o usa. Ou seja, alguns humanos acumulam diversos health packs e matá-los se torna extremamente difícil.

Esses são problemas que deve ser consertados no jogo final, afinal o beta existe exatamente para detectar essas falhas e corrigi-las a tempo. Dead Space 2 será lançado em janeiro de 2011 e a Visceral terá muito tempo para implementar esses ajustes. Dead Space 2 está rumando no caminho certo, tanto no single player quanto no (até agora) excelente multiplayer, e aguardamos ansiosamente até podermos ter em mãos o jogo completo.

 

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